Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FGV 2023
Português›Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fg062259
Banca
FGV
Órgão
Câmara dos Deputados
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Consultor Legislativo - Área I - Manhã
Leia os fragmentos narrativos a seguir, retirados do romance O Cortiço.Texto I – Tanto assim que, um ano depois da aquisição da crioula, indo em hasta pública algumas braças de terra situadas ao fundo da taverna, arrematou-as logo e tratou, sem perda de tempo, de construir três casinhas de porta e janela.Texto II – Nisto, roncou no espaço a trovoada. O vento do norte zuniu mais estridente e um grande pé-d’água desabou cerrado.Sobre esse fragmento, assinale a afirmativa correta.
ANo texto I, as ações se mostram em sucessão cronológica contínua e, no texto II, essa sucessão é descontínua, pois sofre interrupção.
BNo texto I, o narrador é personagem e, no texto II, o narrador é externo, de tipo onisciente.
CNo texto I, os fatos são apresentados em forma de ações e, no texto II, são mostrados como acontecimentos.
DToda a sucessão de fatos dos textos I e II é veiculada no pretérito perfeito do indicativo.
EA sucessão temporal dos fatos no texto II é estabelecida por marcas explícitas e implícitas.
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GabaritoC — No texto I, os fatos são apresentados em forma de ações e, no texto II, são mostrados como acontecimentos.
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Distinção entre Ações e Acontecimentos em Fragmentos Narrativos
Gabarito: letra C. A alternativa C está correta ao afirmar que, no Texto I, os fatos são apresentados como ações (praticadas por um agente humano), enquanto no Texto II, são mostrados como acontecimentos (eventos naturais que ocorrem sem um agente humano).
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que no Texto I a sucessão cronológica é contínua e no Texto II é descontínua por sofrer interrupção. No Texto II, os eventos (trovoada, vento, pé-d'água) ocorrem em sequência contínua, sem interrupção explícita. A conjunção "e" e o advérbio "Nisto" indicam sucessão, não descontinuidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que no Texto I o narrador é personagem, e no Texto II é externo onisciente. Ambos os fragmentos são narrados em terceira pessoa, sem participação do narrador como personagem. O narrador é externo nos dois textos.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
No Texto I, o personagem realiza ações: "arrematou-as logo e tratou... de construir três casinhas". No Texto II, os sujeitos são fenômenos naturais: "a trovoada roncou", "o vento zuniu", "o pé-d'água desabou". A diferença entre ações (agente humano) e acontecimentos (eventos impessoais) é clara.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Alega que toda a sucessão de fatos é veiculada no pretérito perfeito do indicativo. No Texto I, há a forma nominal "indo" (gerúndio) e o substantivo "aquisição", que não são verbos no pretérito perfeito. Portanto, a afirmação é falsa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que a sucessão temporal no Texto II é estabelecida por marcas explícitas e implícitas. As marcas temporais são explícitas: "Nisto" (advérbio de tempo) e a sequência lógica dos eventos. Não há marcas implícitas; tudo é dito de forma direta.
Conclusão: A única alternativa que se sustenta com base nos fragmentos é a C, que reconhece a diferença entre ações humanas e acontecimentos naturais na narrativa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a distinção teórica entre ação (praticada por um sujeito agente) e acontecimento (evento sem agente). Muitos candidatos confundem ou não percebem essa diferença sutíl. 💡 Dica: Leia com atenção os verbos e sujeitos de cada fragmento para identificar se há um agente humano praticando a ação ou se o sujeito é inanimado/um fenômeno.