Questão de Economia — Teoria do Consumidor — FGV 2023
Economia›Teoria do Consumidor
Código
fg063404
Banca
FGV
Órgão
DPE-RS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista - Área de Apoio Especializado - Economia
Em relação aos resultados obtidos no desenvolvimento da teoria do consumidor, é correto afirmar que:
Ao valor da elasticidade-preço cruzada indica se um bem é de luxo ou essencial;
Ba curva de demanda compensada de Hicks é negativamente inclinada, mesmo quando estamos analisando bens de Giffen;
Ca curva de Engel relaciona a quantidade demandada entre dois bens, sendo positivamente inclinada quando os bens são normais;
Dna teoria ordinal do consumidor, a utilidade marginal de um bem tem significado, pois é invariante a transformações monotônicas positivas;
Ea área abaixo da curva de demanda individual mede exatamente a utilidade do consumidor quando sua função utilidade for Cobb-Douglas.
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GabaritoB — a curva de demanda compensada de Hicks é negativamente inclinada, mesmo quando estamos analisando bens de Giffen;
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Teoria do Consumidor
Gabarito: letra B. A curva de demanda compensada de Hicks é negativamente inclinada para qualquer bem, inclusive os de Giffen, pois considera apenas o efeito-substituição (sempre negativo), mantendo a utilidade constante. As demais alternativas trocam conceitos fundamentais.
A banca testa o conhecimento sobre conceitos-chave da microeconomia: elasticidades, tipos de demanda, curvas de Engel, utilidade ordinal e excedente do consumidor. Vamos analisar cada uma.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A elasticidade-preço cruzada mede a variação percentual na quantidade demandada de um bem dada a variação percentual no preço de outro bem. Ela indica se os bens são substitutos (valor positivo) ou complementares (valor negativo). Já a classificação de bem de luxo ou essencial é dada pela elasticidade-renda (luxo: elasticidade-renda > 1; essencial: entre 0 e 1). A alternativa troca os conceitos.
SE LIGUE NESSA!
Elasticidade-renda classifica bens em normais (luxo ou essencial) e inferiores; elasticidade-preço cruzada classifica relação entre bens.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A curva de demanda compensada (ou hicksiana) é construída mantendo-se a utilidade constante, ou seja, eliminando o efeito-renda. Assim, ela reflete apenas o efeito-substituição, que é sempre negativo (quando o preço de um bem cai, o consumidor tende a consumir mais dele, substituindo outros). Para bens de Giffen, a demanda ordinária (marshalliana) tem inclinação positiva porque o efeito-renda (negativo) supera o efeito-substituição. Mas a demanda compensada, por excluir o efeito-renda, permanece negativamente inclinada. Correto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A curva de Engel relaciona a quantidade demandada de um bem com a renda do consumidor (ceteris paribus), não entre dois bens. De fato, para bens normais ela é positivamente inclinada (aumento de renda → aumento de consumo). A descrição de “relacionar a quantidade demandada entre dois bens” é própria de curvas de indiferença ou da demanda cruzada. A banca induz ao erro ao misturar os conceitos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Na teoria ordinal, as preferências são representadas por uma função utilidade que é invariante a transformações monotônicas crescentes quanto à ordem das cestas. Porém, a utilidade marginal (derivada da função utilidade) não é invariante; seu valor numérico muda com a transformação. O que é invariante é a taxa marginal de substituição (TMS), pois ela depende da razão das utilidades marginais, que se cancela. Portanto, a utilidade marginal isoladamente não tem significado cardinal na abordagem ordinal. A alternativa afirma o contrário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A área abaixo da curva de demanda (marshalliana) mede o excedente do consumidor (diferença entre a disposição máxima a pagar e o preço efetivo). Não mede a utilidade total. Além disso, o excedente do consumidor só é uma medida exata da variação de utilidade para funções utilidade quase lineares (utilidade marginal da renda constante). Para funções Cobb-Douglas, o excedente do consumidor não é uma medida exata da utilidade; há diferença entre as medidas de variação compensatória e equivalente. A afirmação está incorreta.