Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg059921
Banca
FGV
Órgão
AL-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Gestão Administrativa - Médico Cardiologista
Em pacientes com insuficiência valvar aórtica, constitui sinal no exame físico sugestivo de maior gravidade da lesão valvar a presença de
Aquarta bulha.
Bestalido de abertura valvar precoce.
Cpulso carotídeo parvus e tardus.
Dsopro diastólico em decrescendo prolongado.
Eaumento do sopro com a inspiração profunda.
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GabaritoD — sopro diastólico em decrescendo prolongado.
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Insuficiência aórtica: sinais de gravidade ao exame físico
Gabarito: letra D. Na insuficiência aórtica, o sinal de maior gravidade é o sopro diastólico em decrescendo prolongado, pois a duração do sopro — e não sua intensidade — correlaciona-se diretamente com a gravidade da regurgitação. As demais alternativas apontam achados de outras valvopatias ou sinais periféricos que não refletem a gravidade da lesão aórtica.
A insuficiência aórtica (IAo) é a incapacidade de fechamento das sigmoides aórticas, permitindo refluxo de sangue da aorta para o ventrículo esquerdo durante a diástole. Esse refluxo gera sobrecarga de volume no VE, levando à dilatação e hipertrofia excêntrica. O exame físico é rico em achados, classicamente divididos em sinais periféricos (decorrentes da grande pressão diferencial) e sinais cardíacos.
O sopro da IAo é diastólico, em decrescendo, aspirativo, mais bem auscultado no foco aórtico acessório (3º-4º espaço intercostal esquerdo, junto ao esterno), com o paciente sentado, inclinado para frente e em expiração. A duração do sopro é o principal marcador de gravidade: quanto mais prolongado (holodiastólico), mais grave a regurgitação. Isso ocorre porque, na IAo grave, a pressão diastólica aórtica cai rapidamente e se iguala à pressão ventricular esquerda, mantendo o gradiente de refluxo por toda a diástole. Em contraste, na IAo leve, o sopro é apenas protodiastólico, pois o gradiente se equaliza precocemente.
A intensidade do sopro, por outro lado, não se correlaciona bem com a gravidade — um sopro suave pode acompanhar regurgitação grave, e um sopro intenso pode estar presente em lesão moderada. Isso é uma pegadinha clássica: a banca explora a confusão entre intensidade e duração.
Os sinais periféricos da IAo (pulso em martelo d'água, sinal de Musset, sinal de Duroziez, pulso de Quincke) indicam a presença da lesão, mas não quantificam sua gravidade. Já o pulso parvus e tardus é característico de estenose aórtica, não de insuficiência.
A quarta bulha (B4) é um ruído diastólico que ocorre na sístole atrial, indicando redução da complacência ventricular (sobrecarga de pressão), típica de hipertrofia concêntrica — como na estenose aórtica e na hipertensão arterial. Na IAo, a sobrecarga é de volume, e a B4 não é um marcador de gravidade.
O estalido de abertura é um ruído diastólico precoce, característico da estenose mitral, e sua precocidade correlaciona-se com a gravidade da EM (quanto mais precoce, mais grave). Não se aplica à IAo.
O aumento do sopro com a inspiração profunda (manobra de Rivero-Carvalho positiva) é típico de sopros originados no coração direito (insuficiência tricúspide, insuficiência pulmonar), pois a inspiração aumenta o retorno venoso ao VD. Na IAo, o sopro não aumenta com a inspiração.
Portanto, o critério decisivo para distinguir as alternativas é: na IAo, a gravidade é avaliada pela duração do sopro diastólico, não pela intensidade, nem por outros achados que pertencem a outras valvopatias.
Insuficiência aórtica: sinais de gravidade: Sopro diastólico (Prolongado (holodiastólico) = grave, Intensidade não reflete gravidade); Sinais periféricos (Indicam presença, não gravidade); B4 (Sobrecarga de pressão (estenose aórtica)); Estalido de abertura (Estenose mitral); Pulso parvus e tardus (Estenose aórtica); Sopro ↑ com inspiração (Coração direito (IT/IP))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A quarta bulha (B4) é um ruído protodiastólico que ocorre na sístole atrial, indicando redução da complacência ventricular (sobrecarga de pressão). É típica de hipertrofia concêntrica, como na estenose aórtica e na hipertensão arterial. Na IAo, a sobrecarga é de volume, e a B4 não é um marcador de gravidade — sua presença pode até estar relacionada a outras comorbidades, mas não reflete a gravidade da lesão valvar aórtica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O estalido de abertura é um ruído diastólico precoce, característico da estenose mitral, e sua precocidade correlaciona-se com a gravidade da EM (quanto mais precoce, mais grave). Não se aplica à IAo — na insuficiência aórtica não há estalido de abertura, pois a valva aórtica não está estenosada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O pulso carotídeo parvus e tardus (amortecido e prolongado) é característico da estenose aórtica, não da insuficiência. Na IAo, o pulso é amplo e célere (em martelo d'água), devido à grande pressão diferencial. A alternativa troca o achado de uma valvopatia pela outra.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O sopro diastólico em decrescendo prolongado é o sinal de maior gravidade na IAo. A duração do sopro correlaciona-se diretamente com a gravidade da regurgitação: quanto mais prolongado (holodiastólico), mais grave. Isso ocorre porque, na IAo grave, o gradiente de pressão entre aorta e VE se mantém por toda a diástole. A intensidade, ao contrário, não é um bom marcador de gravidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O aumento do sopro com a inspiração profunda (manobra de Rivero-Carvalho positiva) é típico de sopros originados no coração direito (insuficiência tricúspide, insuficiência pulmonar), pois a inspiração aumenta o retorno venoso ao VD. Na IAo, o sopro não aumenta com a inspiração — ele é mais bem auscultado com o paciente em expiração e inclinado para frente.
Gabarito: letra D — o sopro diastólico em decrescendo prolongado é o sinal de maior gravidade na insuficiência aórtica.