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Questão de Direito Processual Penal — Presunção de inocência — FGV 2023

Direito Processual PenalPresunção de inocência
Código
fg060765
Banca
FGV
Órgão
CGE-SC
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Auditor do Estado - Direito - Tarde (Conhecimentos Específicos)
Considerando os princípios regentes do processo penal e a jurisprudência dos Tribunais Superiores, assinale a afirmativa correta.
  1. AO princípio do Juiz Natural no âmbito do processo penal, por se correlacionar com o bem jurídico liberdade, é incompatível com a ideia de competência relativa ou prorrogação de competência.
  2. BO princípio da proibição da produção de provas contra si próprio impede a aplicação de sanção administrativa ao investigado que se recusa a se submeter a procedimento que pode, em tese, incriminá-lo.
  3. CO princípio da lealdade processual é inaplicável no processo penal, por incompatibilidade com o princípio nemo tenetur se detegere.
  4. DO princípio da iniciativa das partes não impede o magistrado de reconhecer, de ofício, circunstâncias que interfiram na quantidade de pena aplicada.
  5. EO princípio da ampla defesa engloba o direito à autodefesa do acusado, o que lhe assegura capacidade postulatória no âmbito do processo penal, sem prejuízo do direito à constituição de defensor técnico.
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GabaritoD — O princípio da iniciativa das partes não impede o magistrado de reconhecer, de ofício, circunstâncias que interfiram na quantidade de pena aplicada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Princípios do Processo Penal

Gabarito: letra D. O princípio da iniciativa das partes (dispositivo) não impede que o juiz reconheça, de ofício, circunstâncias que interfiram na quantidade da pena. Isso decorre dos poderes instrutórios do magistrado na dosimetria penal, conforme jurisprudência consolidada (STF e STJ). As demais alternativas apresentam erros conceituais.

Princípios do Processo Penal
  • 1Juiz natural (art. 5º, LIII)
    • Juiz pré-constituído
    • Compatível com prorrogação
      • Conexão
      • Continência
  • 2Nemo tenetur se detegere
    • Protege contra autoincriminação
    • Não impede sanção administrativa
      • Exame de alcoolemia
      • Coleta de DNA
  • 3Lealdade processual
    • Aplica-se ao processo penal
    • Compatível com nemo tenetur
  • 4Iniciativa das partes (dispositivo)
    • Juiz pode agir de ofício
    • Dosimetria da pena
      • Agravantes
      • Atenuantes
      • Causas de aumento/diminuição
    • Vedada reformatio in pejus
  • 5Ampla defesa (art. 5º, LV)
    • Autodefesa
    • Sem capacidade postulatória
      • Exceção: habeas corpus
    • Defesa técnica obrigatória
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O princípio do juiz natural (CF, art. 5º, LIII) exige juiz pré-constituído, mas não é incompatível com competência relativa ou sua prorrogação. No processo penal, a prorrogação é admitida em conexão, continência e outras situações. A correlação com a liberdade não altera essa regra.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O direito à não autoincriminação (nemo tenetur se detegere) protege contra a produção de provas que possam incriminar o acusado, mas não impede a aplicação de sanções administrativas por recusa a submeter-se a procedimentos não testemunhais (ex.: exames de alcoolemia, coleta de DNA). O STF firmou que a recusa pode gerar consequências administrativas (STF, HC 93.050).

Alternativa C — ❌ Incorreta

O princípio da lealdade processual (boa-fé) aplica-se a todos os ramos do direito, inclusive ao processo penal. Não há incompatibilidade com o nemo tenetur se detegere; ao contrário, ambos coexistem e se harmonizam.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

No processo penal, o juiz pode, de ofício, reconhecer circunstâncias que influenciam na dosimetria da pena, como agravantes, atenuantes, causas de aumento ou diminuição, desde que não agrave a pena além do pedido (ne reformatio in pejus). Isso decorre do sistema acusatório mitigado e dos poderes instrutórios do juiz na fase de individualização da pena (arts. 59, 60 e 68 do CP e art. 385 do CPP).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A ampla defesa (CF, art. 5º, LV) abrange a autodefesa, mas o acusado não possui capacidade postulatória (ius postulandi) no processo penal, salvo para impetrar habeas corpus (art. 647 do CPP). Fora disso, a defesa técnica é obrigatória (Súmula 523 do STF). A afirmação de que a autodefesa assegura capacidade postulatória é equivocada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora confusões comuns: na alternativa B, o candidato pode achar que a não autoincriminação impede qualquer sanção; na E, que a autodefesa autoriza o réu a praticar atos processuais pessoalmente. Ambas são incorretas. Memorize: a autodefesa não substitui o defensor técnico, e a recusa a exames pode ter consequências administrativas.

Gabarito: letra D — a única afirmativa correta é a que reconhece os poderes ex officio do juiz na dosimetria da pena.

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