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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FGV 2023

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
fg064203
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Anestesiologia
Mulher, 78 anos, com politraumatismo e traumatismo crânio encefálico (TCE) devido a um atropelamento, é encaminhada à emergência.Diante desta situação crítica, assinale a opção que apresenta os fatores que pioram o desfecho do traumatismo crânio encefálico dessa paciente politraumatizada.
  1. AHipotermia, hipertensão arterial e hipernatremia.
  2. BLesões na carótida, alcalose e hipertensão arterial.
  3. CHipertermia, hipotensão intracraniana e hipernatremia.
  4. DHiponatremia, hipertensão arterial e hipotensão intracraniana.
  5. EHipotensão arterial, anemia e hiponatremia.
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GabaritoE — Hipotensão arterial, anemia e hiponatremia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fatores que pioram o desfecho do traumatismo cranioencefálico (TCE)

Gabarito: letra E. No paciente politraumatizado com TCE, os fatores que mais agravam o prognóstico são a hipotensão arterial, a anemia e a hiponatremia — todos capazes de intensificar a lesão cerebral secundária, conforme a fisiopatologia do trauma e as diretrizes do ATLS. A hipotensão e a anemia comprometem a perfusão e a oferta de oxigênio ao encéfalo já vulnerável; a hiponatremia, por sua vez, pode provocar edema cerebral e elevar a pressão intracraniana. Esses três fatores aparecem juntos apenas na alternativa E.

O TCE é uma das principais causas de morbimortalidade no mundo, e sua gravidade é classicamente estratificada pela Escala de Coma de Glasgow (ECG): leve (13–15), moderado (9–12) e grave (3–8). No entanto, o que determina o desfecho a longo prazo não é apenas a lesão primária — aquela causada diretamente pelo impacto, como fraturas, hematomas e contusões —, mas principalmente a lesão secundária, que resulta de insultos sistêmicos que atingem o parênquima encefálico já vulnerável. É justamente sobre esses insultos que a equipe médica pode atuar, e é neles que a questão se concentra.

A lesão secundária pode ser desencadeada por diversos fatores, como hipotensão, hipoxemia, hipercapnia, hipertermia, hipoglicemia, crises convulsivas e distúrbios hidroeletrolíticos. Entre eles, a hipotensão arterial é um dos mais temidos: a pressão de perfusão cerebral (PPC) é calculada pela diferença entre a pressão arterial média (PAM) e a pressão intracraniana (PIC). Quando a PAM cai, a PPC diminui, reduzindo o fluxo sanguíneo cerebral e agravando a isquemia. A anemia também é crítica, pois reduz a capacidade de transporte de oxigênio, levando à hipóxia tecidual — e o cérebro é extremamente sensível à privação de O2. Já a hiponatremia (sódio sérico < 135 mEq/L) pode causar edema cerebral por osmose, aumentando a PIC e piorando o prognóstico neurológico.

Na prática, o atendimento inicial segue o sistema ABCDE do ATLS, com a avaliação neurológica na letra D (Disability). O controle rigoroso de variáveis hemodinâmicas, respiratórias e metabólicas é essencial para evitar a lesão secundária. Por exemplo, um paciente com TCE grave e hipotensão deve receber reposição volêmica agressiva e, se necessário, transfusão sanguínea, pois a hipotensão prolongada é um dos principais preditores de mortalidade. Da mesma forma, a correção da hiponatremia deve ser feita com cautela, pois a correção rápida demais pode causar mielinólise pontina.

A banca explora aqui a confusão entre os fatores que pioram o TCE e aqueles que são consequências ou sinais do trauma. Por exemplo, a hipertensão arterial pode ser um reflexo de hipertensão intracraniana (reflexo de Cushing), mas não é um fator que piora o desfecho — pelo contrário, a hipotensão é o vilão. Da mesma forma, a hipertermia é um fator que piora, mas a alternativa correta não a inclui, pois o que importa é o conjunto completo de fatores. A pegadinha está em trocar termos como "hipotensão" por "hipertensão" e "hiponatremia" por "hipernatremia", induzindo o candidato a escolher uma combinação parcialmente correta.

