Questão de Economia — Economia Comportamental — FGV 2023
- Código
- fg060808
- Banca
- FGV
- Órgão
- CGE-SC
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Auditor do Estado - Economia - Tarde (Conhecimentos Específicos)
- AV, V e V.
- BV, V e F.
- CV, F e F.
- DF, F e V.
- EF, F e F.
GabaritoB — V, V e F.
Gabarito: letra B — as afirmativas são, respectivamente, V, V e F. As duas primeiras descrevem corretamente os canais pelos quais a política fiscal afeta o crescimento no longo prazo (incentivos e prêmio de risco), mas a terceira erra ao definir o multiplicador fiscal como razão entre a variação do produto e a variação endógena do déficit — o correto é variação exógena (decorrente da própria política).
A política fiscal — o conjunto de decisões do governo sobre tributos e gastos — influencia a economia por dois horizontes distintos. No curto prazo, atua principalmente sobre a demanda agregada, via multiplicador keynesiano. No longo prazo, o efeito se dá pelo lado da oferta: a estrutura tributária e a composição dos gastos alteram os incentivos a trabalhar, poupar, investir e inovar, afetando a produtividade e, portanto, a taxa de crescimento potencial. É exatamente essa distinção que a primeira afirmativa captura.
A segunda afirmativa trata do canal da dívida pública. Quando a relação dívida/PIB se eleva de forma persistente, o mercado passa a exigir prêmios de risco maiores, elevando as taxas de juros. Juros mais altos encarecem o custo do capital, desestimulando a acumulação de capital físico e humano, e podem reduzir a produtividade do trabalho — o que compromete o crescimento de longo prazo. Esse é um resultado clássico da literatura de crescimento e finanças públicas.
A terceira afirmativa, por sua vez, define o multiplicador fiscal de forma incorreta. O multiplicador fiscal mede a variação do produto em resposta a uma variação exógena da política fiscal (por exemplo, um aumento autônomo dos gastos ou um corte de impostos). A variação endógena do déficit — aquela que ocorre automaticamente com o ciclo econômico, como a queda da arrecadação em recessões — não é o que se usa para calcular o multiplicador, pois reflete a resposta da economia à política, não o impulso inicial. A banca troca exógena por endógena, uma pegadinha clássica.
A afirmativa está correta. No longo prazo, a política fiscal afeta o crescimento por meio de mudanças no nível e na composição de tributos e gastos, que alteram os incentivos ao trabalho, aos investimentos e à produtividade. Esse é o canal de oferta da política fiscal: tributos distorcivos (como impostos sobre a renda do trabalho e do capital) reduzem o incentivo a trabalhar e investir, enquanto gastos produtivos (infraestrutura, educação) aumentam a produtividade. A literatura de crescimento endógeno enfatiza exatamente esses canais.
A afirmativa está correta. Uma elevação persistente da relação dívida/PIB aumenta o prêmio de risco exigido pelos investidores, elevando as taxas de juros. Juros mais altos encarecem o custo do capital, reduzindo a acumulação de capital e, por consequência, a produtividade do trabalho (menos capital por trabalhador). Isso reduz a taxa de crescimento do PIB no longo prazo. É o chamado efeito crowding-out da dívida pública sobre o investimento privado.
A afirmativa está incorreta. O multiplicador fiscal é definido como a razão entre a variação do produto e a variação exógena do déficit fiscal (ou do gasto/tributo), não a variação endógena. A variação endógena do déficit é a que ocorre automaticamente com o ciclo econômico (estabilizadores automáticos), e não representa um impulso de política. A banca troca o termo para confundir o candidato.
A banca troca exógena por endógena na definição do multiplicador fiscal. O multiplicador mede o impacto de uma variação autônoma da política (exógena), não a variação que ocorre automaticamente com o ciclo (endógena). Fique atento a essa inversão — é uma pegadinha recorrente em questões de política fiscal.
Para memorizar: multiplicador fiscal = ΔY / ΔG exógeno. O déficit endógeno é o que varia com o PIB (estabilizadores automáticos); o exógeno é o que o governo decide. Na prova, sublinhe as palavras "endógena" e "exógena" — a banca adora trocá-las.
Gabarito: letra B — V, V e F.
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