Assinale a frase em que o infinitivo admite dupla concordância.
AÉ preciso dedicação para se fazer o trabalho e as tarefas do lar.
BSabemos ter avançado a Computação ou Informática.
CCreio ter o médico e a família ido clinicar em São Paulo.
DA maior parte dos livros foi doada, antes de o diretor ou diretores esvaziarem a biblioteca.
EAlgo ocorreu para terem morrido os filhos ou qualquer outra pessoa.
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GabaritoA — É preciso dedicação para se fazer o trabalho e as tarefas do lar.
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Infinitivo: dupla concordância
Gabarito: letra A. A única frase em que o infinitivo pode ser usado tanto no singular (impessoal) quanto no plural (pessoal) sem alterar a correção gramatical é a alternativa A. O fenômeno da dupla concordância ocorre tipicamente em construções com se indeterminador ou apassivador, nas quais o verbo pode concordar com o objeto (plural) ou ficar no singular. Nas demais alternativas, o infinitivo tem sujeito explícito, o que exige flexão obrigatória, ou a concordância é única.
Para resolver, é preciso lembrar:
Infinitivo impessoal (forma fixa: singular) – usado sem sujeito ou com sujeito indeterminado.
Infinitivo pessoal (flexiona em número/pessoa) – usado quando há sujeito explícito e diferente do da oração principal.
Dupla concordância: ambas as formas são aceitas, como em orações com se (indeterminador ou apassivador) seguidas de objeto composto.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"É preciso dedicação para se fazer o trabalho e as tarefas do lar."
O infinitivo fazer está precedido de se, que pode ser partícula apassivadora ou índice de indeterminação do sujeito. O objeto é composto: "o trabalho e as tarefas". Nessa construção, são possíveis:
se fazer (singular) – tratando o conjunto como uma ação única, indeterminada.
se fazerem (plural) – concordando com o sujeito paciente (o trabalho e as tarefas).
Ambas são gramaticalmente aceitas. Portanto, o infinitivo admite dupla concordância.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Sabemos ter avançado a Computação ou Informática."
O sujeito de ter é "a Computação ou Informática" – expressão no singular (disjunção com ou). O infinitivo ter deve ficar no singular; não cabe plural. Logo, não há dupla concordância.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Creio ter o médico e a família ido clinicar em São Paulo."
O sujeito de ter é "o médico e a família" – composto e plural. O infinitivo ter deveria estar no plural (terem). A frase como está é gramaticalmente incorreta (singular em vez de plural). Não se admite o singular nesse contexto; portanto, não há dupla concordância.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"A maior parte dos livros foi doada, antes de o diretor ou diretores esvaziarem a biblioteca."
O sujeito do infinitivo esvaziarem é "o diretor ou diretores", explícito. Quando o sujeito do infinitivo é diferente do da oração principal, o infinitivo deve ser flexionado (pessoal) e concordar com esse sujeito. A forma singular esvaziar seria gramaticalmente inaceitável. Logo, a única forma correta é a plural; não há dupla concordância.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Algo ocorreu para terem morrido os filhos ou qualquer outra pessoa."
Aqui o infinitivo terem está no plural, mas o sujeito da oração infinitiva é "os filhos ou qualquer outra pessoa" – expressão mista (plural + singular). A concordância com o plural é possível, mas a forma singular ter também seria correta? Vejamos: o sujeito é explícito ("os filhos ou qualquer outra pessoa") e o infinitivo deve concordar com ele. Com ou, o verbo pode concordar com o núcleo mais próximo ("qualquer outra pessoa" – singular) ou com a totalidade (plural). Ambas são aceitas. No entanto, a frase original já usa o plural terem; se quiséssemos usar o singular, seria ter. A questão é: o infinitivo admite dupla concordância? Sim, porque tanto ter quanto terem seriam aceitos? Mas cuidado: o sujeito é explícito, e a regra exige flexão. Na verdade, com sujeito explícito, o infinitivo deve flexionar-se. A possibilidade de singular ou plural depende da interpretação do sujeito, mas ambas as formas são flexionadas (singular ter é a 3ª pessoa do singular do infinitivo pessoal; plural terem é a 3ª do plural). Não se trata de infinitivo impessoal vs pessoal, e sim de duas flexões possíveis. No entanto, a banca considerou que não há dupla concordância porque o infinitivo já está flexionado (pessoal) e a escolha entre singular e plural não é livre: depende da concordância com o sujeito. A dupla concordância clássica é entre impessoal e pessoal, não entre duas formas pessoais. Portanto, a alternativa E está incorreta.
PEGA ESSA DICA!
Sempre identifique se o infinitivo tem sujeito explícito. Se tiver, a flexão é obrigatória; não há escolha entre impessoal e pessoal. A dupla concordância típica ocorre apenas quando o sujeito é indeterminado (ex.: se genérico) ou quando a oração pode ser interpretada com ou sem sujeito.
Conclusão: A única alternativa que apresenta um infinitivo passível de ser usado tanto na forma impessoal (singular) quanto na pessoal (plural) com igual correção é a letra A. As demais ou têm sujeito explícito que exige uma única concordância, ou a forma empregada é a única possível.
NÃO CAIA NESSA!
Sujeito nunca tem preposição
Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.