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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg059922
Banca
FGV
Órgão
AL-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Gestão Administrativa - Médico Ginecologista
Sobre os fatores que influenciam a transmissão vertical (TV) do HIV, é correto afirmar que
  1. Aa aferição do pH fetal por micropunção da apresentação fetal não influencia a taxa de TV.
  2. Bo misoprostol para indução do parto está contraindicado em pacientes portadoras do HIV.
  3. Cpacientes infectadas por Neisseria gonorrhoeae têm maiores taxas de TV.
  4. Dem casos selecionados deve ser oferecida cordocentese para avaliar infecção fetal pelo HIV.
  5. Eo ganho de peso materno insuficiente não tem associação com as taxas de TV.
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GabaritoC — pacientes infectadas por Neisseria gonorrhoeae têm maiores taxas de TV.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transmissão vertical do HIV: fatores de risco e condutas obstétricas

Gabarito: letra C. A infecção materna por Neisseria gonorrhoeae (gonorreia) está associada a maiores taxas de transmissão vertical do HIV, pois a cervicite/vaginite gonocócica aumenta a concentração de células-alvo (linfócitos CD4+) no trato genital e facilita a passagem do vírus durante o parto. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou condutas incorretas frente às recomendações atuais de prevenção da transmissão vertical (PTV) do HIV.

A transmissão vertical (TV) do HIV é a passagem do vírus da mãe para o filho, podendo ocorrer durante a gestação (transmissão intrauterina), no momento do parto (transmissão intraparto/perinatal) ou após o nascimento, por meio do aleitamento materno. A maioria dos casos (65-70%) ocorre durante o trabalho de parto e parto, sendo este o momento mais crítico para a profilaxia. Sem qualquer intervenção, a taxa de TV é de aproximadamente 25%; com as medidas preventivas atuais — uso de terapia antirretroviral (TARV) na gestação, cesariana eletiva quando indicada, zidovudina (AZT) injetável na parturiente e no recém-nascido, e não amamentação — essa taxa cai para níveis entre 1% e 2%.

O principal fator de risco para a TV é a carga viral (CV) materna elevada. A taxa de TV é inferior a 1% em gestantes em uso de TARV que mantêm CV abaixo de 1.000 cópias/mL, sendo muito baixa quando a CV está indetectável. A CV é monitorada ao longo do pré-natal (na primeira consulta, quatro semanas após início/mudança da TARV e na 34ª semana, para definição da via de parto). Outros fatores que aumentam o risco de TV incluem: baixa contagem de LT-CD4+, coinfecções (como sífilis, hepatites e outras ISTs), ruptura prolongada de membranas, trabalho de parto prolongado, prematuridade e procedimentos invasivos que manipulem a placenta ou o feto.

A presença de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como a gonorreia, é um fator de risco reconhecido para a TV do HIV. A infecção por Neisseria gonorrhoeae causa inflamação do trato genital, com aumento de secreções e de células inflamatórias (incluindo linfócitos CD4+), o que facilita a transmissão do HIV durante a passagem pelo canal de parto. Por isso, o rastreamento e o tratamento das ISTs fazem parte do cuidado pré-natal da gestante HIV-positiva.

A conduta obstétrica na gestante HIV-positiva é definida principalmente pela CV na 34ª semana: se CV > 1.000 cópias/mL (ou desconhecida), indica-se cesariana eletiva na 38ª semana; se CV < 1.000 cópias/mL, a via de parto segue a indicação obstétrica. O AZT injetável é indicado para todas as parturientes, exceto aquelas com CV indetectável na 34ª semana (que mantêm TARV oral). O aleitamento materno é formalmente contraindicado, independentemente da CV, e a supressão da lactação é feita com cabergolina. Procedimentos invasivos como a cordocentese (punção do cordão umbilical para coleta de sangue fetal) não são indicados para diagnóstico de infecção fetal pelo HIV, pois aumentam o risco de transmissão e não alteram a conduta.

