Audição: anatomia e fisiologia da orelha
Gabarito: letra E. A impedância acústica é, de fato, a medida da resistência que a membrana timpânica oferece à passagem do som — é o conceito que fundamenta a imitanciometria, exame objetivo da avaliação audiológica. As demais alternativas distorcem conceitos de anatomia e fisiologia da audição, como veremos a seguir.
A audição é um processo complexo que envolve a captação do som pela orelha externa, sua transmissão pela orelha média e a transformação em impulso nervoso na cóclea. Cada estrutura tem função específica, e a banca explora justamente as confusões mais comuns entre elas.
Orelha externa e o efeito concha: a orelha (pavilhão auricular) atua como um coletor de som, e o chamado "efeito concha" refere-se à amplificação de frequências específicas (em torno de 2,5 a 5 kHz) devido à ressonância da concha. Esse efeito ocorre na MESMA orelha do estímulo, não na oposta. A cabeça, como obstáculo, causa o "efeito de sombra acústica" para sons de alta frequência (acima de 1,5 kHz aproximadamente), não para baixas frequências, que contornam a cabeça por difração.
Orelha média e os músculos: a orelha média contém dois músculos: o tensor do tímpano, que se insere no MARTELO (não na bigorna), e o estapédio, que se insere no ESTRIBO. O reflexo acústico (contração desses músculos em resposta a sons intensos) protege a orelha interna. O tensor do tímpano NÃO se contrai na deglutição — quem se contrai na deglutição é o músculo tensor do véu palatino, que abre a tuba auditiva.
Cóclea e a tonotopia: a membrana basilar da cóclea tem organização tonotópica: sons de ALTA frequência vibram na região BASAL (próxima à janela oval), e sons de BAIXA frequência vibram na região APICAL (cúpula). A alternativa inverte essa relação.
Impedância acústica: é a resistência que a membrana timpânica e a cadeia ossicular oferecem à passagem do som. A imitanciometria mede essa impedância, avaliando a complacência da membrana timpânica e o reflexo estapédico. É um exame objetivo, não comportamental, que auxilia no diagnóstico de otites médias, otosclerose e disfunções tubárias.
A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca troca o efeito concha (mesma orelha) pela sombra acústica (orelha oposta), inverte a inserção dos músculos da orelha média, confunde o tensor do tímpano com o tensor do véu palatino e inverte a tonotopia coclear. A única alternativa que apresenta um conceito correto é a letra E.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O efeito concha ocorre na MESMA orelha do estímulo, não na oposta. A concha do pavilhão auricular amplifica frequências em torno de 2,5 a 5 kHz por ressonância. A cabeça como obstáculo (sombra acústica) afeta sons de ALTA frequência (acima de ~1,5 kHz), não de baixa frequência, que contornam a cabeça por difração. A alternativa inverte ambos os conceitos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O tensor do tímpano se insere no MARTELO, não na bigorna. O estapédio se insere no estribo (correto). A alternativa troca o osso de inserção do tensor do tímpano.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O tensor do tímpano NÃO se contrai na deglutição. Quem se contrai na deglutição é o tensor do véu palatino, que abre a tuba auditiva. O tensor do tímpano participa do reflexo acústico, contraindo-se em resposta a sons intensos para proteger a orelha interna.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A tonotopia coclear está INVERTIDA. Sons de ALTA frequência vibram na região BASAL da membrana basilar, e sons de BAIXA frequência vibram na região APICAL (cúpula). A alternativa inverte a relação frequência-localização.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A impedância acústica é, de fato, a medida da resistência que a membrana timpânica exerce ao se movimentar pelo som. Esse é o princípio da imitanciometria, que avalia a complacência da membrana timpânica e a função da cadeia ossicular. A definição está correta e é a única alternativa que apresenta um conceito fiel à fisiologia da audição.
Gabarito: letra E