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Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — FGV 2023

MedicinaOtorrinolaringologia
Código
fg059972
Banca
FGV
Órgão
AL-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Gestão Administrativa - Médico Otorrinolaringologista
Em relação à avaliação otoneurológica, é correto afirmar que
  1. Aa eletrococleografia é uma avaliação eletrofisiológica de longa latência.
  2. Bo P300 (positivo 300) é uma pesquisa dos potenciais de curta latência que avalia os processos relacionados à cognição.
  3. Cna pesquisa do PEATE (potencial evocado auditivo de tronco encefálico), é usado estímulo nas frequências de 1 a 2 kHz.
  4. Do vHIT (video-head impulse test) consegue avaliar isoladamente cada um dos seis canais semicirculares.
  5. Eo VEMP (vestibular evoked myogenic potential) cervical avalia basicamente o utrículo e o ocular o sáculo.
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GabaritoD — o vHIT (video-head impulse test) consegue avaliar isoladamente cada um dos seis canais semicirculares.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Avaliação otoneurológica: testes vestibulares e auditivos

Gabarito: letra D. O vHIT (video-head impulse test) é o único exame, entre os citados, capaz de avaliar isoladamente cada um dos seis canais semicirculares — os três canais de cada lado —, pois registra o movimento ocular compensatório (ganho do reflexo vestíbulo-ocular) em resposta a impulsos cefálicos de alta velocidade aplicados em cada plano de canal. As demais alternativas trocam as latências, as frequências de estímulo ou as estruturas avaliadas por cada teste.

A avaliação otoneurológica é o conjunto de exames que investiga a função do sistema vestibular e auditivo, sendo essencial no diagnóstico de vertigens, tonturas e perdas auditivas. Ela se divide em dois grandes grupos: os testes auditivos objetivos (que não dependem da resposta comportamental do paciente) e os testes vestibulares (que avaliam o labirinto posterior e suas vias). É fundamental conhecer o que cada exame mede, com qual estímulo e em qual latência, pois é exatamente nesses detalhes que as alternativas desta questão se separam.

Comecemos pelos potenciais evocados auditivos. A eletrococleografia (ECoG) registra os potenciais elétricos gerados na cóclea e no nervo auditivo em resposta a estímulos sonoros — é um exame de curta latência (os potenciais aparecem nos primeiros milissegundos após o estímulo), utilizado principalmente no diagnóstico da doença de Ménière e no monitoramento intraoperatório. Já o P300 é um potencial evocado cognitivo de longa latência (aparece em torno de 300 ms), que avalia processos de atenção e memória — ou seja, é um teste de função cortical superior, não de tronco encefálico. O PEATE (potencial evocado auditivo de tronco encefálico) usa estímulos do tipo click ou tone burst, sendo o click o mais comum, com espectro de frequência amplo (predominantemente 2.000 a 4.000 Hz), e não 1 a 2 kHz.

No campo vestibular, o vHIT é um teste que aplica impulsos cefálicos rápidos e imprevisíveis enquanto o paciente fixa um alvo distante. O equipamento mede o ganho do reflexo vestíbulo-ocular (RVO) — a relação entre a velocidade do olho e a da cabeça — e identifica deficiências funcionais em cada canal semicircular individualmente, o que o torna superior à prova calórica, que avalia apenas o canal horizontal. O VEMP (potencial evocado miogênico vestibular) existe em duas modalidades: o cervical (cVEMP), que avalia o sáculo e a via vestíbulo-espinhal (por meio da contração do esternocleidomastóideo), e o ocular (oVEMP), que avalia o utrículo e a via vestíbulo-ocular (por meio dos músculos extraoculares). A alternativa E inverte exatamente essa relação.

A pegadinha central desta questão é a troca de estruturas e latências entre os exames. O candidato que decora os nomes sem entender o que cada teste mede tende a confundir o VEMP cervical com o utrículo (quando é o sáculo), o P300 com curta latência (quando é longa), e a eletrococleografia com longa latência (quando é curta). O vHIT, por sua vez, é o único que se destaca por sua capacidade de avaliação seletiva e individualizada dos canais semicirculares — característica que o torna a resposta correta.

Guarde a fronteira entre latência (curta × longa), estrutura avaliada (sáculo × utrículo) e frequência de estímulo (1–2 kHz × 2–4 kHz): é exatamente nesses três eixos que as alternativas se dividem.

