Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — FGV 2023
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
fg059969
Banca
FGV
Órgão
AL-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Gestão Administrativa - Médico Otorrinolaringologista
Sobre a fisiologia nasal, é correto afirmar que
Aapenas 10 a 20% do ar inspirado passam pelo epitélio olfatório, aumentando pelo ato de fungar, pelo turbilhonamento do ar.
Bexiste uma diminuição na produção do óxido nítrico na rinite alérgica e é quase nula na discinesia ciliar primária.
Co muco nasal divide-se em duas partes: uma superficial, que é viscosa, denominada sol, e outra, a periciliar ou gel.
Dos reflexos nasais são mediados pelo nervo facial e pelo sistema nervoso autônomo.
Eo ciclo nasal, com congestão e descongestão alternantes, resulta de mudanças do tônus parassimpático.
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GabaritoA — apenas 10 a 20% do ar inspirado passam pelo epitélio olfatório, aumentando pelo ato de fungar, pelo turbilhonamento do ar.
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Fisiologia nasal: fluxo aéreo, olfato e reflexos
Gabarito: letra A. Apenas 10 a 20% do ar inspirado passa pelo epitélio olfatório, e esse percentual aumenta com o ato de fungar e com o turbilhonamento do ar — é a descrição correta da dinâmica do fluxo aéreo nasal. As demais alternativas invertem ou distorcem conceitos da fisiologia nasal, como a produção de óxido nítrico, a composição do muco, os nervos envolvidos nos reflexos e o controle do ciclo nasal.
A fisiologia nasal é um tema clássico em otorrinolaringologia, e a banca explora exatamente os detalhes que o candidato costuma confundir. Vamos entender cada ponto para não cair nas armadilhas.
Fluxo aéreo e olfato: O ar inspirado não segue um caminho único. A maior parte do fluxo passa pelo meato médio e pela região inferior da cavidade nasal, enquanto apenas uma pequena fração — cerca de 10 a 20% — alcança a fenda olfatória, onde está o epitélio olfatório. O ato de fungar (sniffing) aumenta esse percentual porque gera um fluxo mais rápido e turbulento, que direciona o ar para cima, em direção ao teto da cavidade nasal. O turbilhonamento do ar, causado pelas conchas nasais (cornetos), também contribui para que mais partículas odoríferas entrem em contato com o epitélio olfatório. É por isso que, quando queremos sentir um cheiro mais intensamente, instintivamente funganos.
Óxido nítrico (NO): O óxido nítrico é produzido principalmente no seio maxilar e na mucosa nasal, e tem funções importantes: é um vasodilatador, um neurotransmissor e tem ação antimicrobiana. Na rinite alérgica, a produção de NO está aumentada, não diminuída — a inflamação alérgica estimula a enzima óxido nítrico sintase induzível (iNOS), elevando os níveis de NO no ar exalado. Já na discinesia ciliar primária (DCP), a produção de NO nasal é muito baixa ou quase nula, o que é um marcador diagnóstico importante dessa doença. A alternativa B inverte essa relação: diz que há diminuição na rinite alérgica (errado, há aumento) e que é quase nula na DCP (correto).
Composição do muco nasal: O muco nasal é uma camada bifásica, mas a alternativa C inverte os nomes das camadas. A camada superficial é a mais viscosa e é chamada de gel; a camada profunda, que fica em contato com os cílios, é a sol (mais fluida, periciliar). A função dessa divisão é permitir o batimento ciliar: os cílios batem na camada sol (fluida) e empurram a camada gel (viscosa) com as partículas aprisionadas, promovendo a limpeza mucociliar. A alternativa C diz exatamente o contrário: "superficial, viscosa, denominada sol" e "periciliar ou gel" — está invertida.
Reflexos nasais: Os reflexos nasais (como espirro, congestão reflexa, secreção) são mediados principalmente pelo nervo trigêmeo (V par craniano) — que é a via aferente sensitiva — e pelo sistema nervoso autônomo (simpático e parassimpático), que é a via eferente. O nervo facial (VII par) tem função motora para os músculos da mímica facial e também leva fibras parassimpáticas para as glândulas lacrimais e salivares, mas não é o principal mediador dos reflexos nasais. A alternativa D troca o trigêmeo pelo facial.
