Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FGV 2023

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
fg064204
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Anestesiologia
O delirium ao despertar é uma complicação que pode ocorrer no despertar de uma anestesia geral, sendo as crianças uma população ainda mais sujeita a ela.Assinale a opção que indica o principal fator de risco para o delirium ao despertar e o fármaco que melhor o previne e o trata em crianças, respectivamente.
  1. Aanestesia inalatória / propofol.
  2. Banestesia venosa e inalatória combinadas / droperidol.
  3. Canestesia venosa / dexmedetomidina.
  4. Danestesia inalatória / droperidol.
  5. Eanestesia venosa / propofol.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — anestesia inalatória / propofol.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Delirium ao despertar em anestesia pediátrica

Gabarito: letra A. O principal fator de risco para o delirium ao despertar em crianças é o uso de anestesia inalatória (especialmente sevoflurano e desflurano), e o fármaco que melhor o previne e trata é o propofol, administrado em bolus no final da cirurgia ou em dose baixa durante o despertar. Essa associação é amplamente reconhecida na literatura de anestesiologia pediátrica.

O delirium ao despertar (emergence delirium) é uma complicação comum e transitória que ocorre na fase de recuperação da anestesia geral, caracterizada por agitação psicomotora, choro inconsolável, desorientação e comportamento não intencional. Em crianças, a incidência é maior do que em adultos, variando de 10% a 80% dependendo da técnica anestésica e da população estudada. A fisiopatologia não é totalmente compreendida, mas envolve a recuperação dissociada das funções cerebrais: o paciente desperta com o sistema motor e o sistema límbico ainda sob efeito residual dos anestésicos, enquanto a cognição e a percepção já estão parcialmente restauradas.

O fator de risco mais fortemente associado ao delirium ao despertar é o uso de anestésicos inalatórios, sobretudo os de baixa solubilidade sanguínea, como sevoflurano e desflurano. Esses agentes permitem um despertar rápido, mas também uma eliminação rápida e desigual, o que favorece o surgimento do delirium. Em contrapartida, a anestesia venosa total (TIVA) com propofol está associada a uma menor incidência de delirium ao despertar, pois o propofol proporciona um despertar mais suave e gradual. Por isso, a estratégia de prevenção mais eficaz é evitar ou minimizar o uso de agentes inalatórios, preferindo a TIVA, ou, quando a inalação é necessária, administrar uma dose de propofol (1 mg/kg) ao final da cirurgia para "suavizar" o despertar.

O tratamento do delirium ao despertar, quando ele ocorre, também é feito com propofol em bolus, que promove sedação rápida e controlada, permitindo que a criança desperte novamente de forma mais tranquila. Outras opções incluem dexmedetomidina, que tem mostrado eficácia na prevenção e no tratamento, mas o propofol é o fármaco clássico e mais estudado para essa finalidade em crianças. O droperidol, um antipsicótico, também pode ser usado, mas não é a primeira escolha em pediatria devido ao risco de efeitos extrapiramidais e à menor evidência de eficácia nesse contexto.

A banca explora a confusão entre os fatores de risco e os fármacos preventivos. O candidato pode lembrar que a anestesia inalatória é o fator de risco, mas errar ao associar o tratamento ao droperidol, que é mais usado em adultos ou em contextos de delirium na UTI. A chave é lembrar que, em crianças, o propofol é o fármaco de escolha tanto para prevenir quanto para tratar o delirium ao despertar.

Delirium ao despertar (crianças)
  • 1Fator de risco
    • Anestesia inalatória
      • Sevoflurano
      • Desflurano
  • 2Prevenção/tratamento
    • Propofol (1 mg/kg ao final)
    • Dexmedetomidina (alternativa)
    • Droperidol (não é 1ª escolha)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa associa corretamente o principal fator de risco (anestesia inalatória) ao fármaco que melhor previne e trata o delirium ao despertar em crianças (propofol). A anestesia inalatória, especialmente com sevoflurano e desflurano, é o fator de risco mais importante, e o propofol, administrado no final da cirurgia ou em bolus no despertar, é a medida farmacológica mais eficaz para reduzir a incidência e tratar o quadro.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que a anestesia venosa e inalatória combinadas é o principal fator de risco. Na verdade, a combinação de técnicas (anestesia balanceada) pode até reduzir o risco em relação à inalação isolada, pois a fração venosa (propofol) diminui a exposição ao agente inalatório. Além disso, o droperidol não é o fármaco de primeira escolha para prevenção e tratamento do delirium ao despertar em crianças; o propofol é superior.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao apontar a anestesia venosa como principal fator de risco. A anestesia venosa total (TIVA) com propofol está associada a MENOR incidência de delirium ao despertar, não a maior. A dexmedetomidina é um fármaco eficaz na prevenção e tratamento, mas não é o mais clássico nem o mais indicado como primeira linha em crianças; o propofol é a escolha preferencial.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa acerta o fator de risco (anestesia inalatória), mas erra o fármaco. O droperidol não é o fármaco de primeira escolha para prevenção e tratamento do delirium ao despertar em crianças. Embora seja um antipsicótico usado em alguns contextos, o propofol é o fármaco mais indicado e estudado para essa finalidade em pediatria.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao apontar a anestesia venosa como principal fator de risco. Como já mencionado, a anestesia venosa total (TIVA) com propofol está associada a menor incidência de delirium ao despertar. O propofol, por sua vez, é o fármaco correto para prevenção e tratamento, mas a associação com o fator de risco está invertida.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o fator de risco (anestesia inalatória) pelo fármaco preventivo (propofol) e vice-versa. O candidato que sabe que o propofol previne o delirium pode marcar a alternativa E, mas esquece que a anestesia venosa NÃO é o fator de risco — é a inalatória. Lembre-se: inalatória = risco; propofol = proteção.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, associe: I de inalatória = I de "incita" o delirium; P de propofol = P de "protege". Quando a questão perguntar sobre delirium ao despertar em crianças, a resposta quase sempre envolve anestesia inalatória como fator de risco e propofol como prevenção/tratamento.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/fg064204