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Questão de Farmácia — Análises Clínicas — FGV 2023

FarmáciaAnálises Clínicas
Código
fg061446
Banca
FGV
Órgão
Câmara dos Deputados
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Farmacêutico - Tarde
Sobre os distúrbios hemostáticos hereditários que levam ao aumento do risco de trombose, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.( ) O teste de resistência à proteína C ativada avalia a presença da deficiência hereditária da proteína C.( ) Um polimorfismo genético no gene do Fator V da coagulação (Arg506Gln) torna essa proteína menos suscetível à inativação, conhecido como mutação do fator V de Leiden.( ) O alelo G20210A da protrombina é uma variante que aumenta o nível plasmático da protrombina.As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente
  1. AV - F – V.
  2. BF – F – V.
  3. CF – V – V.
  4. DF – V – F.
  5. EV – V – V.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — F – V – V.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Distúrbios hemostáticos hereditários e risco de trombose

Gabarito: letra C (F – V – V). A primeira afirmativa é falsa, pois o teste de resistência à proteína C ativada (PCA) avalia a presença da mutação do fator V de Leiden, e não a deficiência hereditária de proteína C; a segunda é verdadeira, pois descreve corretamente a mutação do fator V de Leiden (Arg506Gln), que torna o fator Va menos suscetível à inativação pela PCA; a terceira é verdadeira, pois o alelo G20210A da protrombina está associado ao aumento dos níveis plasmáticos de protrombina. A base conceitual está na fisiopatologia da trombofilia hereditária, conforme discutido em hematologia clínica.

A trombofilia hereditária é um conjunto de alterações genéticas que predispõem ao tromboembolismo venoso (TEV), incluindo trombose venosa profunda e embolia pulmonar. Os principais distúrbios hereditários que aumentam o risco de trombose são: mutação do fator V de Leiden (FVL), mutação da protrombina G20210A, deficiência de proteína C, deficiência de proteína S e deficiência de antitrombina. Cada um desses distúrbios afeta o equilíbrio entre a geração de trombina e as vias anticoagulantes naturais, favorecendo a formação de trombos.

O fator V de Leiden é a causa hereditária mais comum de trombofilia. A mutação pontual no gene do fator V (substituição de arginina por glutamina na posição 506, Arg506Gln) altera o sítio de clivagem do fator Va pela proteína C ativada (PCA). Como consequência, o fator Va não é inativado adequadamente, aumentando a geração de trombina e o risco de trombose. O teste de resistência à PCA é um ensaio funcional que detecta essa resistência, sendo um marcador indireto da mutação do FVL. A genotipagem para a mutação do FVL pode substituir o teste de resistência à PCA, conforme mencionado no texto de apoio.

A mutação da protrombina G20210A é outra trombofilia hereditária comum. Essa mutação no gene da protrombina (fator II) leva a níveis plasmáticos mais altos de protrombina, aumentando o risco de TEV em cerca de duas vezes. O diagnóstico é feito por exame de DNA, pois não há ensaio funcional disponível. A tabela abaixo resume as principais trombofilias hereditárias e suas características:

Trombofilia

Mecanismo

Risco relativo de TEV

Fator V de Leiden (heterozigoto)

Resistência à PCA

7

Fator V de Leiden (homozigoto)

Resistência à PCA

20-80

Protrombina G20210A (heterozigoto)

Aumento da protrombina

2-5

Protrombina G20210A (homozigoto)

Aumento da protrombina

>5

Deficiência de proteína C

Perda da anticoagulação

7

Deficiência de proteína S

Perda da anticoagulação

8,5

Deficiência de antitrombina

Perda da anticoagulação

8

A pegadinha da questão está na primeira afirmativa: o teste de resistência à PCA é frequentemente confundido com a dosagem de proteína C. Enquanto a resistência à PCA avalia a resposta do fator V à ação da PCA (detectando a mutação do FVL), a dosagem de proteína C mede a quantidade ou atividade dessa proteína anticoagulante. São exames distintos, com finalidades diferentes.

Guarde a distinção entre os testes laboratoriais: resistência à PCA (para FVL) versus dosagem de proteína C (para deficiência de proteína C). É exatamente essa fronteira que separa as alternativas.

1Fator V de Leiden
Mutação Arg506Gln
Resistência à PCA
Teste: resistência à PCA
2Protrombina G20210A
Aumento da protrombina
Teste: genotipagem
3Deficiência de proteína C
Perda da anticoagulação
Teste: dosagem da proteína C
Trombofilia hereditária
LEVELsoulevel.com.br
Trombofilia hereditária: Fator V de Leiden (Mutação Arg506Gln, Resistência à PCA, Teste: resistência à PCA); Protrombina G20210A (Aumento da protrombina, Teste: genotipagem); Deficiência de proteína C (Perda da anticoagulação, Teste: dosagem da proteína C)

Afirmativa 1 — ❌ Falsa

A afirmativa diz que o teste de resistência à proteína C ativada avalia a presença da deficiência hereditária da proteína C. Isso está incorreto. O teste de resistência à PCA avalia a presença da mutação do fator V de Leiden, que torna o fator Va resistente à inativação pela PCA. A deficiência de proteína C é avaliada por dosagem funcional ou antigênica da proteína C, não pelo teste de resistência à PCA. O texto de apoio confirma: "A genotipagem para mutação do FVL pode substituir a resistência à PCA e também determina se o paciente é heterozigoto ou homozigoto". Portanto, a afirmativa troca o alvo do teste.

Afirmativa 2 — ✅ Verdadeira

A afirmativa descreve corretamente a mutação do fator V de Leiden: um polimorfismo genético no gene do Fator V (Arg506Gln) que torna a proteína menos suscetível à inativação pela proteína C ativada. O texto de apoio confirma: "A mutação do FVL aumenta o risco de TEV ao diminuir a suscetibilidade do fator Va à inativação mediada pela PCA". A substituição de arginina por glutamina na posição 506 altera o sítio de clivagem, impedindo a inativação adequada do fator Va.

Afirmativa 3 — ✅ Verdadeira

A afirmativa está correta: o alelo G20210A da protrombina é uma variante genética que aumenta o nível plasmático de protrombina. O texto de apoio confirma: "Essa mutação leva a níveis de protrombina mais altos do que o normal e a um aumento de duas vezes no risco de TEV". O aumento da protrombina plasmática favorece a geração de trombina e, consequentemente, o risco de trombose.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o teste de resistência à PCA e a dosagem de proteína C. O teste de resistência à PCA é um ensaio funcional que detecta a mutação do fator V de Leiden, enquanto a dosagem de proteína C avalia a quantidade ou atividade dessa proteína. São exames distintos, com finalidades diferentes. Fique atento a essa distinção na prova.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar, lembre-se: resistência à PCA = fator V de Leiden; dosagem de proteína C = deficiência de proteína C. A genotipagem para FVL pode substituir o teste de resistência à PCA, mas não substitui a dosagem de proteína C.

Gabarito: letra C (F – V – V).

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