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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FGV 2023

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fg060218
Banca
FGV
Órgão
AL-MA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Técnico de Gestão Administrativa - Revisor (Letras)
Observe o seguinte desabafo do filósofo Nietzsche:“Ah, o quanto me repugna impingir a outro meus pensamentos! Como me alegro de todo estado de ânimo e secreta mudança dentro de mim, em que os pensamentos de outros prevalecem diante dos meus! De vez em quando, porém, há uma festa ainda maior, quando é permitido distribuir seus bens espirituais, à maneira do confessor que se acha sentado no canto, ávido de que um necessitado venha e fale da miséria de seus pensamentos, para que ele possa lhe encher a mão e o coração e aliviar a alma inquieta!”.Sobre a estrutura e os componentes desse texto, é correto afirmar que
  1. Ao maior bem encontrado pelo autor do texto é descobrir a supremacia de outros pensamentos sobre os seus.
  2. Ba analogia entre o escritor e o confessor mostra a superioridade deste sobre aquele.
  3. Ca “alma inquieta”, referida no final do segmento, é a do confessor, que se vê impossibilitado de ajudar o próximo.
  4. Da subjetividade do texto se materializa nas formas verbais e pronominais de primeira pessoa do singular
  5. Ea tarefa do escritor, segundo o texto, é a de distribuir seus pensamentos pelos leitores aflitos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — a subjetividade do texto se materializa nas formas verbais e pronominais de primeira pessoa do singular

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estrutura e subjetividade no desabafo de Nietzsche

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única inteiramente sustentada pelo texto: a subjetividade do desabafo se materializa nas formas verbais e pronominais de primeira pessoa do singular. O texto inteiro é construído a partir do "eu" lírico: "me repugna", "me alegro", "meus pensamentos", "dentro de mim". Essa marca linguística é o principal indicador de que o autor expressa sua visão pessoal, e não um ponto de vista impessoal.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

O texto afirma que há uma "festa ainda maior" quando o autor pode distribuir seus próprios pensamentos ("quando é permitido distribuir seus bens espirituais"). Logo, o maior bem não é a supremacia dos pensamentos alheios, mas sim o momento de compartilhar os próprios. A alternativa restringe a ideia, ignorando a comparação com a alegria superior.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A analogia entre o escritor e o confessor não estabelece superioridade de um sobre o outro; apenas compara a ação de distribuir bens espirituais. O texto não hierarquiza as figuras. A alternativa extrapola um juízo de valor ausente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

No trecho final, "aliviar a alma inquieta" refere-se ao "necessitado" que vem falar da miséria de seus pensamentos, não ao confessor. O confessor é quem alivia a alma do outro. Portanto, atribuir a "alma inquieta" ao confessor é um erro de referência pronominal (troca de referente).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A subjetividade é evidenciada pelo uso recorrente da primeira pessoa do singular: verbos ("repugna", "alegro") e pronomes ("me", "meus", "mim"). O texto é um desabafo pessoal, e essa marca linguística é o principal recurso de subjetivação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O texto diz que "de vez em quando" é permitido distribuir seus bens espirituais, o que ocorre como uma festa, não como uma tarefa constante. Além disso, os destinatários são "necessitados" (como no confessionário), não especificamente "leitores aflitos". A alternativa restringe e generaliza indevidamente.

Conclusão: A única alternativa que se sustenta integralmente com base no texto é a D.

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