Exame

Latência

Estrutura avaliada

Estímulo/Frequência

Eletrococleografia (ECoG)

Curta

Cóclea e nervo auditivo

—

P300

Longa

Córtex (cognição, atenção, memória)

—

PEATE

Curta

Tronco encefálico

Click (2–4 kHz)

vHIT

—

Canais semicirculares (individualmente)

Impulsos cefálicos de alta velocidade

VEMP cervical (cVEMP)

—

Sáculo (via vestíbulo-espinhal)

—

VEMP ocular (oVEMP)

—

Utrículo (via vestíbulo-ocular)

—

Avaliação otoneurológica
  • 1Potenciais evocados auditivos
    • ECoG (curta latência)
      • cóclea e nervo auditivo
    • PEATE (curta latência)
      • tronco encefálico (click 2–4 kHz)
    • P300 (longa latência)
      • cognição (córtex)
  • 2Testes vestibulares
    • vHIT
      • avalia os 6 canais semicirculares
    • VEMP cervical
      • avalia o sáculo
    • VEMP ocular
      • avalia o utrículo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A eletrococleografia é um exame de curta latência, não de longa latência. Ela registra os potenciais elétricos da cóclea (potencial de ação composto, potencial de somação e potencial microfônico coclear) nos primeiros milissegundos após o estímulo sonoro. A confusão provavelmente vem do fato de que o P300, que é de longa latência, também é um potencial evocado — mas são exames completamente diferentes em finalidade e janela temporal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O P300 é um potencial evocado de longa latência (em torno de 300 ms), não de curta latência. Ele avalia processos cognitivos (atenção, memória de trabalho, discriminação de estímulos), sendo utilizado na avaliação de disfunções corticais superiores. A alternativa acerta ao dizer que avalia cognição, mas erra ao classificá-lo como de curta latência — os potenciais de curta latência são os do tronco encefálico (PEATE) e os da via auditiva periférica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

No PEATE, o estímulo mais utilizado é o click, que tem espectro de frequência amplo, com energia predominante entre 2.000 e 4.000 Hz — e não 1 a 2 kHz. O click é usado por sua capacidade de gerar respostas sincronizadas e bem definidas das vias auditivas do tronco encefálico. Embora existam variações com tone burst em frequências específicas, a afirmação de que o estímulo é usado nas frequências de 1 a 2 kHz não corresponde ao padrão do exame.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O vHIT (video-head impulse test) é capaz de avaliar isoladamente cada um dos seis canais semicirculares — os três canais de cada labirinto (anterior, posterior e horizontal). Isso é possível porque o teste aplica impulsos cefálicos em planos específicos que estimulam seletivamente cada canal, e o sistema de vídeo registra o ganho do reflexo vestíbulo-ocular para cada um deles. Essa é a grande vantagem do vHIT sobre a prova calórica, que avalia apenas o canal horizontal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa inverte as estruturas avaliadas pelos VEMPs. O VEMP cervical (cVEMP) avalia o sáculo (via vestíbulo-espinhal), enquanto o VEMP ocular (oVEMP) avalia o utrículo (via vestíbulo-ocular). A afirmação de que o VEMP cervical avalia o utrículo e o ocular o sáculo está exatamente ao contrário. Essa é uma pegadinha clássica, pois os nomes "cervical" e "ocular" referem-se ao local de registro (músculo esternocleidomastóideo e músculos extraoculares, respectivamente), não à estrutura do labirinto que está sendo testada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter as estruturas avaliadas pelos VEMPs e as latências dos potenciais evocados. No cVEMP, o registro é no pescoço (esternocleidomastóideo), mas a estrutura avaliada é o sáculo; no oVEMP, o registro é nos olhos, mas a estrutura avaliada é o utrículo. E lembre: ECoG e PEATE são de curta latência; P300 é de longa latência. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte um quadro mental: ECoG = cóclea (curta latência) · PEATE = tronco (click 2–4 kHz) · P300 = córtex (longa latência) · vHIT = canais semicirculares (individual) · cVEMP = sáculo · oVEMP = utrículo. Associe cada exame à estrutura que ele "enxerga" e à janela temporal em que a resposta aparece.

Gabarito: letra D — o vHIT é o único exame que avalia isoladamente cada um dos seis canais semicirculares.

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