Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg061739
Banca
FGV
Órgão
Câmara dos Deputados
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Área: Cardiologia - Tarde
Existem cerca de 40 critérios eletrocardiográficos para o diagnóstico de sobrecarga ventricular esquerda. Entre eles, o escore de pontos de Romhilt-Estes é um dos mais reconhecidos e utilizados, apresentando uma elevada especificidade (cerca de 96%).Em relação a este escore, assinale a afirmativa correta.
  1. AO padrão strain de repolarização ventricular (ST-T) em V5 e V6 vale 3 pontos, e sua pontuação é mantida mesmo durante o uso de digoxina.
  2. BO aumento da duração do QRS ≥ 0,12s em V1 ou V2 representa um critério menor e vale 1 ponto.
  3. CO desvio do eixo de despolarização ventricular além de – 30o é um critério intermediário e vale 2 pontos.
  4. DUm tempo de ativação ventricular em V5 ou V6 > 0,08s é um critério intermediário e vale 2 pontos.
  5. EAs alterações na amplitude do QRS, devido à elevada acurácia dos critérios individuais, não são consideradas no escore de pontos de Romhilt-Estes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — O desvio do eixo de despolarização ventricular além de – 30o é um critério intermediário e vale 2 pontos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Escore de Romhilt-Estes para sobrecarga ventricular esquerda

Gabarito: letra C. No escore de pontos de Romhilt-Estes, o desvio do eixo de despolarização ventricular além de –30° é um critério intermediário que vale 2 pontos — exatamente o que afirma a alternativa. As demais opções erram ao atribuir pontuações ou classificações incorretas aos critérios, como veremos a seguir.

O escore de Romhilt-Estes é um sistema de pontuação utilizado no eletrocardiograma (ECG) para o diagnóstico de sobrecarga ventricular esquerda (SVE), também chamada de hipertrofia ventricular esquerda (HVE). Ele combina diferentes alterações eletrocardiográficas — amplitude do QRS, duração do QRS, desvio do eixo, alterações de repolarização (ST-T) e sinais de sobrecarga atrial — atribuindo pontos a cada uma. O somatório define a probabilidade diagnóstica: quanto maior a pontuação, maior a chance de SVE. É um dos critérios mais específicos, com especificidade em torno de 96%, mas com sensibilidade limitada, ou seja, um escore baixo não exclui a hipertrofia.

A lógica do escore é ponderar a importância de cada achado. Critérios mais específicos, como o padrão strain de repolarização (ST-T) em derivações laterais, valem mais pontos (3 pontos), enquanto critérios menos específicos, como o aumento da duração do QRS, valem menos (1 ponto). O desvio do eixo para a esquerda além de –30° é um critério intermediário, valendo 2 pontos. É importante notar que o escore considera tanto a voltagem do QRS quanto outras alterações, e por isso é preferido em relação a critérios isolados de voltagem, como o índice de Sokolow-Lyon.

Na prática clínica, o escore de Romhilt-Estes é aplicado em pacientes com suspeita de HVE, especialmente hipertensos, para avaliar repercussões cardíacas e valor prognóstico. Um escore ≥ 5 pontos é considerado diagnóstico definitivo de SVE. A pontuação é somada a partir dos critérios presentes no ECG, e a interpretação deve ser feita com cuidado, pois alguns critérios podem ser influenciados por condições como o uso de digoxina, que altera o padrão de repolarização ventricular.

A pegadinha desta questão está na pontuação e na classificação de cada critério. A banca troca valores e pesos, testando se o candidato conhece a pontuação exata de cada item do escore. É uma questão de memorização, mas com um detalhe importante: o padrão strain de repolarização tem pontuação diferente conforme o uso de digoxina — sem digoxina vale 3 pontos, com digoxina vale 1 ponto. Essa distinção é crucial e aparece na alternativa A.

Critério no Escore de Romhilt-Estes

Pontuação

Classificação

Desvio do eixo além de –30°

2 pontos

Intermediário

Padrão strain de repolarização (ST-T) em V5/V6 sem digoxina

3 pontos

—

Padrão strain de repolarização (ST-T) em V5/V6 com digoxina

1 ponto

—

Aumento da duração do QRS ≥ 0,12s

1 ponto

—

Tempo de ativação ventricular em V5/V6 > 0,08s

1 ponto

—

Índice de Sokolow-Lyon positivo (amplitude do QRS)

3 pontos

—

Alternativa A — ❌ Incorreta

O padrão strain de repolarização ventricular (ST-T) em V5 e V6 vale 3 pontos, mas essa pontuação não é mantida durante o uso de digoxina. Na verdade, com terapia digitálica, o valor cai para 1 ponto. A alternativa erra ao afirmar que a pontuação é mantida, ignorando a influência da digoxina na repolarização ventricular. O padrão strain é uma alteração secundária da repolarização, e a digoxina pode produzir alterações semelhantes, o que reduz a especificidade do critério e, portanto, seu peso no escore.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O aumento da duração do QRS ≥ 0,12s (ou > 120 ms) em V1 ou V2 não é um critério menor que vale 1 ponto — na verdade, ele vale 1 ponto, mas a descrição está incorreta ao chamá-lo de "critério menor". No escore de Romhilt-Estes, a duração do QRS > 120 ms é um critério que vale 1 ponto, mas não é classificado como "menor" — essa terminologia não é usada no escore. Além disso, a duração do QRS é avaliada de forma geral, não especificamente em V1 ou V2. O erro está na classificação e na localização da medida.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O desvio do eixo de despolarização ventricular além de –30° é um critério intermediário e vale 2 pontos. Esta é a descrição correta do escore de Romhilt-Estes. O desvio do eixo para a esquerda além de –30° é um achado que sugere SVE, e no escore recebe 2 pontos, sendo classificado como um critério de peso intermediário. A alternativa espelha exatamente a pontuação e a classificação do critério.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O tempo de ativação ventricular em V5 ou V6 > 0,08s não é um critério intermediário que vale 2 pontos — na verdade, ele vale 1 ponto. O tempo de ativação ventricular (ou deflexão intrinsecoide) prolongado é um critério de SVE, mas no escore de Romhilt-Estes recebe apenas 1 ponto, não 2. A alternativa erra ao atribuir 2 pontos a esse critério, confundindo-o com o desvio do eixo, que realmente vale 2 pontos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

As alterações na amplitude do QRS são consideradas no escore de Romhilt-Estes. Na verdade, o escore inclui critérios de voltagem, como o índice de Sokolow-Lyon positivo, que vale 3 pontos. A alternativa erra ao afirmar que as alterações de amplitude não são consideradas, quando na verdade são um dos componentes principais do escore. O escore combina voltagem com outras alterações, e a voltagem é um dos critérios de maior peso.

Gabarito: letra C — o desvio do eixo além de –30° vale 2 pontos no escore de Romhilt-Estes.

Link permanente: /questoes/fg061739