Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg061748
Banca
FGV
Órgão
Câmara dos Deputados
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Área: Cardiologia - Tarde
Em relação às complicações mecânicas do infarto agudo do miocárdio com e sem supradesnível do segmento ST, assinale a afirmativa correta.
AA insuficiência mitral aguda por ruptura total ou parcial de músculo papilar acomete mais frequentemente o músculo póstero-medial.
BA ruptura de septo interventricular apresenta um prognóstico favorável em pacientes tratados conservadoramente sem cirurgia.
CA ruptura de parede livre do ventrículo esquerdo ocorre nas primeiras 48 horas após o infarto em 90% dos casos.
DA abertura precoce do vaso ocluído com angioplastia não influencia no risco subsequente de complicações mecânicas.
EAs complicações mecânicas são mais frequentes após os infartos sem supradesnível de ST.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — A insuficiência mitral aguda por ruptura total ou parcial de músculo papilar acomete mais frequentemente o músculo póstero-medial.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Complicações mecânicas do infarto agudo do miocárdio
Gabarito: letra A. A insuficiência mitral aguda por ruptura total ou parcial de músculo papilar acomete mais frequentemente o músculo póstero-medial, pois este é irrigado por colaterais mais escassas (apenas da artéria descendente posterior), tornando-o mais vulnerável à isquemia e à necrose. As demais alternativas apresentam erros conceituais importantes sobre prognóstico, tempo de ocorrência, influência da reperfusão e frequência nos tipos de infarto.
As complicações mecânicas do infarto agudo do miocárdio (IAM) são eventos catastróficos que ocorrem, em geral, na primeira semana após o evento, sendo responsáveis por até 15% das mortes relacionadas ao IAM. As principais são: insuficiência mitral aguda (por disfunção ou ruptura do músculo papilar), comunicação interventricular (CIV) e ruptura da parede livre do ventrículo esquerdo. O denominador comum é a necrose tecidual que fragiliza estruturas cardíacas, levando a instabilidade hemodinâmica grave, choque cardiogênico e morte súbita.
A insuficiência mitral aguda ocorre com maior frequência em infartos da parede inferior, pois o músculo papilar póstero-medial tem vascularização mais precária — recebe sangue apenas da artéria descendente posterior (geralmente ramo da coronária direita), enquanto o músculo ântero-lateral é irrigado por colaterais de duas artérias (descendente anterior e circunflexa). Essa diferença anatômica explica por que o póstero-medial é mais suscetível à ruptura. A apresentação clínica é dramática: novo sopro sistólico em ápice, edema agudo de pulmão e choque cardiogênico. O tratamento definitivo é cirúrgico (reparo ou troca valvar), com mortalidade de 25-50% mesmo com cirurgia, mas ainda melhor que o tratamento clínico isolado.
A comunicação interventricular (CIV) é mais frequente em infartos da parede anterior, consequência de obstruções de artérias descendentes anteriores que vascularizam o septo. Ocorre em 1-2% dos infartos, tipicamente 3-5 dias após o evento. O prognóstico é ruim, com mortalidade elevada, e o tratamento conservador isolado é insuficiente — a correção cirúrgica é necessária. A ruptura da parede livre do VE ocorre em 2-6% dos casos, geralmente 3-6 dias após o infarto, e não nas primeiras 48 horas. A reperfusão precoce (angioplastia) reduz significativamente o risco de complicações mecânicas, pois limita a extensão da necrose. Por fim, as complicações mecânicas são mais frequentes nos infartos com supradesnível de ST (IAMCST), que cursam com oclusão total e necrose transmural, e não nos sem supradesnível.
A banca explora a confusão entre os tempos de ocorrência das complicações e a frequência entre os tipos de infarto. O candidato que decora apenas os números isolados, sem entender a fisiopatologia, tende a errar. A chave é associar cada complicação ao seu contexto anatômico e temporal.
Complicação Mecânica
Músculo papilar mais acometido
Tempo típico de ocorrência
Prognóstico sem cirurgia
Tipo de IAM mais frequente
Insuficiência mitral aguda (ruptura de músculo papilar)
Póstero-medial (vascularização precária)
Primeira semana
Ruim (mortalidade alta)
IAM com supradesnível de ST (parede inferior)
Ruptura de septo interventricular (CIV)
— (septo, parede anterior)
3–5 dias
Ruim (mortalidade elevada)
IAM com supradesnível de ST (parede anterior)
Ruptura de parede livre do VE
—
3–6 dias
Ruim (tamponamento/morte súbita)
IAM com supradesnível de ST
Complicações mecânicas do IAM: Insuficiência mitral aguda (Ruptura do músculo papilar, Póstero-medial (mais comum), Ântero-lateral (menos comum)); Comunicação interventricular (Parede anterior, 3-5 dias após o IAM, Tratamento cirúrgico); Ruptura de parede livre do VE (3-6 dias após o IAM, Tamponamento cardíaco, Reparo cirúrgico precoce)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta. A insuficiência mitral aguda por ruptura total ou parcial do músculo papilar acomete mais frequentemente o músculo póstero-medial. Isso ocorre porque o póstero-medial tem vascularização mais precária, dependendo apenas da artéria descendente posterior, enquanto o ântero-lateral é irrigado por colaterais de duas artérias. Essa vulnerabilidade torna o póstero-medial mais suscetível à isquemia e à necrose em infartos da parede inferior.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A afirmativa está incorreta. A ruptura de septo interventricular (CIV) apresenta prognóstico ruim, não favorável, em pacientes tratados conservadoramente sem cirurgia. A CIV aguda com shunt esquerda-direita provoca substancial instabilidade hemodinâmica, e a mortalidade é alta sem correção cirúrgica. O tratamento definitivo é cirúrgico, sendo o tratamento clínico apenas uma ponte para a cirurgia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmativa está incorreta. A ruptura de parede livre do ventrículo esquerdo ocorre mais frequentemente entre 3 e 6 dias após o infarto, não nas primeiras 48 horas. A apresentação clínica é dramática, com instabilidade hemodinâmica rápida ou morte súbita por tamponamento cardíaco. O reparo cirúrgico precoce é indicado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A afirmativa está incorreta. A abertura precoce do vaso ocluído com angioplastia influencia sim no risco subsequente de complicações mecânicas. A reperfusão precoce limita a extensão da necrose, reduzindo o risco de rupturas e outras complicações mecânicas. Pacientes não reperfundidos ou reperfundidos tardiamente correm maior risco dessas complicações.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A afirmativa está incorreta. As complicações mecânicas são mais frequentes após os infartos com supradesnível de ST (IAMCST), que cursam com oclusão total e necrose transmural, e não após os infartos sem supradesnível (IAMSSST), que geralmente têm oclusão parcial ou suboclusão. A necrose transmural é o substrato para as complicações mecânicas.