Ciclo nasal: O ciclo nasal é a alternância fisiológica de congestão e descongestão entre as duas fossas nasais, que ocorre ao longo do dia. Esse ciclo é controlado pelo sistema nervoso autônomo, mas com predominância do tônus simpático, não do parassimpático. A congestão de um lado ocorre quando há predomínio parassimpático (vasodilatação), e a descongestão do outro lado ocorre quando há predomínio simpático (vasoconstrição). A alternativa E diz que o ciclo resulta de mudanças do tônus parassimpático — está incompleta e imprecisa, pois o ciclo é resultado da alternância entre simpático e parassimpático, com o simpático tendo papel central na regulação.
A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca troca os nomes das camadas do muco (sol/gel), inverte o comportamento do óxido nítrico na rinite alérgica, troca o nervo trigêmeo pelo facial e atribui o ciclo nasal apenas ao parassimpático. A alternativa A é a única que apresenta uma afirmação fisiologicamente correta e completa.
Fisiologia nasal: Fluxo aéreo e olfato (10–20% do ar no epitélio olfatório, Fungar aumenta o percentual, Turbilhonamento (conchas) aumenta contato); Óxido nítrico (NO) (Rinite alérgica → [+] aumentado, Discinesia ciliar primária → [-] quase nulo); Muco nasal (bifásico) (Superficial → gel (viscosa), Profunda → sol (fluida, periciliar)); Reflexos nasais (Via aferente → trigêmeo (V par), Via eferente → autônomo); Ciclo nasal (Alternância simpático × parassimpático)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmação está correta: apenas 10 a 20% do ar inspirado passa pelo epitélio olfatório, e esse percentual aumenta com o ato de fungar e com o turbilhonamento do ar. O fungar gera um fluxo turbulento que direciona o ar para a região olfatória, e as conchas nasais criam turbilhonamento que aumenta o contato do ar com o epitélio olfatório. É um dado clássico da fisiologia nasal, presente em tratados de otorrinolaringologia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa inverte o comportamento do óxido nítrico. Na rinite alérgica, a produção de NO está aumentada (devido à inflamação e à ativação da iNOS), e não diminuída. Na discinesia ciliar primária, a produção é de fato quase nula, o que é um marcador diagnóstico. O erro está na primeira parte: "diminuição na produção do óxido nítrico na rinite alérgica" — o correto é aumento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa inverte os nomes das camadas do muco. A camada superficial é a gel (viscosa), e a camada profunda, periciliar, é a sol (fluida). A alternativa diz o contrário: "superficial, viscosa, denominada sol" e "periciliar ou gel". A função da camada sol é permitir o batimento ciliar, enquanto a camada gel aprisiona partículas e é transportada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os reflexos nasais são mediados pelo nervo trigêmeo (V par) — via aferente sensitiva — e pelo sistema nervoso autônomo — via eferente. O nervo facial (VII par) não é o principal mediador dos reflexos nasais; ele inerva os músculos da mímica facial e glândulas, mas não participa da via reflexa nasal de forma central. A alternativa troca o trigêmeo pelo facial.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O ciclo nasal é resultado da alternância entre o tônus simpático e parassimpático, não apenas do parassimpático. A congestão de uma fossa ocorre por predomínio parassimpático (vasodilatação), e a descongestão da outra por predomínio simpático (vasoconstrição). A alternativa atribui o ciclo exclusivamente ao parassimpático, o que é incompleto e impreciso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter conceitos na fisiologia nasal. Aqui, ela trocou as camadas do muco (sol/gel), inverteu o óxido nítrico na rinite alérgica, trocou o trigêmeo pelo facial e atribuiu o ciclo nasal só ao parassimpático. Fique atento a essas inversões — elas são o padrão clássico de pegadinha em questões de fisiologia.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental com os pares corretos: muco (superficial = gel, profunda = sol), NO (rinite alérgica = aumentado, DCP = quase nulo), reflexos nasais (trigêmeo + autônomo), ciclo nasal (simpático + parassimpático). Esses são os pontos que a banca mais explora.