Questão de Medicina — Urologia — FGV 2023
- Código
- fg059998
- Banca
- FGV
- Órgão
- AL-MA
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Técnico de Gestão Administrativa - Médico Urologista
- AEspirolactona.
- BBiicalutamida.
- COpioides.
- DDutasterida.
- ETetraciclina.
GabaritoD — Dutasterida.
Gabarito: letra D. A dutasterida, um inibidor da 5α-redutase, não altera diretamente a produção de espermatozoides, pois atua bloqueando a conversão de testosterona em di-hidrotestosterona (DHT), sem afetar a espermatogênese de forma significativa. As demais alternativas (espironolactona, bicalutamida, opioides e tetraciclina) podem interferir na produção espermática por mecanismos hormonais ou tóxicos diretos, conforme a literatura médica sobre efeitos adversos de medicamentos na função reprodutiva masculina.
A espermatogênese é um processo altamente regulado pelo eixo hipotálamo-hipófise-gônada, que depende de um equilíbrio fino de hormônios como FSH, LH e testosterona. Qualquer medicamento que interfira nesse eixo — seja por ação antiandrogênica, supressão da gonadotrofina ou toxicidade direta sobre as células de Sertoli e de Leydig — pode reduzir a produção, a motilidade ou a qualidade dos espermatozoides. Por isso, a avaliação da fertilidade masculina deve incluir a revisão da farmacoterapia em uso, pois muitos fármacos comuns têm efeitos adversos sobre a função sexual e reprodutiva.
A tabela de medicamentos com efeitos adversos sobre a função sexual, citada na literatura médica, inclui uma ampla gama de agentes, como anti-hipertensivos, antidepressivos, antipsicóticos, opioides, hormônios (agonistas do GnRH, antiandrogênicos, inibidores da 5α-redutase, esteroides anabólicos) e diuréticos (incluindo a espironolactona). Esses fármacos podem causar disfunção erétil, diminuição da libido, ginecomastia e, em alguns casos, alterações na espermatogênese.
A pegadinha da questão está em distinguir os medicamentos que afetam a produção de espermatozoides daqueles que apenas interferem na função sexual ou em outros aspectos. A dutasterida, por exemplo, é um inibidor da 5α-redutase usado no tratamento da hiperplasia prostática benigna e da alopecia androgênica; seu mecanismo de ação reduz os níveis de DHT, mas não compromete diretamente a espermatogênese, embora possa causar disfunção erétil e diminuição da libido em alguns pacientes. Já a tetraciclina, um antibiótico, não é classicamente associada a alterações na produção espermática, mas pode afetar a motilidade ou a qualidade dos espermatozoides em altas doses ou uso prolongado, embora esse efeito seja menos documentado.
Para resolver a questão, é essencial conhecer o mecanismo de ação de cada fármaco e seu impacto no eixo hormonal reprodutivo. A espironolactona é um diurético poupador de potássio com ação antiandrogênica, podendo causar ginecomastia e reduzir a libido, além de interferir na espermatogênese. A bicalutamida é um antiandrogênico não esteroidal que bloqueia os receptores de andrógenos, utilizado no tratamento do câncer de próstata, e pode reduzir a produção espermática. Os opioides, como a morfina e a metadona, suprimem o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, levando à diminuição dos níveis de testosterona e, consequentemente, à redução da espermatogênese. A tetraciclina, por sua vez, não é um fármaco classicamente associado à alteração da produção de espermatozoides, mas pode ter efeitos adversos sobre a qualidade seminal.
Portanto, a alternativa que não altera a produção de espermatozoides é a dutasterida, pois seu mecanismo de ação não interfere diretamente na espermatogênese, diferentemente das demais opções.
A espironolactona é um diurético poupador de potássio com ação antiandrogênica, que pode causar ginecomastia, disfunção erétil e redução da libido. Seu efeito antiandrogênico interfere no eixo hormonal, podendo alterar a espermatogênese. Portanto, ela altera a produção de espermatozoides, não sendo a resposta correta.
A bicalutamida é um antiandrogênico não esteroidal, utilizado no tratamento do câncer de próstata, que bloqueia os receptores de andrógenos. Esse bloqueio interfere diretamente na espermatogênese, reduzindo a produção de espermatozoides. Logo, ela altera a produção espermática, não sendo a resposta correta.
Os opioides, como a morfina e a metadona, suprimem o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, levando à diminuição dos níveis de testosterona e, consequentemente, à redução da espermatogênese. Portanto, eles alteram a produção de espermatozoides, não sendo a resposta correta.
A dutasterida é um inibidor da 5α-redutase, que bloqueia a conversão de testosterona em di-hidrotestosterona (DHT). Seu mecanismo de ação não interfere diretamente na espermatogênese, embora possa causar disfunção erétil e diminuição da libido em alguns pacientes. Portanto, ela não altera a produção de espermatozoides, sendo a resposta correta.
A tetraciclina é um antibiótico que, embora não seja classicamente associado à alteração da produção de espermatozoides, pode afetar a qualidade seminal em altas doses ou uso prolongado. No entanto, a literatura médica não a lista como um fármaco que altera diretamente a espermatogênese, mas a questão considera que ela altera a produção espermática, sendo incorreta.
Para questões sobre medicamentos e fertilidade masculina, foque no mecanismo de ação: fármacos com ação antiandrogênica (espironolactona, bicalutamida), supressão do eixo hormonal (opioides) ou toxicidade direta (quimioterápicos) alteram a espermatogênese. Inibidores da 5α-redutase (dutasterida, finasterida) atuam apenas na conversão de testosterona em DHT, sem comprometer diretamente a produção espermática.
Gabarito: letra D.
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