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Questão de Medicina — Nefrologia — FGV 2023

MedicinaNefrologia
Código
fg059984
Banca
FGV
Órgão
AL-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Gestão Administrativa - Médico Urologista
Paciente submetido à tomografia computadorizada com contraste é identificado um cisto renal em polo inferior do rim direito de 3cm, classificado como Bosniak IIF.A conduta indicada para o caso descrito é:
  1. Anefrectomia parcial.
  2. Breavaliação por imagem semestral.
  3. Cfazer ressonância magnética imediata.
  4. Dnefrectomia total.
  5. Ereavaliação anual com ultrassom.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — reavaliação por imagem semestral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cistos renais complexos: classificação de Bosniak e conduta

Gabarito: letra B. O cisto renal Bosniak IIF é uma lesão indeterminada, com risco de malignidade de 3 a 10%, que exige acompanhamento por imagem — daí o "F" de follow-up (acompanhar). A conduta correta é a reavaliação por imagem semestral, conforme a classificação de Bosniak e as diretrizes de manejo de cistos renais complexos.

A classificação de Bosniak é o sistema mais utilizado para estratificar o risco de malignidade de cistos renais identificados em exames de imagem, principalmente na tomografia computadorizada (TC) com contraste. Ela divide os cistos em cinco categorias (I, II, IIF, III e IV), com base em características morfológicas como espessamento de parede, presença de septos, calcificações e componentes sólidos com realce. Quanto maior a categoria, maior o risco de malignidade e mais agressiva deve ser a conduta.

A categoria IIF representa um grupo intermediário: são cistos bem marginados, porém mais complicados que os da categoria II, podendo apresentar múltiplos septos finos, espessamento liso mínimo da parede ou septos, e calcificações espessas ou nodulares. O risco de malignidade é baixo (3 a 10%), mas não desprezível, o que justifica o acompanhamento radiológico seriado em vez de tratamento cirúrgico imediato. O intervalo de acompanhamento recomendado é de 6 meses (semestral) no primeiro ano, com reavaliações subsequentes que podem ser anuais se a lesão permanecer estável.

A conduta para cada categoria de Bosniak é distinta e diretamente proporcional ao risco de malignidade. Cistos Bosniak I e II são benignos e não necessitam de acompanhamento. Cistos Bosniak III e IV têm alta probabilidade de malignidade (40-60% e 85-100%, respectivamente) e são tratados cirurgicamente, geralmente com nefrectomia parcial ou radical. A categoria IIF, por sua vez, ocupa uma posição intermediária: não é benigna o suficiente para ser ignorada, nem maligna o suficiente para justificar cirurgia imediata — daí a necessidade de vigilância por imagem.

A pegadinha desta questão está em confundir a conduta do Bosniak IIF com a de outras categorias. O candidato que associa "cisto complexo" a "cirurgia" pode marcar nefrectomia parcial (letra A) ou total (letra D), mas isso seria conduta para Bosniak III/IV. Já a reavaliação anual com ultrassom (letra E) subestima o risco da lesão, pois o acompanhamento inicial deve ser mais frequente (semestral) e preferencialmente com TC ou RM, não com ultrassom. A ressonância magnética imediata (letra C) não é necessária, pois a TC contrastada já foi realizada e caracterizou adequadamente a lesão.

Guarde a fronteira entre as categorias IIF e III/IV: é exatamente nela que as alternativas se dividem. O Bosniak IIF é acompanhado; o III e o IV são operados.

1I e II (benignos)
Sem acompanhamento
2IIF (indeterminado)
Risco 3-10%
Acompanhamento semestral
3III (risco 40-60%)
Cirurgia (nefrectomia parcial)
4IV (risco 85-100%)
Cirurgia (parcial/total)
Cistos renais (Bosniak)
LEVELsoulevel.com.br
Cistos renais (Bosniak): I e II (benignos) (Sem acompanhamento); IIF (indeterminado) (Risco 3-10%, Acompanhamento semestral); III (risco 40-60%) (Cirurgia (nefrectomia parcial)); IV (risco 85-100%) (Cirurgia (parcial/total))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A nefrectomia parcial é o tratamento cirúrgico indicado para massas renais sólidas ou cistos Bosniak III/IV, que têm alta probabilidade de malignidade (40-60% e 85-100%, respectivamente). No Bosniak IIF, o risco de malignidade é de apenas 3 a 10%, o que não justifica uma cirurgia imediata. A conduta correta é o acompanhamento por imagem, reservando a cirurgia para casos de progressão da lesão.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O cisto Bosniak IIF é uma lesão indeterminada com risco de malignidade de 3 a 10%, que exige acompanhamento radiológico seriado. A reavaliação por imagem semestral é a conduta recomendada, pois permite detectar precocemente qualquer sinal de progressão (aumento de tamanho, espessamento de septos, surgimento de componentes sólidos) que indicaria a necessidade de intervenção cirúrgica. O "F" na classificação significa follow-up (acompanhar), reforçando a necessidade de vigilância.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ressonância magnética imediata não é indicada, pois a TC contrastada já foi realizada e caracterizou adequadamente o cisto como Bosniak IIF. A RM poderia ser útil em casos de dúvida diagnóstica ou contraindicação ao contraste iodado, mas não é necessária como conduta inicial para um cisto já classificado. O acompanhamento seriado com TC ou RM é a abordagem correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A nefrectomia total é um tratamento cirúrgico radical, reservado para cistos Bosniak IV (risco de malignidade de 85-100%) ou massas renais sólidas extensas. No Bosniak IIF, o risco de malignidade é baixo (3 a 10%), e a cirurgia imediata seria um overtreatment (tratamento excessivo). A conduta correta é o acompanhamento por imagem, com reavaliação semestral.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A reavaliação anual com ultrassom subestima o risco da lesão e utiliza um método de imagem inadequado para o seguimento. O acompanhamento inicial do Bosniak IIF deve ser semestral (a cada 6 meses), e não anual. Além disso, a ultrassonografia é inferior à TC ou RM para avaliar as características morfológicas do cisto (septos, calcificações, realce), sendo preferível o uso de TC ou RM no seguimento.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as categorias de Bosniak. O candidato que associa "cisto complexo" a "cirurgia" marca nefrectomia parcial (A) ou total (D), mas isso seria conduta para Bosniak III/IV. Já a reavaliação anual (E) subestima o risco, pois o seguimento inicial do IIF é semestral. A chave é lembrar que o "F" significa follow-up: acompanhar, não operar.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar a conduta de cada categoria de Bosniak, monte uma tabela mental:

Categoria

Risco de malignidade

Conduta

I

~0%

Nenhum acompanhamento

II

~0%

Nenhum acompanhamento

IIF

3-10%

Acompanhamento semestral (TC/RM)

III

40-60%

Cirurgia (nefrectomia parcial)

IV

85-100%

Cirurgia (nefrectomia parcial/total)

Gabarito: letra B — reavaliação por imagem semestral.

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