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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg061730
Banca
FGV
Órgão
Câmara dos Deputados
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Área: Cardiologia - Tarde
A terapia antiplaquetária é um componente fundamental do arsenal terapêutico das síndromes coronarianas agudas. Entretanto, cada droga apresenta particularidades importantes que devem ser consideradas no momento da escolha da droga. Em relação aos inibidores P2Y₁₂ orais, assinale a afirmativa correta.
  1. AO prasugrel é contraindicado em pacientes com bloqueio AV de 2º.
  2. BO ticagrelor e o prasugrel não são recomendados como segunda droga antiplaquetária (além da aspirina) em pacientes com fibrilação atrial candidatos à terapia antitrombótica tripla (2 antiplaquetários e 1 anticoagulante oral).
  3. CO ticagrelor não deve ser indicado em pacientes com história de acidente vascular cerebral, idade acima de 75 anos ou peso abaixo de 60kg.
  4. DO ticagrelor deve ser associado a doses de aspirina acima de 200mg por dia.
  5. EA dispnéia é um efeito adverso mais frequentemente associado ao prasugrel do que o ticagrelor.
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GabaritoB — O ticagrelor e o prasugrel não são recomendados como segunda droga antiplaquetária (além da aspirina) em pacientes com fibrilação atrial candidatos à terapia antitrombótica tripla (2 antiplaquetários e 1 anticoagulante oral).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inibidores P2Y₁₂ orais nas síndromes coronarianas agudas

Gabarito: letra B. O ticagrelor e o prasugrel não são recomendados como segunda droga antiplaquetária (além da aspirina) em pacientes com fibrilação atrial candidatos à terapia antitrombótica tripla (2 antiplaquetários e 1 anticoagulante oral). Essa é uma recomendação das diretrizes de SCA, que priorizam o clopidogrel nesse cenário específico para reduzir o risco de sangramento. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre as contraindicações e efeitos adversos dessas drogas.

Os inibidores do receptor plaquetário P2Y₁₂ são uma classe fundamental na terapia antiplaquetária das síndromes coronarianas agudas (SCA). Eles bloqueiam o receptor de ADP P2Y₁₂ na superfície das plaquetas, impedindo sua ativação e agregação. Essa classe divide-se em duas subclasses: os tienopiridínicos (clopidogrel e prasugrel), que se ligam irreversivelmente ao receptor, e as ciclotriazolopirimidinas (ticagrelor), que se ligam de forma reversível. Essa diferença na reversibilidade da ligação tem implicações práticas importantes, como o tempo de suspensão antes de procedimentos cirúrgicos: o prasugrel deve ser suspenso 7 dias antes, enquanto o ticagrelor, 5 dias.

A escolha entre os três agentes orais (clopidogrel, prasugrel e ticagrelor) depende de características individuais do paciente, do cenário clínico e do risco de sangramento. O prasugrel é um inibidor irreversível, com início de ação rápido (30 minutos a 4 horas), e demonstrou superioridade sobre o clopidogrel no estudo TRITON-TIMI 38. No entanto, apresenta contraindicações específicas: é contraindicado em pacientes com história de AVC ou AIT, idade maior que 75 anos e peso corporal menor que 60 kg. Já o ticagrelor, um inibidor reversível, tem início de ação ainda mais rápido (30 minutos a 2 horas) e, no estudo PLATO, mostrou redução de desfechos graves em comparação ao clopidogrel. Seus efeitos adversos característicos incluem dispneia (sem broncoespasmo), aumento de pausas ventriculares assintomáticas e hiperuricemia.

Um ponto crucial no manejo da SCA é a dupla antiagregação plaquetária (DAPT), que combina aspirina (AAS) com um inibidor P2Y₁₂. As diretrizes atuais recomendam que, na maioria dos casos, o segundo antiagregante seja iniciado após o conhecimento da anatomia coronariana, no momento da decisão de realizar a angioplastia. O pré-tratamento com o segundo antiagregante antes da cineangiocoronariografia não demonstrou benefício isquêmico e pode aumentar o risco de sangramento, conforme estudos como ACCOAST, SWEDEHEART e ISAR-REACT 5. No entanto, em locais sem acesso à hemodinâmica, o uso do segundo antiagregante pode ser considerado (classe IIb, nível de evidência C), desde que o paciente não tenha alto risco de sangramento.

