Questão de Atualidades — Política — FGV 2023
- Código
- fg062919
- Banca
- FGV
- Órgão
- Câmara dos Deputados
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Consultor Legislativo - Área XVII + XVIII - Tarde
- AI, apenas.
- BII, apenas.
- CII e III, apenas.
- DIII, apenas.
- EI, II e III.
GabaritoD — III, apenas.
Gabarito: letra D. Apenas o item III está correto. O conceito de guerra híbrida foi sistematizado por William S. Lind em 2005 e Frank Hoffman em 2007, antes da Doutrina Trump, razão pela qual o item I erra ao vincular seu surgimento à (des)globalização pós-2016. O item II incorre ao afirmar que lawfare se confunde com ativismo judicial e judicialização da política: lawfare é o uso estratégico do direito como instrumento bélico, fenômeno distinto da atuação judicial interna. Já o item III descreve corretamente a percepção ocidental de que adversários (autocracias e atores não estatais) empregam lawfare enquanto democracias liberais sofrem mais seus impactos.
O item afirma que o conceito de guerra híbrida "somente desponta com maior visibilidade" a partir da Doutrina Trump e da guerra comercial EUA-China. Isso é falso. O próprio enunciado cita o artigo de William S. Lind (2005) e o livro de Frank Hoffman (2007), muito anteriores ao governo Trump (2017). A guerra híbrida já era objeto de estudo na polemologia antes desse período, e sua origem está na evolução dos conflitos armados, não em ondas de (des)globalização econômica.
Lawfare (guerra jurídica) é de fato uma vertente da guerra híbrida, difundida por Charles Dunlap Jr., e está listada no enunciado entre as ideias englobadas pelo termo. No entanto, o item erra ao afirmar que lawfare "se confunde com o ativismo judicial e a judicialização da política". Lawfare é o uso do direito como arma para desgastar ou derrotar um adversário, especialmente em contextos de conflito híbrido, enquanto ativismo judicial e judicialização da política referem-se à atuação do Poder Judiciário na esfera política doméstica. São conceitos distintos, e o item sugere uma identificação indevida.
O item reflete a análise comum das potências ocidentais: países autoritários e atores não estatais vêm utilizando lawfare como ferramenta para desestabilizar democracias liberais, que, por sua estrutura legal e respeito ao devido processo, são mais vulneráveis a esse tipo de ataque. Não há contradição com o enunciado ou com a literatura especializada, sendo o único item correto.
Gabarito: letra D. Apenas o item III está correto.
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