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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2023

MedicinaEndocrinologia
Código
fg059900
Banca
FGV
Órgão
AL-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Gestão Administrativa - Médico Cardiologista
As opções a seguir apresentam efeitos adversos dos inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (SGLT2), à exceção de uma. Assinale-a.
  1. ACandidíase vulvovaginal.
  2. BHipovolemia.
  3. CCetoacidose normoglicêmica.
  4. DInfecções do trato urinário
  5. EGanho de peso.
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GabaritoE — Ganho de peso.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inibidores do SGLT2: efeitos adversos e perfil de segurança

Gabarito: letra E. Os inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (iSGLT2) promovem glicosúria e natriurese, o que leva a perda de peso (e não ganho), sendo o ganho de peso o único efeito que NÃO faz parte do perfil de efeitos adversos dessa classe — as demais alternativas (candidíase vulvovaginal, hipovolemia, cetoacidose normoglicêmica e infecções do trato urinário) são efeitos adversos reconhecidos e documentados.

Os iSGLT2 (dapagliflozina, empagliflozina, canagliflozina, ertugliflozina) atuam inibindo o SGLT2, proteína responsável por mais de 90% da reabsorção de glicose no túbulo renal proximal. Ao inibir esse cotransportador, há excreção urinária de glicose (glicosúria) e de sódio (natriurese), com consequente diurese osmótica. Esse mecanismo explica tanto os benefícios quanto os efeitos adversos da classe.

O perfil de efeitos adversos dos iSGLT2 é bem estabelecido e inclui: infecções geniturinárias (candidíase vulvovaginal e infecções do trato urinário), depleção de volume intravascular (hipovolemia), cetoacidose euglicêmica (normoglicêmica) e, raramente, fasciite necrotizante perineal. A perda de peso, por outro lado, é um efeito esperado e até desejado da classe, ocorrendo de forma modesta (2 a 3 kg em média), devido à perda calórica pela glicosúria e à diurese osmótica.

A cetoacidose euglicêmica é um efeito adverso particularmente importante, pois ocorre com glicemia relativamente normal (geralmente < 250 mg/dL), o que pode atrasar o diagnóstico. O risco é maior em idosos, em situações de jejum prolongado, doença aguda, redução abrupta de insulina ou consumo excessivo de álcool. A hipovolemia decorre da natriurese e diurese osmótica, sendo mais comum em idosos, em pacientes com função renal reduzida ou em uso de diuréticos.

A candidíase vulvovaginal e as infecções do trato urinário são consequência da glicosúria, que cria um ambiente favorável ao crescimento de fungos e bactérias no trato geniturinário. Essas infecções são mais frequentes em mulheres, especialmente no primeiro mês de tratamento.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que o ganho de peso é o oposto do efeito esperado: os iSGLT2 causam perda de peso, não ganho. O candidato que não conhece o perfil de efeitos adversos da classe pode ser induzido a marcar uma das outras alternativas, que são efeitos reais e bem documentados.

Inibidores do SGLT2
  • 1Mecanismo
    • Glicosúria
    • Natriurese
    • Diurese osmótica
  • 2Efeitos adversos
    • Infecções geniturinárias
      • Candidíase vulvovaginal
      • Infecção do trato urinário
    • Hipovolemia
    • Cetoacidose euglicêmica
  • 3Efeito esperado
    • Ganho de peso (não ocorre)
    • Perda de peso (2-3 kg)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ✅ Correta (é efeito adverso)

A candidíase vulvovaginal é um efeito adverso clássico dos iSGLT2, decorrente da glicosúria que favorece o crescimento de fungos (Candida) no trato genital. É mais comum em mulheres e pode ocorrer em até 10-15% dos pacientes, especialmente no início do tratamento.

Alternativa B — ✅ Correta (é efeito adverso)

A hipovolemia é um efeito adverso esperado, consequência da natriurese e diurese osmótica induzidas pela inibição do SGLT2. O risco é maior em idosos, em pacientes com função renal reduzida ou em uso concomitante de diuréticos. Pode se manifestar como hipotensão, tontura e desidratação.

Alternativa C — ✅ Correta (é efeito adverso)

A cetoacidose normoglicêmica (ou euglicêmica) é um efeito adverso raro, mas grave, dos iSGLT2. Ocorre com glicemia relativamente normal (< 250 mg/dL), o que dificulta o diagnóstico. Fatores de risco incluem jejum prolongado, doença aguda, redução abrupta de insulina e consumo de álcool. O risco é maior em idosos.

Alternativa D — ✅ Correta (é efeito adverso)

As infecções do trato urinário são efeitos adversos comuns dos iSGLT2, também decorrentes da glicosúria que favorece o crescimento bacteriano. São mais frequentes em mulheres e podem se manifestar como cistite ou pielonefrite.

Alternativa E — ❌ Incorreta (NÃO é efeito adverso) ⟵ GABARITO

O ganho de peso é o oposto do efeito esperado dos iSGLT2. A classe promove perda de peso modesta (2 a 3 kg em média), devido à perda calórica pela glicosúria e à diurese osmótica. O ganho de peso é mais associado a outras classes de antidiabéticos, como sulfonilureias, tiazolidinedionas e insulina.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão do efeito: o candidato que sabe que os iSGLT2 causam infecções e cetoacidose pode não lembrar que a classe promove perda de peso, não ganho. O ganho de peso é efeito de outras classes (sulfonilureias, tiazolidinedionas, insulina), não dos iSGLT2.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os efeitos adversos dos iSGLT2, lembre-se do mecanismo: glicosúria → infecções geniturinárias; natriurese → hipovolemia; e o estado de "fome celular" → cetoacidose euglicêmica. E lembre-se: a classe é conhecida por causar perda de peso, nunca ganho.

Gabarito: letra E — o ganho de peso é o único item que NÃO é efeito adverso dos inibidores do SGLT2.

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