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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg059945
Banca
FGV
Órgão
AL-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Gestão Administrativa - Médico Ginecologista
Mulher 60 anos relata perda de urina que toda vez que espirra ou tosse, porém sem urgência urinária. Nega nictúria. É diabética com dificuldade de controle dos níveis glicêmicos e hipertensa. O estudo urodinâmico mostrou pressão de perda urinária > 90cm H₂O.O tipo de incontinência urinária é por
  1. Atransbordamento.
  2. Bbexiga neurogênica.
  3. Cdefeito esfincteriano uretral.
  4. Dhipermobilidade do colo vesical.
  5. Ehiperatividade do detrusor.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — defeito esfincteriano uretral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Incontinência urinária de esforço: defeito esfincteriano uretral

Gabarito: letra C. A paciente apresenta perda de urina aos esforços (espirro, tosse), sem urgência urinária, e o estudo urodinâmico revelou pressão de perda urinária > 90 cmH₂O — valor que caracteriza defeito esfincteriano uretral (insuficiência esfincteriana intrínseca), e não hipermobilidade do colo vesical, que cursa com pressão de perda urinária mais baixa. A distinção entre essas duas causas de incontinência de esforço é o ponto central da questão.

A incontinência urinária de esforço (IUE) é a perda involuntária de urina que ocorre quando há aumento da pressão intra-abdominal, como ao tossir, espirrar, rir ou fazer esforço físico. O mecanismo básico é a transmissão desse aumento de pressão à bexiga, que, quando ultrapassa a resistência oferecida pela uretra, provoca a perda súbita de urina. A IUE pode ter duas causas principais: a hipermobilidade do colo vesical e o defeito esfincteriano uretral (também chamado de insuficiência esfincteriana intrínseca).

A hipermobilidade do colo vesical ocorre quando há frouxidão do assoalho pélvico, geralmente após partos vaginais, permitindo que o colo vesical e a uretra proximal se desloquem para baixo e para fora durante os esforços. Nesse caso, o esfíncter uretral em si é anatomicamente íntegro, mas perde a sustentação, e a pressão de perda urinária costuma ser mais baixa (geralmente entre 60 e 90 cmH₂O). Já o defeito esfincteriano uretral é uma lesão ou fraqueza do próprio mecanismo esfincteriano, que não consegue gerar pressão de fechamento suficiente para conter a urina, mesmo com a bexiga em posição normal. A pressão de perda urinária nesses casos é alta, tipicamente acima de 90 cmH₂O, como no caso da paciente.

O estudo urodinâmico é o exame que permite essa distinção. Ele mede as pressões abdominal, vesical e do detrusor durante o enchimento e a micção, e a pressão de perda urinária (ou pressão de vazamento) é o valor da pressão vesical no momento em que ocorre a perda de urina durante o esforço. Valores mais altos indicam que o esfíncter uretral é fraco, pois mesmo com alta pressão intravesical ele não consegue se manter fechado. Valores mais baixos sugerem que o problema é a mobilidade excessiva do colo vesical, que se desloca e abre a uretra com pressões menores.

A paciente também é diabética com dificuldade de controle glicêmico, o que pode levar à neuropatia autonômica e à atonia da bexiga, mas o quadro clínico descrito — perda de urina apenas aos esforços, sem urgência, sem nictúria — é típico de IUE, e o achado urodinâmico de pressão de perda urinária > 90 cmH₂O fecha o diagnóstico de defeito esfincteriano uretral. A diabetes, nesse contexto, é um fator de risco para incontinência, mas não muda o diagnóstico do tipo de IUE.

A pegadinha da questão está em associar a incontinência de esforço apenas à hipermobilidade do colo vesical, que é a causa mais comum, e esquecer que o defeito esfincteriano uretral também se manifesta como IUE, mas com pressão de perda urinária mais alta. O valor de > 90 cmH₂O é o dado que separa as duas causas.

Critério

Defeito Esfincteriano Uretral (gabarito)

Hipermobilidade do Colo Vesical

Mecanismo

Fraqueza/lesão do esfíncter uretral intrínseco

Frouxidão do assoalho pélvico com deslocamento do colo vesical

Pressão de perda urinária (PPU)

> 90 cmH₂O

Geralmente 60–90 cmH₂O

Quadro clínico

Perda aos esforços, sem urgência

Perda aos esforços, sem urgência

Achado urodinâmico

PPU elevada, esfíncter não se mantém fechado

PPU mais baixa, colo vesical hipermóvel

Alternativa A — ❌ Incorreta

A incontinência por transbordamento (paradoxal) resulta de retenção urinária crônica, com bexiga distendida e gotejamento constante, sem sensação de necessidade de urinar. A paciente não apresenta retenção, e a perda ocorre apenas aos esforços, não de forma contínua. O estudo urodinâmico mostraria alto volume residual, não pressão de perda urinária elevada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A bexiga neurogênica é uma disfunção vesical decorrente de lesão neurológica, que pode causar hiperatividade do detrusor ou hipoatividade, com sintomas como urgência, frequência, retenção ou incontinência. A paciente não tem sintomas de urgência nem sinais de doença neurológica, e o estudo urodinâmico não mostrou contrações involuntárias do detrusor, mas sim pressão de perda urinária elevada, indicando problema esfincteriano.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O defeito esfincteriano uretral (insuficiência esfincteriana intrínseca) é caracterizado pela fraqueza do mecanismo esfincteriano da uretra, que não consegue gerar pressão de fechamento suficiente. No estudo urodinâmico, a pressão de perda urinária > 90 cmH₂O é o achado clássico, pois mesmo com alta pressão intravesical o esfíncter não se mantém fechado. O quadro clínico de perda aos esforços, sem urgência, confirma o diagnóstico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hipermobilidade do colo vesical é a outra causa de IUE, mas cursa com pressão de perda urinária mais baixa, geralmente entre 60 e 90 cmH₂O. O valor de > 90 cmH₂O é justamente o que diferencia o defeito esfincteriano da hipermobilidade. A paciente não tem história de partos vaginais múltiplos ou outros fatores de risco para frouxidão do assoalho pélvico que sustentariam essa hipótese.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hiperatividade do detrusor é a causa da incontinência de urgência, caracterizada por contrações involuntárias do músculo detrusor durante o enchimento vesical, que levam a urgência miccional, polaciúria e noctúria. A paciente nega urgência e nictúria, e o estudo urodinâmico não evidenciou contrações involuntárias, mas sim pressão de perda urinária elevada, indicando que o problema é esfincteriano, não do detrusor.

Gabarito: letra C — o estudo urodinâmico com pressão de perda urinária > 90 cmH₂O, associado ao quadro de perda aos esforços sem urgência, é o que define o defeito esfincteriano uretral.

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