Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — FGV 2023
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
fg059960
Banca
FGV
Órgão
AL-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Gestão Administrativa - Médico Otorrinolaringologista
Sobre a PFAPA (febre periódica, estomatite, faringite e adenite cervical), analise as afirmativas a seguir.I. É considerada a causa mais comum de febre periódica na infância.II. A amigdalectomia mostra-se efetiva no controle dos sintomas.III. Nos casos refratários devem ser usados antibióticos que tenham ação contra bactérias betalactâmicas.Está correto o que se afirma em
AI, apenas.
BIII, apenas.
CI e II, apenas.
DII e III, apenas.
EI, II e III.
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GabaritoC — I e II, apenas.
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Síndrome PFAPA: febre periódica, estomatite, faringite e adenite cervical
Gabarito: letra C — estão corretas as afirmativas I e II. A PFAPA é a causa mais comum de febre periódica na infância (item I) e a amigdalectomia é uma opção terapêutica efetiva no controle dos sintomas (item II). O item III está incorreto porque, nos casos refratários, a conduta não é antibioticoterapia, mas sim o uso de corticoide (prednisona em dose única) ou, em casos selecionados, a amigdalectomia — os antibióticos não têm papel no tratamento da PFAPA, pois a doença não é de etiologia bacteriana.
A PFAPA (do inglês Periodic Fever, Aphthous Stomatitis, Pharyngitis and Adenitis) é uma síndrome autoinflamatória que integra o grupo das febres periódicas hereditárias e não hereditárias. Ela se manifesta tipicamente em crianças entre 2 e 5 anos, com episódios febris recorrentes e regulares, acompanhados de estomatite aftosa, faringite exsudativa e adenite cervical. A febre é o sintoma cardinal, geralmente acima de 39°C, com duração de 3 a 6 dias, e os episódios se repetem a cada 3 a 8 semanas. Entre as crises, a criança fica completamente assintomática e com crescimento e desenvolvimento normais.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos critérios de Marshall: febre recorrente de início precoce (< 5 anos), sintomas constitucionais na ausência de infecção respiratória superior, exclusão de neutropenia cíclica, ausência de sintomas entre os episódios e desenvolvimento normal. A PFAPA é considerada a causa mais comum de febre periódica na infância — mais frequente até que as febres periódicas hereditárias, como a febre mediterrânea familiar (FMF) e o TRAPS (síndrome periódica associada ao receptor do fator de necrose tumoral).
O tratamento da crise aguda é feito com corticoide em dose única (prednisona 1–2 mg/kg, dose máxima de 60 mg), que costuma abortar o episódio febril em 24 horas. A colchicina pode ser usada como profilaxia em casos frequentes. A amigdalectomia é uma opção terapêutica que se mostra efetiva no controle dos sintomas, com remissão completa ou melhora significativa em grande parte dos pacientes — embora a decisão cirúrgica deva ser individualizada, considerando a frequência e a gravidade dos episódios. O que não se usa são antibióticos: a PFAPA não é causada por bactérias, e o uso de antibióticos não altera a evolução nem previne as crises. A faringite da PFAPA é estéril, e a antibioticoterapia é ineficaz — o que a diferencia de uma amigdalite bacteriana de repetição.
A pegadinha da banca está exatamente no item III: o candidato pode associar "faringite" a "infecção bacteriana" e concluir que antibióticos seriam a conduta. Mas a PFAPA é uma doença autoinflamatória, não infecciosa — e a resposta ao corticoide é tão característica que serve até como critério diagnóstico. Guarde essa distinção: febre periódica + faringite exsudativa + adenite + estomatite em criança pequena = PFAPA → corticoide, nunca antibiótico.
Item I — ✅ Correto
A PFAPA é, de fato, a causa mais comum de febre periódica na infância. Embora as febres periódicas hereditárias (FMF, TRAPS, síndrome de hiperimunoglobulinemia D) sejam mais conhecidas na literatura, a PFAPA é a mais prevalente na faixa pediátrica, sendo responsável pela maioria dos casos de febre recorrente sem causa infecciosa identificada. O item está correto.
Item II — ✅ Correto
A amigdalectomia mostra-se efetiva no controle dos sintomas da PFAPA. Estudos demonstram remissão completa ou melhora significativa na maioria das crianças submetidas ao procedimento, com redução da frequência e da intensidade dos episódios. Embora não seja a primeira linha de tratamento (o corticoide é a terapia de escolha para a crise aguda), a cirurgia é uma opção válida, especialmente em casos refratários ou com episódios muito frequentes que impactam a qualidade de vida. O item está correto.
Item III — ❌ Incorreto
O item afirma que, nos casos refratários, devem ser usados antibióticos com ação contra bactérias betalactâmicas. Isso está errado por dois motivos: (1) a PFAPA não tem etiologia bacteriana — é uma síndrome autoinflamatória, e a faringite é estéril; (2) os antibióticos não têm papel no tratamento, nem na crise aguda nem na profilaxia. A conduta nos casos refratários é a amigdalectomia ou, em algumas situações, o uso de colchicina ou cimetidina como profilaxia. O erro do item é a troca do tratamento correto (corticoide/cirurgia) por antibioticoterapia, que é ineficaz e não está indicada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre "faringite" e "infecção bacteriana". O candidato que não conhece a PFAPA tende a aceitar o item III como correto, pensando em amigdalite estreptocócica. Mas a PFAPA é autoinflamatória — a faringite é estéril, e o tratamento é corticoide (na crise) e amigdalectomia (nos refratários). Antibiótico não resolve nada aqui.
Gabarito: letra C — corretos apenas os itens I e II.