Guarde o tripé que decide a questão: hipotensão arterial, anemia e hiponatremia — são os três fatores que, juntos, pioram o desfecho do TCE no politraumatizado. É exatamente esse conjunto que separa a alternativa correta das demais.

1Hipotensão arterial
↓ PPC → isquemia cerebral
2Anemia
↓ Oferta de O₂ → hipóxia
3Hiponatremia
Edema cerebral → ↑ PIC
Fatores que pioram o TCE
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Fatores que pioram o TCE: Hipotensão arterial (↓ PPC → isquemia cerebral); Anemia (↓ Oferta de O₂ → hipóxia); Hiponatremia (Edema cerebral → ↑ PIC)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Apresenta hipotermia, hipertensão arterial e hipernatremia. A hipotermia, embora possa ser um fator de proteção em alguns contextos (neuroproteção), não é classicamente listada como fator que piora o desfecho no TCE agudo; na verdade, a hipotermia terapêutica é estudada como neuroprotetora. A hipertensão arterial não é um fator que piora o TCE — ela pode até ser um mecanismo compensatório para manter a perfusão cerebral (reflexo de Cushing) —, e a hipernatremia (sódio alto) não é um fator de piora; o problema é a hiponatremia, que causa edema cerebral. Portanto, a alternativa está errada por incluir hipertensão e hipernatremia, que não são fatores de piora.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Menciona lesões na carótida, alcalose e hipertensão arterial. As lesões na carótida podem ser graves, mas não são um fator sistêmico clássico de piora do TCE; a alcalose (pH elevado) não é um fator de piora — o problema é a acidose, que agrava a lesão cerebral; e a hipertensão arterial, como visto, não é um fator de piora. A alternativa mistura conceitos sem relação direta com a lesão secundária do TCE.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Traz hipertermia, hipotensão intracraniana e hipernatremia. A hipertermia é, de fato, um fator que piora o TCE (aumenta o metabolismo cerebral e a PIC), mas a hipotensão intracraniana não é um termo correto — o que existe é a hipertensão intracraniana (PIC elevada), que é o problema; e a hipernatremia novamente aparece de forma incorreta, pois o fator de piora é a hiponatremia. A alternativa erra ao trocar "hipertensão intracraniana" por "hipotensão intracraniana" e "hiponatremia" por "hipernatremia".

Alternativa D — ❌ Incorreta

Apresenta hiponatremia, hipertensão arterial e hipotensão intracraniana. A hiponatremia está correta como fator de piora, mas a hipertensão arterial não é um fator de piora (é até um mecanismo compensatório), e a hipotensão intracraniana é um termo incorreto — o problema é a hipertensão intracraniana. A alternativa acerta em um item, mas erra nos outros dois.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa correta é a letra E, pois reúne os três fatores que, de fato, pioram o desfecho do TCE no paciente politraumatizado: hipotensão arterial (reduz a perfusão cerebral), anemia (reduz a oferta de oxigênio) e hiponatremia (causa edema cerebral e aumenta a PIC). Esses fatores são classicamente descritos como causadores de lesão secundária e devem ser agressivamente corrigidos no atendimento inicial. A combinação exata desses três elementos só aparece nesta alternativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter os termos para confundir: troca "hipotensão" por "hipertensão" (a hipertensão pode até ser um sinal de PIC elevada, mas não é o fator que piora), e "hiponatremia" por "hipernatremia" (o sódio baixo é o problema, não o alto). Fique atento: no TCE, o que mata é a hipotensão, a anemia e a hiponatremia — memorize esse tripé e você elimina as alternativas erradas na hora.

Gabarito: letra E

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