Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — FGV 2023
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
fg059955
Banca
FGV
Órgão
AL-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Gestão Administrativa - Médico Otorrinolaringologista
Com relação à patologia da orelha média, é correto afirmar que
Aa tuba patente acarreta autofonia, audição da própria respiração e plenitude auricular.
Bos paragangliomas derivam-se de tecido epidermoide, tendo a cavidade timpânica como localização mais frequente.
Ca otite média serosa é frequente em pacientes com fenda palatina, por prejuízo funcional do músculo tensor do tímpano.
Dna displasia de Mondini há fusão dos ossículos martelo e bigorna.
Eo colesteatoma adquirido secundário geralmente ocorre por retração da membrana de Schrapnell.
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GabaritoA — a tuba patente acarreta autofonia, audição da própria respiração e plenitude auricular.
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Patologia da orelha média: tuba patente e seus diagnósticos diferenciais
Gabarito: letra A. A tuba patente (ou tuba auditiva permanentemente aberta) é uma condição em que a tuba de Eustáquio não se fecha adequadamente, permitindo que a pressão da nasofaringe e os sons da própria respiração sejam transmitidos diretamente à orelha média. Isso gera exatamente os sintomas descritos: autofonia (percepção amplificada da própria voz), audição da própria respiração e plenitude auricular (sensação de ouvido cheio). As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre outras patologias da orelha média, como veremos em detalhe.
A orelha média é uma cavidade preenchida por ar, localizada entre a membrana timpânica e a orelha interna, contendo os ossículos (martelo, bigorna e estribo). Sua função principal é transmitir e amplificar as vibrações sonoras da membrana timpânica para a janela oval. A tuba auditiva (de Eustáquio) conecta a orelha média à nasofaringe, sendo responsável por equalizar a pressão entre a orelha média e o ambiente externo, além de drenar secreções. Quando essa tuba funciona de forma inadequada, podem surgir diversas patologias.
A tuba patente é o oposto da disfunção tubária obstrutiva (que causa otite média serosa). Na tuba patente, a tuba permanece aberta de forma anormal, permitindo que a pressão da nasofaringe e os sons respiratórios cheguem à orelha média. Os sintomas clássicos são autofonia (a pessoa ouve sua própria voz de forma amplificada e distorcida), audição da própria respiração e plenitude auricular. O diagnóstico é clínico, podendo ser confirmado por otoscopia (observa-se a membrana timpânica se movimentando com a respiração) e impedanciometria. O tratamento varia desde medidas conservadoras (hidratação, evitar perda de peso rápida) até procedimentos cirúrgicos em casos refratários.
É fundamental distinguir a tuba patente da otite média serosa (derrame na orelha média por disfunção tubária obstrutiva). Na otite média serosa, a tuba está obstruída, impedindo a drenagem e a equalização da pressão, resultando em acúmulo de líquido na orelha média. Os sintomas são hipoacusia (perda auditiva) e sensação de plenitude, mas NÃO há autofonia nem audição da própria respiração. Essa distinção é crucial para o diagnóstico correto e é exatamente o que a alternativa A explora.
A banca explora a confusão entre as diferentes patologias da orelha média, especialmente as que envolvem a tuba auditiva e os ossículos. O candidato que não domina as características específicas de cada condição pode facilmente se perder. Vamos analisar cada alternativa para fixar o conhecimento.
Patologias da orelha média: Tuba patente (Autofonia, Audição da própria respiração, Plenitude auricular); Otite média serosa (Tuba obstruída, Prejuízo do tensor do véu palatino); Colesteatoma (Primário: retração da pars flácida, Secundário: retração da pars tensa); Paraganglioma (Origem: células paraganglionares, Local: bulbo da jugular); Displasia de Mondini (Cóclea incompleta, Sem fusão ossicular)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão a síndrome da tuba patente. A autofonia (percepção amplificada da própria voz), a audição da própria respiração e a plenitude auricular são os sintomas cardinais dessa condição. A tuba auditiva, ao permanecer aberta, permite que a pressão da nasofaringe e os sons respiratórios sejam transmitidos diretamente à orelha média, causando esses sintomas. O diagnóstico é clínico, e a otoscopia pode revelar a membrana timpânica se movimentando com a respiração.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Os paragangliomas (também chamados de tumores glômicos) são tumores neuroendócrinos que se originam das células paraganglionares do sistema nervoso autônomo, e NÃO de tecido epidermoide. O tecido epidermoide é a origem do colesteatoma. Além disso, a localização mais frequente dos paragangliomas é o bulbo da jugular (paraganglioma jugular), e não a cavidade timpânica. A alternativa troca a origem (tecido epidermoide em vez de células paraganglionares) e a localização mais comum (cavidade timpânica em vez de bulbo jugular).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A otite média serosa é frequente em pacientes com fenda palatina, mas o prejuízo funcional é do músculo tensor do VÉU PALATINO (ou tensor do palato), e não do músculo tensor do tímpano. O tensor do véu palatino é o principal músculo responsável pela abertura da tuba auditiva durante a deglutição e o bocejo. Na fenda palatina, há uma inserção anômala desse músculo, comprometendo a abertura da tuba e levando ao acúmulo de líquido na orelha média. O tensor do tímpano, por sua vez, está relacionado à movimentação do martelo e à proteção contra sons intensos, não tendo relação com a fisiopatologia da otite média serosa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A displasia de Mondini é uma malformação congênita da orelha interna, caracterizada por um desenvolvimento incompleto da cóclea (geralmente com apenas 1,5 voltas em vez das 2,5 normais) e dilatação do vestíbulo. NÃO há fusão dos ossículos martelo e bigorna. A fusão dos ossículos (geralmente do martelo e da bigorna) é uma característica de outras malformações, como a fixação congênita do estribo ou a otosclerose. A alternativa troca a malformação da orelha interna (displasia de Mondini) por uma alteração da orelha média (fusão ossicular).
Alternativa E — ❌ Incorreta
O colesteatoma adquirido secundário (também chamado de colesteatoma adquirido) geralmente ocorre por retração da pars tensa da membrana timpânica, e não da membrana de Schrapnell (pars flácida). A retração da pars flácida (membrana de Schrapnell) é característica do colesteatoma adquirido PRIMÁRIO. O colesteatoma secundário, por sua vez, está associado a perfurações marginais da pars tensa, frequentemente decorrentes de otite média crônica. A alternativa inverte a localização da retração: primário (pars flácida) vs. secundário (pars tensa).
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter as características das patologias da orelha média. Nesta questão, ela troca a origem dos paragangliomas (tecido epidermoide em vez de células paraganglionares), o músculo envolvido na otite média serosa (tensor do tímpano em vez de tensor do véu palatino), a malformação da displasia de Mondini (fusão ossicular em vez de malformação coclear) e a localização da retração no colesteatoma (Schrapnell em vez de pars tensa). Fique atento a essas trocas sutis — com treino, você as identifica de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar as diferenças entre as patologias da orelha média, monte uma tabela comparativa com as seguintes colunas: patologia, mecanismo fisiopatológico, sintomas característicos e localização. Por exemplo: