Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg059934
Banca
FGV
Órgão
AL-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Gestão Administrativa - Médico Ginecologista
Mulher de 32 anos, nuligesta, refere aumento do fluxo menstrual nos últimos meses, com saída de coágulos. Foi solicitada histeroscopia que identificou mioma submucoso de 2cm, com penetração para o miométrio < 50%, localizado em 1/3 médio de parede anterior da cavidade uterina.Nesse caso, a conduta é
  1. Aanálogos de GnRH.
  2. Bsistema intrauterino com liberação de Levonorgestrel.
  3. Cmiomectomia laparoscópica.
  4. Dmiomectomia histeroscópica.
  5. Eembolização das artérias uterinas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — miomectomia histeroscópica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mioma submucoso: conduta baseada na classificação FIGO

Gabarito: letra D. Mioma submucoso de 2 cm, com penetração < 50% no miométrio (tipo 1 da classificação FIGO), é elegível para ressecção histeroscópica — a miomectomia histeroscópica é o tratamento cirúrgico de escolha para miomas submucosos que causam sangramento uterino anormal, especialmente quando o componente intramural é pequeno. A conduta é a miomectomia histeroscópica.

O mioma submucoso é o tipo que mais frequentemente causa sangramento uterino anormal (SUA), como o aumento do fluxo menstrual com coágulos descrito no caso. A histeroscopia é o método diagnóstico e terapêutico ideal para esses casos, pois permite visualizar diretamente a cavidade e ressecar o mioma por via endoscópica, sem incisões abdominais. A classificação da FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia) é a mais utilizada para orientar a conduta: miomas tipo 0 são totalmente intracavitários, tipo 1 têm menos de 50% de extensão intramural, e tipo 2 têm 50% ou mais de extensão intramural. Miomas tipo 0 e 1 são os melhores candidatos à ressecção histeroscópica, pois a ressecção completa é mais segura e o risco de perfuração uterina é menor. No caso apresentado, o mioma tem penetração < 50% no miométrio, o que o classifica como tipo 1 (ou 0, se totalmente intracavitário), sendo a miomectomia histeroscópica a conduta indicada.

A escolha do tratamento para miomas uterinos depende de vários fatores: sintomas, tamanho, localização, desejo reprodutivo e idade da paciente. No caso de miomas submucosos sintomáticos, a ressecção histeroscópica é preferível à miomectomia laparoscópica ou à laparotomia, pois é menos invasiva, tem menor morbidade e permite preservar o útero, sendo especialmente indicada para mulheres que desejam engravidar. A embolização das artérias uterinas é uma alternativa para mulheres que não desejam mais engravidar, mas não é a primeira escolha para miomas submucosos, pois pode haver risco de necrose endometrial e de expulsão do mioma. Os análogos de GnRH são usados como tratamento temporário para reduzir o tamanho do mioma e o sangramento, mas não são curativos e não são indicados como tratamento definitivo isolado. O sistema intrauterino com liberação de Levonorgestrel (SIU-LNG) é eficaz para reduzir o sangramento menstrual, mas não remove o mioma e é mais indicado para miomas pequenos e intramurais, não sendo a primeira escolha para miomas submucosos que causam sintomas significativos.

A classificação FIGO é essencial para decidir a via de tratamento. Miomas tipo 0 e 1, com componente intramural < 50%, são ideais para ressecção histeroscópica, pois a ressecção completa é mais segura e o risco de perfuração uterina é menor. Miomas tipo 2, com componente intramural ≥ 50%, têm maior risco de ressecção incompleta e de perfuração, sendo mais indicada a miomectomia laparoscópica ou laparotômica. No caso, o mioma tem penetração < 50%, o que o classifica como tipo 1, sendo a miomectomia histeroscópica a conduta indicada.

A pegadinha da banca está em confundir a via de acesso: mioma submucoso com componente intramural pequeno é tratado por via histeroscópica, não laparoscópica. A miomectomia laparoscópica é indicada para miomas intramurais ou subserosos, não para miomas submucosos tipo 0 ou 1. A embolização das artérias uterinas é uma alternativa para miomas que causam sintomas, mas não é a primeira escolha para miomas submucosos, pois pode haver risco de necrose endometrial e de expulsão do mioma. Os análogos de GnRH e o SIU-LNG são tratamentos clínicos, não cirúrgicos, e não removem o mioma.

Guarde a fronteira entre mioma submucoso tipo 0/1 (tratamento histeroscópico) e tipo 2 (tratamento laparoscópico ou laparotômico): é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Os análogos de GnRH são usados como tratamento temporário para reduzir o tamanho do mioma e o sangramento, mas não são curativos e não são indicados como tratamento definitivo isolado. Eles podem ser usados no pré-operatório para facilitar a cirurgia, mas não são a conduta de escolha para um mioma submucoso sintomático que pode ser ressecado por histeroscopia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O sistema intrauterino com liberação de Levonorgestrel (SIU-LNG) é eficaz para reduzir o sangramento menstrual, mas não remove o mioma. É mais indicado para miomas pequenos e intramurais, não sendo a primeira escolha para miomas submucosos que causam sintomas significativos, como no caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A miomectomia laparoscópica é indicada para miomas intramurais ou subserosos, não para miomas submucosos tipo 0 ou 1. Para miomas submucosos com componente intramural < 50%, a via histeroscópica é a mais adequada, pois permite a ressecção completa com menor morbidade.

Alternativa D — ✅ Correta

A miomectomia histeroscópica é o tratamento de escolha para miomas submucosos tipo 0 e 1, como o do caso (2 cm, penetração < 50%). A histeroscopia permite visualizar diretamente a cavidade e ressecar o mioma por via endoscópica, sem incisões abdominais, preservando o útero e sendo especialmente indicada para mulheres que desejam engravidar.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A embolização das artérias uterinas é uma alternativa para mulheres que não desejam mais engravidar, mas não é a primeira escolha para miomas submucosos, pois pode haver risco de necrose endometrial e de expulsão do mioma. Além disso, a paciente é nuligesta e pode desejar preservar a fertilidade, o que contraindica a embolização como primeira opção.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/fg059934