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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FGV 2023

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fg060202
Banca
FGV
Órgão
AL-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Gestão Administrativa - Revisor (Letras)
“Muitos autores são ao mesmo tempo seus próprios leitores – à medida que escrevem -, e é por isso que tantos vestígios do leitor aparecem em seus escritos – tantas observações críticas – tanto que pertence à província do leitor e não à do autor”.O seguinte texto de Machado de Assis exemplifica o que está dito nesse pequeno texto:
  1. AO leitor não se refugia no livro senão para escapar à vida.
  2. BLer as obras dos poetas e dos escritores é hoje um dos poucos prazeres que se nos deixa o espírito.
  3. CQue me direis vós, meus livros? Queixas e consolações. Daisme escrito o que eu tenho a falar no interior.
  4. DSerá alguma vez tarde para falar de uma obra útil?
  5. EA opinião pública é um muro em branco; aceita tudo quanto lhe escrevem em cima, quer venha da mão de um garoto, quer de homem de bem.
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GabaritoC — Que me direis vós, meus livros? Queixas e consolações. Daisme escrito o que eu tenho a falar no interior.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Exemplificação da Identidade Autor-Leitor

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que retrata o autor dialogando com seus próprios livros, recebendo deles o que ele mesmo tinha a dizer — exatamente a ideia do texto-base de que o autor é seu próprio leitor e por isso os escritos trazem marcas do leitor.

Texto-base: "Muitos autores são ao mesmo tempo seus próprios leitores – à medida que escrevem –, e é por isso que tantos vestígios do leitor aparecem em seus escritos".

O enunciado pede a frase de Machado de Assis que exemplifica essa afirmação. A passagem deve mostrar o autor na posição de leitor de sua própria obra.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"A) O leitor não se refugia no livro senão para escapar à vida." – Fala exclusivamente da motivação do leitor comum, não aborda a dualidade autor-leitor. Erro: escopo trocado (fala de leitor externo, não do autor como leitor).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"B) Ler as obras dos poetas e dos escritores é hoje um dos poucos prazeres que se nos deixa o espírito." – Refere-se ao prazer da leitura em geral, sem mencionar a produção do autor. Erro: tangenciamento (trata de leitura alheia, não da leitura do próprio texto).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"C) Que me direis vós, meus livros? Queixas e consolações. Daisme escrito o que eu tenho a falar no interior." – Aqui o autor interpela seus próprios livros e eles respondem com o que ele mesmo escreveu. Isso materializa a ideia de que o escritor, ao escrever, já está lendo e criticando seu próprio texto, deixando "vestígios do leitor". A citação comprova: "Daisme escrito o que eu tenho a falar no interior" – o livro (escrito pelo autor) retorna ao autor como leitor.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"D) Será alguma vez tarde para falar de uma obra útil?" – Pergunta retórica genérica, sem relação com a leitura interna do autor. Erro: falta de vínculo com o conceito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"E) A opinião pública é um muro em branco; aceita tudo quanto lhe escrevem em cima, quer venha da mão de um garoto, quer de homem de bem." – Trata da receptividade da opinião pública, não da relação autor-leitor interno. Erro: desvio temático.

Conclusão: Apenas a alternativa C reproduz o fenômeno descrito no texto inicial, em que o autor é simultaneamente leitor e escritor, e por isso os vestígios do leitor aparecem na obra.

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