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Questão de Medicina — Urologia — FGV 2023

MedicinaUrologia
Código
fg059993
Banca
FGV
Órgão
AL-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Gestão Administrativa - Médico Urologista
No paciente com câncer de pênis, a seguinte alteração laboratorial pode ser encontrada e está associada ao volume da doença:
  1. Ahipercalcemia.
  2. Bhiponatremia.
  3. Chiperpotassemia.
  4. Dhipopotassemia.
  5. Ehipercloremia.
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GabaritoA — hipercalcemia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de pênis: hipercalcemia como marcador de carga tumoral

Gabarito: letra A. No câncer de pênis, a hipercalcemia é a alteração laboratorial classicamente associada ao volume da doença, ocorrendo principalmente por mecanismo humoral — produção de proteína relacionada ao paratormônio (PTHrP) pelo tumor — e, em menor grau, por metástases osteolíticas. As demais alternativas (hiponatremia, hiperpotassemia, hipopotassemia e hipercloremia) não são distúrbios eletrolíticos característicos dessa neoplasia.

A hipercalcemia associada à malignidade é uma das complicações paraneoplásicas mais importantes na prática oncológica. No câncer de pênis, assim como em outros tumores de células escamosas, o mecanismo predominante é a chamada hipercalcemia humoral da malignidade (HHM), na qual as células tumorais secretam PTHrP. Essa proteína mimetiza a ação do PTH, ativando osteoclastos e promovendo reabsorção óssea, além de aumentar a reabsorção renal de cálcio. O resultado é a elevação do cálcio sérico, que se correlaciona com a carga tumoral — quanto maior o volume da doença, maior a produção de PTHrP e mais intensa a hipercalcemia.

É importante destacar que a hipercalcemia no câncer de pênis é um marcador de doença avançada e confere pior prognóstico. O reconhecimento dessa associação é fundamental para o estadiamento e para a decisão terapêutica, pois indica necessidade de tratamento sistêmico agressivo. Na prática clínica, a dosagem de cálcio sérico (corrigido para albumina) deve fazer parte da avaliação inicial de todo paciente com carcinoma peniano, especialmente naqueles com tumores volumosos ou metastáticos.

O manejo da hipercalcemia nesses pacientes envolve hidratação agressiva, uso de bisfosfonatos (como ácido zoledrônico) e, em casos refratários, calcitonina. Contudo, o tratamento definitivo depende do controle da doença de base — no caso, a ressecção cirúrgica do tumor primário e/ou a quimioterapia sistêmica. A correlação entre hipercalcemia e volume tumoral é tão relevante que, em alguns casos, a normalização do cálcio após o tratamento é utilizada como marcador de resposta terapêutica.

A pegadinha desta questão está em associar o câncer de pênis a distúrbios hidroeletrolíticos mais comuns em outros contextos oncológicos. Por exemplo, a hiponatremia é frequentemente vista na síndrome da secreção inapropriada do hormônio antidiurético (SIADH), comum em tumores de pulmão de pequenas células; a hiperpotassemia pode ocorrer na síndrome de lise tumoral, mais associada a neoplasias hematológicas; e a hipopotassemia pode aparecer em tumores secretores de ACTH. Nenhuma dessas alterações é característica do carcinoma peniano, que tem na hipercalcemia sua principal manifestação paraneoplásica laboratorial.

Guarde esta correlação: câncer de pênis (carcinoma de células escamosas) → hipercalcemia por PTHrP → associada ao volume da doença. É exatamente esse raciocínio fisiopatológico que separa a alternativa correta das demais.

Hipercalcemia paraneoplásica
  • 1Mecanismos
    • PTHrP (humoral)
      • Células escamosas
      • Mama
      • Renal
    • Osteólise
      • Mieloma
      • Metástases ósseas
    • Calcitriol
      • Linfomas
  • 2Câncer de pênis
    • PTHrP → hipercalcemia
    • Correlaciona com volume tumoral
    • Pior prognóstico
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A hipercalcemia é a alteração laboratorial classicamente associada ao câncer de pênis, correlacionando-se com o volume da doença. O mecanismo predominante é a produção tumoral de PTHrP (hipercalcemia humoral da malignidade), que ativa osteoclastos e aumenta a reabsorção renal de cálcio. Em tumores avançados, também pode haver componente osteolítico por metástases ósseas. A presença de hipercalcemia indica doença volumosa e confere pior prognóstico, sendo um marcador importante para decisão terapêutica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A hiponatremia não é uma alteração característica do câncer de pênis. Embora possa ocorrer em pacientes oncológicos por múltiplos mecanismos (SIADH, uso de opioides, insuficiência adrenal), não há associação específica com carcinoma peniano nem correlação com o volume da doença. A banca explora aqui a confusão com síndromes paraneoplásicas de outros tumores, como o câncer de pulmão de pequenas células.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hiperpotassemia não é um distúrbio associado ao câncer de pênis. Ela pode ocorrer na síndrome de lise tumoral, mais comum em neoplasias hematológicas (linfomas, leucemias) e tumores de rápida proliferação, mas não é uma manifestação paraneoplásica do carcinoma peniano. A confusão aqui é com a lise tumoral, que não é um mecanismo relevante nesse tipo de tumor.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hipopotassemia não é uma alteração característica do câncer de pênis. Embora possa ocorrer em pacientes oncológicos por perdas gastrointestinais (vômitos, diarreia) ou uso de diuréticos, não há associação específica com carcinoma peniano. A banca explora a confusão com tumores secretores de ACTH (síndrome de Cushing ectópica), que cursam com hipopotassemia, mas não é o caso do câncer de pênis.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hipercloremia não é uma alteração laboratorial associada ao câncer de pênis. Distúrbios do cloro sérico geralmente acompanham alterações do sódio e do equilíbrio ácido-base, mas não há correlação específica com carcinoma peniano nem com volume tumoral. Esta alternativa é um distrator puro, sem fundamento fisiopatológico relevante.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação genérica de distúrbios eletrolíticos com câncer, mas a chave é o mecanismo específico do carcinoma de células escamosas de pênis: produção de PTHrP → hipercalcemia humoral. Não confunda com SIADH (hiponatremia, comum no câncer de pulmão), lise tumoral (hiperpotassemia, comum em neoplasias hematológicas) ou síndrome de Cushing ectópico (hipopotassemia). A hipercalcemia é a marca registrada dos tumores de células escamosas avançados.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, ao ver "câncer de pênis" + "alteração laboratorial associada ao volume da doença", lembre-se imediatamente de hipercalcemia por PTHrP. Essa é uma associação clássica e recorrente em questões de urologia oncológica. Memorize os principais mecanismos de hipercalcemia paraneoplásica: PTHrP (células escamosas, mama, renal), osteólise (mieloma, metástases ósseas) e calcitriol (linfomas).

Gabarito: letra A

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