Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2023
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg059928
Banca
FGV
Órgão
AL-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Gestão Administrativa - Médico Ginecologista
Mulher com atraso menstrual de oito semanas e beta-HCG positivo tem sangramento vaginal. Ultrassonografia realizada evidencia útero cheio de material ecogênico, contendo múltiplas vesículas anecoicas sem fluxo ao Doppler, não sendo visualizado feto. Os ovários se encontram aumentados com vários cistos de grande volume.Diante desses achados, está corretamente indicado fazer
Adosagem de CA 125 e encaminhar ao cirurgião oncológico.
Baspiração a vácuo, elétrica ou manual, com seringas plásticas.
Ccuretagem uterina após dilatação cervical com velas de Hegar.
Dhisterectomia total com ooforectomia bilateral.
Equimioterapia com carboplatina e actinomicina D.
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GabaritoB — aspiração a vácuo, elétrica ou manual, com seringas plásticas.
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Mola hidatiforme: diagnóstico e conduta
Gabarito: letra B. O quadro descrito — atraso menstrual, beta-HCG positivo, útero preenchido por material ecogênico com múltiplas vesículas anecoicas sem fluxo ao Doppler e ausência de feto, além de ovários aumentados com cistos — é clássico de mola hidatiforme (doença trofoblástica gestacional benigna). O tratamento de escolha é o esvaziamento uterino por aspiração a vácuo, elétrica ou manual, que é o método mais seguro e eficaz para remover o tecido molar, evitando a necessidade de dilatação cervical ampla e reduzindo o risco de perfuração uterina e de disseminação de células trofoblásticas.
A mola hidatiforme é uma forma de doença trofoblástica gestacional (DTG) caracterizada pela proliferação anormal do trofoblasto e degeneração hidrópica das vilosidades coriônicas, resultando no aspecto ultrassonográfico de "cacho de uvas" — múltiplas vesículas anecoicas. O diagnóstico é eminentemente clínico e ultrassonográfico, e o tratamento curativo é o esvaziamento uterino. A escolha do método é crucial: a aspiração a vácuo é preferida porque é menos traumática, mais rápida e completa, e está associada a menor risco de complicações como perfuração uterina, hemorragia e doença trofoblástica persistente. A curetagem com velas de Hegar, embora historicamente utilizada, é considerada um método de segunda linha, pois a dilatação cervical mecânica aumenta o risco de perfuração e de embolização de tecido trofoblástico para a circulação.
A conduta não se limita ao esvaziamento: após a remoção do tecido molar, é obrigatório o seguimento com dosagens seriadas de beta-HCG até a negativação, para monitorar a possível evolução para doença trofoblástica gestacional persistente (mola invasora ou coriocarcinoma). A quimioterapia, a histerectomia e a ooforectomia são reservadas para casos específicos de doença maligna ou para mulheres que não desejam preservar a fertilidade, não sendo a primeira escolha no cenário descrito.
A distinção fundamental que a banca explora é entre o tratamento da mola hidatiforme benigna (esvaziamento uterino) e o tratamento da doença trofoblástica maligna (quimioterapia, histerectomia). A presença de cistos ovarianos (teca-luteínicos) e o aumento ovariano são secundários aos altos níveis de beta-HCG e não indicam malignidade nem necessidade de ooforectomia. O CA 125 não é um marcador útil para DTG, sendo mais relevante em neoplasias epiteliais de ovário. A quimioterapia com carboplatina e actinomicina D não é o esquema padrão para DTG (que utiliza metotrexato ou actinomicina D isolados em casos de baixo risco), e a histerectomia é reservada para casos de doença invasora ou para mulheres sem desejo reprodutivo, sempre após esvaziamento ou como alternativa em situações específicas.
Guarde o critério decisivo: mola hidatiforme = esvaziamento uterino por aspiração a vácuo. É exatamente essa a fronteira que separa a alternativa correta das demais, que propõem condutas inadequadas para o caso.
Mola hidatiforme
1Diagnóstico
Beta-HCG positivo
Vesículas anecoicas (cacho de uvas)
Sem feto
Cistos teca-luteínicos
2Tratamento
Esvaziamento por aspiração a vácuo
Curetagem com velas de Hegar (2ª linha)
Histerectomia (casos malignos)
Quimioterapia (doença maligna)
3Seguimento
Beta-HCG seriado até negativação
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A dosagem de CA 125 é um marcador tumoral utilizado principalmente na investigação de neoplasias epiteliais de ovário, não tendo papel no diagnóstico ou tratamento da mola hidatiforme. O encaminhamento ao cirurgião oncológico não é a conduta inicial para uma doença trofoblástica benigna, que deve ser tratada pelo ginecologista obstetra com esvaziamento uterino.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A aspiração a vácuo, elétrica ou manual, com seringas plásticas é o método de escolha para o esvaziamento uterino na mola hidatiforme. É o procedimento mais seguro e eficaz, pois remove o tecido molar de forma completa e rápida, com menor risco de perfuração uterina, hemorragia e disseminação de células trofoblásticas, comparado à curetagem com dilatação cervical.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A curetagem uterina após dilatação cervical com velas de Hegar é um método de esvaziamento uterino, mas é considerado de segunda linha para a mola hidatiforme. A dilatação cervical mecânica aumenta o risco de perfuração uterina e de embolização de tecido trofoblástico para a circulação, sendo preferível a aspiração a vácuo, que não requer dilatação cervical ampla.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A histerectomia total com ooforectomia bilateral é um tratamento radical, reservado para casos de doença trofoblástica gestacional maligna (mola invasora ou coriocarcinoma) em mulheres que não desejam preservar a fertilidade, ou para complicações hemorrágicas graves. Não é a conduta inicial para mola hidatiforme benigna, que é curável com esvaziamento uterino. Os cistos ovarianos (teca-luteínicos) são funcionais e regridem após a remoção da mola, não indicando ooforectomia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A quimioterapia com carboplatina e actinomicina D é um tratamento para doença trofoblástica gestacional maligna (coriocarcinoma ou mola invasora), não para a mola hidatiforme benigna. Além disso, o esquema padrão para DTG de baixo risco é metotrexato ou actinomicina D em monoterapia, não a combinação com carboplatina. A quimioterapia só é indicada após o esvaziamento, se houver evidência de doença persistente ou metastática.