Questão de Medicina — Legislação da Saúde. SUS. — FGV 2023
Medicina›Legislação da Saúde. SUS.
Código
fg061670
Banca
FGV
Órgão
Câmara dos Deputados
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Área: Auditoria Médica - Tarde
Conforme a RN 465/2021, a ANS determina cobertura obrigatória para tratamento com toxina botulínica para portadores de espasticidade que apresentarem comprometimento funcional, ou dor ou risco de estabelecimento de deformidades osteomusculares, desde que esteja garantida a segurança do paciente (pelos seus familiares ou cuidadores no seguimento do tratamento, monitorização dos efeitos adversos e adesão às medidas instituídas) para as seguintes condições:I. Paralisia espástica tropical.II. Miastenia gravis.III. Síndrome de Eaton-Lambert.IV. Sequelas de hemorragia subaracnoidea.V. Diplegia espástica.Estão corretas apenas as opções
AII, IV e V.
BI, II e III.
CI, III e V.
DI, IV e V.
EII, III e V.
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GabaritoD — I, IV e V.
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Cobertura obrigatória de toxina botulínica na espasticidade: RN 465/2021 da ANS
Gabarito: letra D — estão corretas apenas as opções I, IV e V. A RN 465/2021 da ANS, ao definir a cobertura obrigatória do tratamento com toxina botulínica para espasticidade, lista as condições elegíveis, e entre elas estão a paralisia espástica tropical, as sequelas de hemorragia subaracnoidea e a diplegia espástica. As condições II (miastenia gravis) e III (síndrome de Eaton-Lambert) são, na verdade, critérios de exclusão expressos no protocolo, pois são doenças da junção neuromuscular, nas quais a toxina botulínica é contraindicada.
A espasticidade é um distúrbio motor caracterizado por aumento do tônus muscular dependente da velocidade, decorrente de lesão do neurônio motor superior. Ela pode ser consequência de diversas condições neurológicas, como acidente vascular cerebral, paralisia cerebral, traumatismo craniano, lesão medular e esclerose múltipla. O tratamento com toxina botulínica tipo A (TBA) é uma das principais opções terapêuticas, pois age bloqueando a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular, reduzindo a hipertonia e os espasmos musculares.
A Resolução Normativa nº 465/2021 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabelece o rol de procedimentos e eventos em saúde que devem ser cobertos pelos planos de saúde. No que se refere à toxina botulínica, a norma determina a cobertura obrigatória para portadores de espasticidade que apresentem comprometimento funcional, dor ou risco de deformidades osteomusculares, desde que garantida a segurança do paciente. O protocolo clínico que embasa essa cobertura, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da espasticidade, define quais condições são elegíveis e quais são critérios de exclusão.
A lógica por trás dessa distinção é fundamental: a toxina botulínica atua na junção neuromuscular, e seu uso é contraindicado justamente em doenças que afetam essa estrutura, como a miastenia gravis e a síndrome de Eaton-Lambert. Nessas condições, a aplicação da toxina poderia agravar o bloqueio neuromuscular já existente, levando a complicações graves, como insuficiência respiratória. Por outro lado, condições como a paralisia espástica tropical, as sequelas de hemorragia subaracnoidea e a diplegia espástica são causas de espasticidade em que a TBA é uma opção terapêutica válida e eficaz.
Para fixar o contraste entre as condições elegíveis e os critérios de exclusão, observe a tabela abaixo:
Condição
Elegível para TBA?
Justificativa
Paralisia espástica tropical
✅ Sim
Causa de espasticidade, listada no CID-10 (G04.1)
Miastenia gravis
❌ Não
Doença da junção neuromuscular — critério de exclusão
Síndrome de Eaton-Lambert
❌ Não
Doença da junção neuromuscular — critério de exclusão
Sequelas de hemorragia subaracnoidea
✅ Sim
Causa de espasticidade, com indicação de TBA
Diplegia espástica
✅ Sim
Forma de paralisia cerebral espástica (G80.1), com indicação de TBA
A pegadinha desta questão está em reconhecer que miastenia gravis e síndrome de Eaton-Lambert não são apenas condições não listadas como elegíveis — elas são ativamente excluídas do protocolo, por serem doenças da junção neuromuscular. O candidato que conhece apenas a lista de indicações pode marcar essas opções como corretas, mas o protocolo é explícito ao excluí-las. Guarde essa distinção: condições que causam espasticidade (elegíveis) versus condições que contraindicam a toxina (exclusão). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Toxina botulínica na espasticidade (RN 465/2021)
1Elegíveis (causam espasticidade)
Paralisia espástica tropical
Sequelas de hemorragia subaracnoidea
Diplegia espástica
2Exclusão (doenças da junção neuromuscular)
Miastenia gravis
Síndrome de Eaton-Lambert
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Item I — ✅ Correto
A paralisia espástica tropical é uma condição elegível para o tratamento com toxina botulínica. Ela está listada no CID-10 como G04.1 (Paraplagia espástica tropical) e é uma das causas de espasticidade em que a TBA é indicada, conforme o protocolo clínico.
Item II — ❌ Incorreto
A miastenia gravis é um critério de exclusão para o uso de toxina botulínica. Trata-se de uma doença da junção neuromuscular, e o protocolo é explícito ao excluir pacientes com essa condição, pois a aplicação da toxina poderia agravar o bloqueio neuromuscular, levando a complicações graves.
Item III — ❌ Incorreto
A síndrome de Eaton-Lambert (também chamada de síndrome de Lambert-Eaton) é igualmente um critério de exclusão. Assim como a miastenia gravis, é uma doença da junção neuromuscular, e o protocolo exclui expressamente pacientes com essa condição do tratamento com TBA.
Item IV — ✅ Correto
As sequelas de hemorragia subaracnoidea são uma causa de espasticidade e, portanto, uma condição elegível para o tratamento com toxina botulínica. A hemorragia subaracnoidea pode levar a lesão cerebral que resulta em espasticidade, e a TBA é uma opção terapêutica válida nesses casos.
Item V — ✅ Correto
A diplegia espástica é uma forma de paralisia cerebral espástica (CID-10 G80.1) e é uma condição elegível para o tratamento com toxina botulínica. É uma das principais indicações da TBA em crianças com paralisia cerebral, visando reduzir a espasticidade e melhorar a função motora.
Conclusão: Corretos: I, IV e V → portanto a alternativa é a letra D.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre condições que causam espasticidade (elegíveis) e condições que contraindicam a toxina (exclusão). Miastenia gravis e síndrome de Eaton-Lambert são doenças da junção neuromuscular — exatamente o local de ação da toxina botulínica — e por isso são critérios de exclusão, não indicações. O candidato que não conhece o protocolo pode marcá-las como corretas, mas o protocolo é explícito ao excluí-las. Com treino, você reconhece essa troca de longe 💪