Questão de Criminologia — Ideologia e Sistema Penal: Abolicionismo, Minimalismo e Garantismo. A Nova Defesa Social. Movimento de Lei e Ordem, Tolerância Zero e Estado de Polícia, Tendências Securitária, Justicialista e Belicista. Direito Penal do Inimigo. — FGV 2023
Criminologia›Ideologia e Sistema Penal: Abolicionismo, Minimalismo e Garantismo. A Nova Defesa Social. Movimento de Lei e Ordem, Tolerância Zero e Estado de Polícia, Tendências Securitária, Justicialista e Belicista. Direito Penal do Inimigo.
Código
fg063161
Banca
FGV
Órgão
DPE-RJ
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Defensor Público
“Eu juro que é melhorNão ser o normalSe eu posso pensar que Deus sou euSim, sou muito louco, não vou me curarJá não sou o único que encontrou a pazMais louco é quem me dizE não é felizEu sou feliz”Embalados pelos refrões de Arnaldo Batista e Rita Lee na música Balada do Louco, sobre criminologia e saúde mental, é correto afirmar que:
Acertas patologias são incuráveis e, portanto, até como forma de proteger o paciente e sua família de surtos psicóticos, é imprescindível a manutenção dos manicômios judiciais, onde os pacientes em sofrimento mental que cometeram delitos possam ficar internados. Uma vez institucionalizado, o inimputável precisa de um parecer favorável no exame de verificação de cessação de periculosidade e da presença de algum familiar para que possa prosseguir com o tratamento em regime ambulatorial;
Bo movimento antimanicomial busca uma sociedade sem manicômios, livre de exclusão, para que todas as pessoas com transtornos mentais tenham o direito de acesso ao tratamento de saúde mental, independentemente de terem ou não sido capturadas pelo sistema punitivo. Para aquelas que foram criminalizadas e receberam medidas de segurança, é preciso romper com o mito da periculosidade e o estigma do louco perigoso, acolhendo-as nos serviços de saúde pública e não de segurança pública para que assim possam realizar sua loucura;
Co movimento antimanicomial, assim como o movimento da criminologia crítica, não consegue evoluir para a desinternação, em especial no Estado do Rio de Janeiro, onde o nível de encarceramento e internação em manicômios só aumenta. Em ambos, há o mesmo perfil de encarcerados: majoritariamente homens negros, jovens e pobres. Nota-se ainda semelhança nos delitos praticados tanto por imputáveis como por inimputáveis: crimes patrimoniais e de tráfico de drogas;
Dpor mais louvável que seja o movimento antimanicomial, mostra-se inviável a derrubada dos muros dos manicômios, pois sempre haverá o louco perigoso que demanda cuidados intensivos, os quais só terão sucesso se realizados no meio institucional. Ademais, as pesquisas até agora realizadas indicam a reiteração delituosa dos que já foram desinstitucionalizados, o que só confirma a necessidade de manter os hospitais psiquiátricos;
Edentro do sistema penitenciário, as mulheres são as invisíveis dos invisíveis, pois representam uma minoria do efetivo carcerário. A proposta da antipsiquiatria irá favorecer esse universo de pessoas, pois ela defende romper com a lógica da internação, mudando o paradigma, isto é, deixando de olhar o problema da loucura focado na pessoa para focar seu olhar na doença. Isso é feito através do Projeto Terapêutico Singular, o qual traça um tratamento interdisciplinar hábil a obter a cura da patologia.
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GabaritoB — o movimento antimanicomial busca uma sociedade sem manicômios, livre de exclusão, para que todas as pessoas com transtornos mentais tenham o direito de acesso ao tratamento de saúde mental, independentemente de terem ou não sido capturadas pelo sistema punitivo. Para aquelas que foram criminalizadas e receberam medidas de segurança, é preciso romper com o mito da periculosidade e o estigma do louco perigoso, acolhendo-as nos serviços de saúde pública e não de segurança pública para que assim possam realizar sua loucura;
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Criminologia e Saúde Mental: Movimento Antimanicomial
Gabarito: letra B. O movimento antimanicomial defende a desinstitucionalização das pessoas com transtornos mentais, incluindo aquelas que cometeram delitos, substituindo os manicômios por serviços de saúde pública e rompendo com o mito da periculosidade. A alternativa B espelha exatamente esse ideário.
A questão testa o conhecimento sobre a Reforma Psiquiátrica e o movimento antimanicomial no Brasil, que culminou na Lei 10.216/2001 (substituição progressiva dos manicômios por serviços comunitários). Não há literalidade legal no contexto fornecido, mas os conceitos são pacíficos na criminologia crítica e na política de saúde mental.
Movimento Antimanicomial: Objetivo (Sociedade sem manicômios, Desinstitucionalização); Rompe com (Mito da periculosidade, Estigma do louco perigoso); Substitui por (Serviços de saúde pública, Tratamento em liberdade); Base legal (Lei 10.216/2001, Reforma Psiquiátrica)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma ser "imprescindível a manutenção dos manicômios judiciais" e que o tratamento depende de parecer de cessação de periculosidade e familiar. Isso contraria frontalmente o movimento antimanicomial, que luta pela extinção dos manicômios e pela substituição por serviços abertos e comunitários, sem a lógica da periculosidade como critério de internação.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Sintetiza corretamente os pilares do movimento antimanicomial: sociedade sem manicômios, acesso ao tratamento em saúde pública para todos, rompimento com o mito do "louco perigoso" e acolhimento nos serviços de saúde, não de segurança pública. É o único item que reflete a proposta da reforma psiquiátrica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Alega que o movimento antimanicomial "não consegue evoluir para a desinternação" e que o perfil dos internos é idêntico ao dos encarcerados. Embora haja desafios, o movimento logrou avanços significativos (redução de leitos, criação de CAPS etc.). A afirmação é pessimista e generalizante, além de ignorar as conquistas da luta antimanicomial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Defende a inviabilidade da desinstitucionalização, sustentando que "sempre haverá o louco perigoso" e que pesquisas indicariam reiteração delituosa. Isso nega o princípio central do movimento, que demonstra ser possível tratar em liberdade, e reforça estigmas superados pela Reforma Psiquiátrica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Menciona a antipsiquiatria e o Projeto Terapêutico Singular, mas afirma que o foco deve ser "na doença" e objetiva "a cura da patologia". O movimento antimanicomial, ao contrário, centra-se na pessoa (e não na doença) e busca a reabilitação psicossocial, não a "cura" no sentido clínico tradicional. Além disso, confunde antipsiquiatria com reforma psiquiátrica.