Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FGV 2023
- Código
- fg064202
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Anestesiologia
- Alorazepam.
- Balprazolam.
- Cmidazolam.
- Ddiazepam.
- Eclonazepam.
GabaritoC — midazolam.
Gabarito: letra C. O benzodiazepínico que reúne hidrossolubilidade, ausência de metabólitos cumulativos e maior capacidade de amnésia retrógrada, sendo o mais usado na manutenção da anestesia geral em cirurgias cardíacas, é o midazolam. Essa escolha se baseia nas propriedades farmacocinéticas e farmacodinâmicas do fármaco, que o tornam ideal para uso intravenoso contínuo em procedimentos de longa duração.
O midazolam é um benzodiazepínico de ação curta, com início de ação rápido (2-5 minutos) e meia-vida de eliminação de 3 a 11 horas. Sua principal vantagem em relação aos demais é a hidrossolubilidade, que permite sua formulação em solução aquosa estável para uso intravenoso, sem a necessidade de solventes que causam irritação venosa. Além disso, o midazolam é metabolizado em compostos inativos ou com atividade mínima, o que evita o acúmulo de metabólitos tóxicos, especialmente importante em pacientes com disfunção renal ou hepática, comuns em cirurgias cardíacas. A capacidade de produzir amnésia retrógrada (esquecimento de eventos ocorridos antes da administração) é outra característica valorizada, pois contribui para o conforto do paciente e a redução do estresse cirúrgico.
Em contraste, o diazepam, embora também seja hidrossolúvel em sua formulação parenteral, possui meia-vida longa (20-50 horas) e metabólitos ativos (como o nordazepam) que se acumulam, prolongando a sedação e dificultando o despertar. O lorazepam, por sua vez, tem metabolização hepática sem metabólitos ativos, mas sua apresentação parenteral é menos estável e seu início de ação é mais lento. O alprazolam e o clonazepam são utilizados principalmente por via oral para transtornos de ansiedade e epilepsia, não sendo formulados para uso intravenoso contínuo em anestesia.
A escolha do midazolam na anestesia cardíaca também se deve à sua sinergia com opioides, permitindo reduzir as doses de ambos e minimizar os efeitos adversos, como depressão respiratória e instabilidade hemodinâmica. Sua capacidade de causar hipotensão é menor quando comparada a outros agentes, o que é crucial em pacientes com função cardíaca comprometida. Além disso, o midazolam é o benzodiazepínico de escolha para sedação consciente e indução anestésica, devido à sua rápida recuperação e perfil de segurança.
A pegadinha desta questão está em associar as propriedades descritas a um fármaco de uso oral comum, como o alprazolam ou o clonazepam, que não são utilizados na prática anestésica intravenosa. O candidato deve lembrar que, no contexto da anestesia geral, o benzodiazepínico padrão é o midazolam, devido à sua farmacocinética favorável e à sua capacidade de produzir amnésia, sendo o único da classe com essas características combinadas.
O lorazepam é um benzodiazepínico de ação intermediária, com meia-vida de 10-14 horas e sem metabólitos ativos. Embora seja útil em situações específicas, como no tratamento de crises convulsivas e na sedação de pacientes críticos, não é o fármaco de escolha para manutenção da anestesia geral em cirurgias cardíacas. Sua apresentação parenteral é menos estável e seu início de ação é mais lento que o do midazolam, o que o torna menos adequado para infusão contínua.
O alprazolam é um benzodiazepínico de ação intermediária, utilizado principalmente por via oral no tratamento de transtornos de ansiedade e pânico. Não possui formulação parenteral aprovada para uso intravenoso, sendo, portanto, inadequado para a manutenção da anestesia geral. Sua meia-vida de 12-15 horas e a presença de metabólitos ativos também o tornam menos previsível para o contexto anestésico.
O midazolam é o benzodiazepínico de escolha para a manutenção da anestesia geral, especialmente em cirurgias cardíacas, devido à sua hidrossolubilidade, ausência de metabólitos cumulativos e maior capacidade de amnésia retrógrada. Seu início de ação rápido (2-5 minutos) e meia-vida curta (3-11 horas) permitem titulação precisa e recuperação previsível, características essenciais em procedimentos de longa duração. Além disso, sua sinergia com opioides e menor risco de hipotensão o tornam seguro em pacientes com instabilidade hemodinâmica.
O diazepam, embora seja hidrossolúvel em sua formulação parenteral, possui meia-vida longa (20-50 horas) e metabólitos ativos (nordazepam) que se acumulam, prolongando a sedação e dificultando o despertar. Seu uso contínuo não é recomendado, pois pode levar a acúmulo e efeitos residuais, o que é indesejável na anestesia cardíaca, onde se busca recuperação rápida e previsível.
O clonazepam é um benzodiazepínico de ação longa, com meia-vida de 18-50 horas, utilizado principalmente por via oral no tratamento de epilepsia e transtornos de pânico. Não possui formulação parenteral para uso intravenoso contínuo e sua longa duração de ação o torna inadequado para a manutenção da anestesia geral, onde se deseja um efeito de curta duração e fácil reversão.
Gabarito: letra C
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