Questão de Odontologia — Oclusão — FGV 2023
- Código
- fg063955
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Cirurgião Bucomaxilofacial
- AV – V – F.
- BF – V – F.
- CV – F – F.
- DF – F – V.
- EV – F – V.
GabaritoE — V – F – V.
Gabarito: letra E (V – F – V). A primeira afirmativa é verdadeira, pois o tratamento da osteomielite dos maxilares combina abordagens clínicas (antibioticoterapia) e cirúrgicas (drenagem, sequestrectomia, curetagem). A segunda é falsa, pois não há evidência científica consolidada de que a oxigenoterapia hiperbárica reduza o tempo de internação em 30% — trata-se de um dado numérico sem respaldo na literatura. A terceira é verdadeira, porque, ao contrário dos demais ossos do corpo, onde o Staphylococcus aureus é o agente predominante, na osteomielite dos maxilares há uma participação relevante de bactérias anaeróbias e da microbiota oral, não sendo os estafilococos o único ou principal agente.
A osteomielite é uma infecção do tecido ósseo que pode atingir a medula, o córtex e o periósteo. Nos maxilares, ela apresenta particularidades importantes em relação aos demais ossos do esqueleto. A primeira delas é a vascularização: a mandíbula e a maxila possuem um rico suprimento sanguíneo, o que, em tese, conferiria maior resistência à infecção. No entanto, a mandíbula, em especial, tem áreas de irrigação mais precária, como a região de ângulo e corpo, o que a torna mais suscetível à osteomielite, principalmente quando há comprometimento do periósteo.
A segunda particularidade é a microbiota envolvida. Enquanto nos ossos longos o Staphylococcus aureus é o agente etiológico mais comum, na osteomielite dos maxilares a infecção é frequentemente polimicrobiana, com participação de bactérias anaeróbias e da microbiota oral. Isso ocorre porque a cavidade oral é um ambiente rico em microrganismos, e a infecção óssea geralmente se origina de focos dentários, como periodontites apicais, ou de traumas que expõem o osso à contaminação salivar. Essa diferença etiológica é um dos pontos que a banca explora para distinguir a osteomielite dos maxilares daquela que acomete outros ossos.
O tratamento da osteomielite dos maxilares é, de fato, uma combinação de procedimentos clínicos e cirúrgicos. A abordagem clínica envolve o uso de antibióticos, geralmente de amplo espectro, para controlar a infecção. A abordagem cirúrgica inclui a drenagem de abscessos, a remoção de sequestros ósseos (sequestrectomia) e a curetagem do tecido necrótico. Em casos mais graves, pode ser necessária a ressecção óssea e a reconstrução. Essa combinação é essencial porque a antibioticoterapia isolada não é eficaz quando há necrose óssea, pois o antibiótico não penetra adequadamente no tecido necrótico avascular.
A oxigenoterapia hiperbárica é um adjuvante que pode ser utilizado em alguns casos de osteomielite, especialmente na forma crônica ou refratária. Ela aumenta a pressão parcial de oxigênio nos tecidos, o que pode melhorar a resposta imunológica e a ação dos antibióticos. No entanto, a afirmativa de que ela reduz o tempo de internação em 30% é um dado específico e não consolidado na literatura. Não há um consenso científico que sustente essa estatística, e a banca utiliza esse número para testar se o candidato conhece a evidência real. A oxigenoterapia hiperbárica é um recurso adjuvante, não um tratamento padrão com benefício quantificado dessa forma.
A pegadinha central desta questão está na segunda afirmativa: o candidato pode ser tentado a marcar como verdadeira a afirmação sobre a oxigenoterapia hiperbárica, por ser um tema atual e relevante. No entanto, o dado numérico de 30% é um distrator, pois não há respaldo científico para essa estatística específica. A banca explora a tendência do candidato de aceitar informações aparentemente plausíveis sem verificar a fonte. Além disso, a terceira afirmativa exige conhecimento específico sobre a etiologia da osteomielite nos maxilares, que difere dos demais ossos, e o candidato pode confundir essa particularidade com a regra geral.
Guarde a fronteira entre a etiologia da osteomielite nos maxilares e nos demais ossos: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A primeira afirmativa é um conhecimento geral e correto; a segunda é um dado numérico sem respaldo; e a terceira é uma particularidade anatômica e microbiológica que diferencia os maxilares.
A afirmativa está correta. O tratamento da osteomielite dos maxilares é, de fato, uma combinação de procedimentos clínicos e cirúrgicos. A abordagem clínica envolve antibioticoterapia, geralmente com antibióticos de amplo espectro, para controlar a infecção. A abordagem cirúrgica inclui drenagem de abscessos, sequestrectomia (remoção de sequestros ósseos) e curetagem do tecido necrótico. Essa combinação é necessária porque a antibioticoterapia isolada não é eficaz quando há necrose óssea, pois o antibiótico não penetra adequadamente no tecido necrótico avascular. A cirurgia remove o tecido necrótico e permite a penetração do antibiótico no tecido saudável.
A afirmativa está incorreta. A oxigenoterapia hiperbárica é um adjuvante que pode ser utilizado em alguns casos de osteomielite, especialmente na forma crônica ou refratária. Ela aumenta a pressão parcial de oxigênio nos tecidos, o que pode melhorar a resposta imunológica e a ação dos antibióticos. No entanto, a afirmativa de que ela reduz o tempo de internação em 30% é um dado específico e não consolidado na literatura. Não há um consenso científico que sustente essa estatística, e a banca utiliza esse número para testar se o candidato conhece a evidência real. A oxigenoterapia hiperbárica é um recurso adjuvante, não um tratamento padrão com benefício quantificado dessa forma.
A afirmativa está correta. Na osteomielite dos maxilares, a infecção é frequentemente polimicrobiana, com participação de bactérias anaeróbias e da microbiota oral, ao contrário dos demais ossos do corpo, onde o Staphylococcus aureus é o agente predominante. Isso ocorre porque a cavidade oral é um ambiente rico em microrganismos, e a infecção óssea geralmente se origina de focos dentários, como periodontites apicais, ou de traumas que expõem o osso à contaminação salivar. Essa diferença etiológica é uma particularidade importante da osteomielite dos maxilares.
Conclusão: Corretas: 1ª e 3ª afirmativas → portanto a alternativa é a letra E.
Gabarito: letra E
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