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Questão de Medicina — Pneumologia — FGV 2023

MedicinaPneumologia
Código
fg061811
Banca
FGV
Órgão
Câmara dos Deputados
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Médico - Área: Medicina de Emergência - Tarde
Paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) com duas hospitalizações por exacerbação nos últimos 6 meses.O hemograma possui policitemia, leucometria normal e sem eosinofilia.Legenda:LAMA – antagonista muscarínico de longa duração;LABA - agonista beta 2 de longa duração;SAMA - antagonista muscarínico de curta duração; eSABA - agonista beta 2 de curta duração.Seu tratamento nesse momento, deve incluir, além de SABA quando necessário, o uso de
  1. ALAMA + corticoide inalatório regular.
  2. BLABA + corticoide inalatório regular.
  3. CLAMA + LABA.
  4. DLAMA + LABA + corticoide inalatório regular.
  5. ELAMA + SABA.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — LAMA + LABA.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

DPOC: tratamento farmacológico de manutenção no paciente exacerbador frequente

Gabarito: letra C. Paciente com DPOC e duas hospitalizações por exacerbação nos últimos 6 meses, sem eosinofilia e com leucometria normal, deve receber LAMA + LABA como broncodilatação dupla de manutenção, sem corticoide inalatório (ICS) — pois a ausência de eosinofilia (< 100 células/µL) contraindica o ICS, conforme o PCDT de DPOC do Ministério da Saúde. O SABA permanece como medicação de resgate.

A DPOC é uma doença obstrutiva crônica caracterizada por limitação persistente do fluxo aéreo, tipicamente associada ao tabagismo. O tratamento farmacológico de manutenção visa controlar sintomas, melhorar a tolerância ao exercício e reduzir o risco de exacerbações. A classificação atual (GOLD e PCDT brasileiro) agrupa os pacientes em grupos (A, B, E) com base na sintomatologia (mMRC/CAT) e no histórico de exacerbações. O paciente do enunciado, com duas hospitalizações por exacerbação nos últimos 6 meses, enquadra-se no Grupo E (alto risco de exacerbação), independentemente da intensidade dos sintomas.

Para o Grupo E, a recomendação inicial é a dupla broncodilatação com LAMA + LABA. A adição de corticoide inalatório (ICS) é condicionada a critérios específicos: contagem de eosinófilos ≥ 300 células/µL, ou exacerbações frequentes com eosinófilos entre 100 e 300 células/µL (considerar individualmente), ou exacerbações persistentes apesar do uso de LAMA + LABA. O enunciado informa que o paciente não tem eosinofilia (eosinófilos < 100 células/µL), o que contraindica o ICS, conforme o PCDT. Portanto, a conduta correta é LAMA + LABA, sem ICS.

O SABA é usado como medicação de resgate para alívio imediato de sintomas, conforme o PCDT. A alternativa C (LAMA + LABA) é a única que combina a broncodilatação dupla de manutenção sem ICS, alinhada à recomendação para o Grupo E sem eosinofilia.

Alternativa A — ❌ Incorreta

LAMA + corticoide inalatório regular. O erro está em incluir o ICS sem indicação: o paciente não tem eosinofilia (< 100 células/µL), o que contraindica o ICS. Além disso, a combinação LAMA + ICS não é a recomendação inicial para o Grupo E; a dupla broncodilatação LAMA + LABA é a base.

Alternativa B — ❌ Incorreta

LABA + corticoide inalatório regular. O erro está em incluir o ICS sem indicação (ausência de eosinofilia) e em não incluir o LAMA, que é parte da dupla broncodilatação recomendada para o Grupo E. A combinação LABA + ICS é mais apropriada para asma ou para DPOC com eosinofilia, não para este caso.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

LAMA + LABA. Esta é a dupla broncodilatação de manutenção recomendada para o Grupo E (alto risco de exacerbação), sem necessidade de ICS, pois o paciente não tem eosinofilia. O SABA permanece como resgate. A alternativa espelha exatamente a conduta do PCDT.

Alternativa D — ❌ Incorreta

LAMA + LABA + corticoide inalatório regular. O erro está em incluir o ICS, que é contraindicado pela ausência de eosinofilia (< 100 células/µL). A tripla terapia (LAMA + LABA + ICS) é reservada para pacientes com eosinofilia ≥ 300 células/µL ou exacerbações persistentes apesar da dupla broncodilatação, o que não é o caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

LAMA + SABA. O erro está em usar SABA como manutenção, quando ele é apenas medicação de resgate. A manutenção deve ser com broncodilatadores de longa duração (LAMA + LABA), não com SABA. Além disso, falta o LABA, que é parte da dupla broncodilatação recomendada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os critérios de indicação do ICS. Muitos candidatos assumem que todo paciente exacerbador frequente precisa de ICS, mas o PCDT condiciona o ICS à eosinofilia (≥ 300 células/µL ou 100–300 com exacerbações frequentes). A ausência de eosinofilia (< 100 células/µL) contraindica o ICS, mesmo em pacientes de alto risco. Fique atento: a eosinofilia é o gatilho para o ICS, não o histórico de exacerbações isoladamente.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de tratamento de DPOC, siga o fluxo: 1) classifique o paciente em grupo A, B ou E (sintomas + exacerbações); 2) para o Grupo E, inicie com LAMA + LABA; 3) adicione ICS apenas se eosinófilos ≥ 300 células/µL, ou 100–300 com exacerbações frequentes, ou exacerbações persistentes apesar da dupla broncodilatação. Memorize os limiares de eosinófilos: < 100 contraindica ICS; 100–300 considerar individualmente; ≥ 300 indica ICS.

Gabarito: letra C

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