A pegadinha central desta questão está em distinguir os fatores que REALMENTE influenciam a TV daqueles que não influenciam ou que são condutas incorretas. A banca mistura conceitos de outras infecções (como a hepatite B, em que a cordocentese pode ser discutida) e condutas obstétricas gerais (como o uso de misoprostol) para confundir o candidato. O critério decisivo é: a alternativa correta deve apontar um fator de risco REAL e bem estabelecido para a TV do HIV, e não uma conduta ou procedimento que, na verdade, é contraindicado ou indiferente.

Fator/Procedimento

Influência na TV do HIV

Conduta/Contexto

Infecção por Neisseria gonorrhoeae

Aumenta o risco (fator de risco real)

Rastrear e tratar ISTs no pré-natal

Aferição do pH fetal (micropunção do escalpo)

Aumenta o risco (procedimento invasivo)

Contraindicada em gestantes com HIV

Misoprostol para indução do parto

Não é contraindicado pelo HIV

Contraindicado apenas por cesárea anterior/cirurgia uterina

Cordocentese para diagnóstico fetal

Aumenta o risco (procedimento invasivo)

Não indicada; diagnóstico pós-natal por testes virológicos

Ganho de peso materno insuficiente

Aumenta o risco (associação real)

Nutrição adequada faz parte do pré-natal

Alternativa A — ❌ Incorreta

A aferição do pH fetal por micropunção da apresentação fetal (escalpo) é um procedimento invasivo que, na gestante HIV-positiva, está associado a MAIOR risco de transmissão vertical, pois cria uma via de contato direto entre o sangue materno e o feto. Portanto, a afirmação de que "não influencia a taxa de TV" é falsa: ela influencia, aumentando o risco, e por isso é contraindicada em gestantes com HIV. A banca inverte o sentido: o procedimento não é inócuo, é um fator de risco.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O misoprostol para indução do parto NÃO está contraindicado em pacientes portadoras do HIV. A contraindicação do misoprostol (e de outros prostaglandinas) se aplica a gestantes com cesárea anterior ou cirurgia uterina prévia, pelo risco de rotura uterina — não há relação com o HIV. Na gestante HIV-positiva, a via de parto é definida pela carga viral: se CV < 1.000 cópias/mL, a indução do parto pode ser realizada conforme indicação obstétrica, inclusive com misoprostol. A alternativa confunde a contraindicação do misoprostol (que existe, mas por outro motivo) com a condição de soropositividade.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A infecção materna por Neisseria gonorrhoeae (gonorreia) é um fator de risco reconhecido para a transmissão vertical do HIV. A gonorreia causa cervicite/vaginite com intensa inflamação local, aumentando a concentração de células-alvo do HIV (linfócitos CD4+) e a secreção genital, o que facilita a transmissão do vírus durante o parto. Por isso, o rastreamento e o tratamento das ISTs, incluindo a gonorreia, são parte essencial do pré-natal da gestante HIV-positiva. Esta é a única alternativa que aponta corretamente um fator que AUMENTA as taxas de TV.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A cordocentese (punção do cordão umbilical para coleta de sangue fetal) NÃO deve ser oferecida para avaliar infecção fetal pelo HIV. Trata-se de procedimento invasivo que aumenta o risco de transmissão vertical (por manipulação do cordão e possível passagem de sangue materno para o feto) e não altera a conduta obstétrica, que é definida pela CV materna. O diagnóstico de infecção fetal pelo HIV é feito após o nascimento, por testes virológicos no recém-nascido. A alternativa confunde a conduta de outras infecções (como na hepatite B, em que a cordocentese pode ser discutida em casos selecionados) com a do HIV, em que o procedimento é contraindicado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O ganho de peso materno insuficiente TEM associação com as taxas de transmissão vertical do HIV. A desnutrição materna e o baixo ganho de peso estão associados a pior estado imunológico (menor contagem de LT-CD4+), maior risco de prematuridade e baixo peso ao nascer, fatores que aumentam o risco de TV. A alternativa inverte a relação: o ganho de peso insuficiente é um fator de risco, não um fator indiferente. A nutrição adequada da gestante HIV-positiva é parte do cuidado pré-natal para reduzir a morbidade materna e fetal.

Gabarito: letra C — a infecção por Neisseria gonorrhoeae é um fator de risco real e bem estabelecido para a transmissão vertical do HIV, enquanto as demais alternativas apresentam condutas contraindicadas ou fatores sem associação correta.

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