A questão explora exatamente essas particularidades de cada droga. A alternativa correta aborda um cenário específico: pacientes com fibrilação atrial que necessitam de terapia antitrombótica tripla (dois antiplaquetários e um anticoagulante oral). Nesse contexto, as diretrizes recomendam evitar o uso de ticagrelor e prasugrel como segundo antiplaquetário, preferindo o clopidogrel, devido ao menor risco de sangramento associado a essa combinação. As demais alternativas apresentam erros sobre as contraindicações do prasugrel, a associação de ticagrelor com altas doses de aspirina e a frequência de dispneia entre as drogas.

Guarde a fronteira entre as contraindicações específicas de cada droga e os efeitos adversos característicos: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Critério

Prasugrel

Ticagrelor

Mecanismo de ligação

Irreversível (tienopiridínico)

Reversível (ciclopentil-triazolopirimidina)

Início de ação

30 min a 4 h

30 min a 2 h

Contraindicações específicas

História de AVC/AIT, idade > 75 anos, peso < 60 kg

Não possui essas contraindicações (evitar em disfunção hepática grave e uso com inibidores potentes do CYP3A4)

Efeitos adversos característicos

Sangramento (sem dispneia como efeito marcante)

Dispneia (sem broncoespasmo), pausas ventriculares, hiperuricemia

Uso em terapia tripla (FA + SCA)

Não recomendado (risco de sangramento)

Não recomendado (risco de sangramento)

Suspensão pré-operatória

7 dias

5 dias

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o prasugrel é contraindicado em pacientes com bloqueio AV de 2º grau. Isso está incorreto. O prasugrel não tem contraindicação relacionada a bloqueios atrioventriculares. Suas contraindicações específicas são: história de AVC ou AIT, idade maior que 75 anos e peso corporal menor que 60 kg. O bloqueio AV de 2º grau é uma contraindicação relativa para outras drogas, como os betabloqueadores, mas não para o prasugrel. A banca troca a contraindicação real (AVC/AIT, idade, peso) por uma contraindicação fictícia (bloqueio AV).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta. Em pacientes com fibrilação atrial candidatos à terapia antitrombótica tripla (dois antiplaquetários e um anticoagulante oral), as diretrizes de SCA recomendam evitar o uso de ticagrelor e prasugrel como segunda droga antiplaquetária, preferindo o clopidogrel. Essa recomendação visa reduzir o risco de sangramento, que é significativamente maior com os agentes mais potentes (ticagrelor e prasugrel) quando combinados com anticoagulação oral. O clopidogrel, por ser menos potente, apresenta menor risco hemorrágico nesse cenário específico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o ticagrelor não deve ser indicado em pacientes com história de AVC, idade acima de 75 anos ou peso abaixo de 60 kg. Essas contraindicações são do prasugrel, não do ticagrelor. O ticagrelor não apresenta essas restrições e pode ser utilizado nesses pacientes, desde que não haja outras contraindicações. A banca inverte as contraindicações do prasugrel para o ticagrelor, uma pegadinha clássica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o ticagrelor deve ser associado a doses de aspirina acima de 200 mg por dia. Isso está incorreto. A recomendação é que o ticagrelor seja utilizado com aspirina em dose de manutenção de 75-100 mg/dia. Doses mais altas de aspirina (>100 mg/dia) aumentam o risco de sangramento sem benefício adicional, e o estudo PLATO, que demonstrou superioridade do ticagrelor, utilizou aspirina em baixas doses. A dose de ataque de aspirina é de 150-300 mg, mas a manutenção deve ser de 100 mg/dia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a dispneia é um efeito adverso mais frequentemente associado ao prasugrel do que ao ticagrelor. Isso está incorreto. A dispneia é um efeito adverso característico do ticagrelor, não do prasugrel. O ticagrelor causa dispneia (geralmente autolimitada, sem broncoespasmo) em uma parcela significativa dos pacientes, enquanto o prasugrel não tem esse efeito como característica marcante. A banca inverte a associação do efeito adverso entre as duas drogas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter as contraindicações e os efeitos adversos entre o prasugrel e o ticagrelor. Na alternativa C, as contraindicações do prasugrel (AVC/AIT, idade > 75 anos, peso < 60 kg) são atribuídas ao ticagrelor. Na alternativa E, a dispneia, que é efeito adverso do ticagrelor, é atribuída ao prasugrel. Para não cair, memorize: prasugrel = contraindicações (AVC/AIT, idade, peso) e ticagrelor = dispneia, pausas ventriculares, hiperuricemia. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre inibidores P2Y₁₂, monte uma tabela mental comparando as três drogas: clopidogrel (pró-fármaco, metabolismo variável, início lento), prasugrel (irreversível, contraindicações específicas, início rápido) e ticagrelor (reversível, dispneia, início mais rápido). Essa tabela resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra B

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