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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg064216
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cardiologia
Você é coordenador de um ambulatório de Hipertensão Arterial e é convocado para discutir um caso clínico: paciente, sexo masculino, 36 anos, com diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica há 8 anos. Alega que já tentou diversos tratamentos, sem controle eficaz da pressão arterial, persistentemente elevada (comprovada em M.A.P.A), e que vários médicos alegaram tratarse de “fundo emocional”.Relata também cefaleia esporádica quando há privação de sono. Há na história episódio de hipocalemia moderada após uso de furosemida para tentar perder peso (indicada por um amigo).No momento, em uso de: enalapril 20mg duas vezes ao dia; anlodipino 10mg uma vez ao dia; hidroclorotiazida 25mg uma vez ao dia.Na consulta, paciente apresentou PA: > 150 x 100mmHg em três momentos distintos. IMC: 31,2kg/m². Sem outros achados relevantes.Dado o quadro clínico, assinale a opção que apresenta o diagnóstico mais provável e o primeiro exame para rastreio diagnóstico.
  1. AHiperaldosteronismo primário e tomografia computadorizada de abdome com cortes finos.
  2. BHiperaldosteronismo primário e relação aldosterona / atividade plasmática de renina.
  3. CFeocromocitoma e metanefrinas livres plasmáticas.
  4. DFeocromocitoma e tomografia computadorizada de abdome com cortes finos.
  5. ESíndrome de Cushing e dosagem de cortisol basal.
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GabaritoB — Hiperaldosteronismo primário e relação aldosterona / atividade plasmática de renina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipertensão arterial secundária: hiperaldosteronismo primário

Gabarito: letra B. O quadro clínico — hipertensão resistente em paciente jovem, com episódio de hipocalemia após uso de diurético de alça — é altamente sugestivo de hiperaldosteronismo primário (HAP), e o primeiro exame de rastreio é a relação aldosterona/atividade plasmática de renina (RAR). A diretriz brasileira de hipertensão arterial indica que, na suspeita de HAP, devem ser feitas "determinações de aldosterona e atividade/concentração de renina plasmática" antes de qualquer exame de imagem.

O hiperaldosteronismo primário é a causa endócrina mais comum de hipertensão secundária, caracterizada pela produção autônoma e excessiva de aldosterona pela glândula adrenal, independentemente do estímulo da renina. Essa produção excessiva leva a aumento da reabsorção de sódio e excreção de potássio nos túbulos renais, resultando em hipertensão arterial e, frequentemente, hipocalemia. A importância do diagnóstico reside no fato de que o HAP está associado a maior risco cardiovascular do que a hipertensão essencial, e o tratamento específico (antagonista do receptor mineralocorticoide ou cirurgia) pode melhorar o prognóstico.

A suspeita clínica de HAP deve ser levantada em pacientes com hipertensão resistente (PA não controlada com três ou mais anti-hipertensivos, incluindo um diurético), hipertensão de início precoce (< 30 anos), hipocalemia espontânea ou induzida por diurético, ou incidentaloma adrenal. No caso apresentado, o paciente tem 36 anos, hipertensão de difícil controle com três medicamentos em doses adequadas (enalapril, anlodipino e hidroclorotiazida), e história de hipocalemia moderada após uso de furosemida — todos esses são sinais de alerta que justificam a investigação.

O rastreio do HAP é feito pela dosagem simultânea de aldosterona plasmática e atividade da renina plasmática (ou concentração de renina), calculando-se a relação aldosterona/renina (RAR). Uma RAR elevada, com aldosterona plasmática elevada, indica a necessidade de testes confirmatórios (como infusão salina ou teste do captopril) e, posteriormente, exames de imagem para diferenciar adenoma de hiperplasia adrenal. A tomografia computadorizada de abdome com cortes finos é um exame de imagem importante, mas não é o primeiro passo diagnóstico — ela só deve ser realizada após a confirmação bioquímica do HAP, pois um adenoma incidental é comum na população e não confirma o diagnóstico.

A pegadinha central desta questão é a ordem dos exames: muitos candidatos associam a suspeita de HAP diretamente à tomografia, esquecendo que o rastreio é bioquímico. A diretriz é clara ao estabelecer que a investigação começa com a dosagem de aldosterona e renina, e só depois, com o diagnóstico bioquímico confirmado, parte-se para a localização por imagem. Guarde essa sequência: suspeita clínica → RAR (rastreio) → teste confirmatório → TC de abdome — é exatamente nessa ordem que as alternativas se dividem.

  1. 1Suspeita clínica
  2. 2RAR (rastreio)
  3. 3Teste confirmatório
  4. 4TC de abdome
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O diagnóstico (HAP) está correto, mas o exame está errado. A tomografia computadorizada de abdome com cortes finos é um exame de localização (para diferenciar adenoma de hiperplasia), não de rastreio. Realizar a TC antes da confirmação bioquímica pode levar a achados incidentais (incidentalomas adrenais são comuns) e a procedimentos desnecessários. O primeiro exame deve ser a relação aldosterona/renina.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa apresenta o diagnóstico mais provável (hiperaldosteronismo primário) e o primeiro exame de rastreio correto: a relação aldosterona/atividade plasmática de renina (RAR). A diretriz brasileira de hipertensão arterial recomenda, na suspeita de HAP, "determinações de aldosterona e atividade/concentração de renina plasmática" como primeiro passo. A RAR elevada (> 30 com aldosterona > 15 ng/dL, em valores típicos) indica a necessidade de testes confirmatórios.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O feocromocitoma é um diagnóstico improvável neste caso. Embora possa causar hipertensão resistente, o feocromocitoma cursa tipicamente com crises de cefaleia, palpitações e sudorese, além de hipocalemia não ser uma característica. A história de hipocalemia após diurético e a hipertensão resistente em paciente jovem apontam fortemente para HAP, não para feocromocitoma. As metanefrinas livres plasmáticas são o exame de rastreio correto para feocromocitoma, mas a suspeita clínica não se sustenta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Repete o erro da alternativa C (feocromocitoma como diagnóstico) e ainda associa o exame de imagem (TC) como primeiro passo, o que seria inadequado mesmo se a suspeita fosse feocromocitoma — o rastreio inicial seria bioquímico (metanefrinas). A combinação de diagnóstico e exame está duplamente errada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A síndrome de Cushing pode causar hipertensão secundária, mas o quadro clínico não é compatível: não há relato de ganho de peso central, estrias, fácies em lua cheia, hiperglicemia ou outras características do hipercortisolismo. O IMC de 31,2 kg/m² indica obesidade, mas isoladamente não sugere Cushing. A hipocalemia após diurético e a hipertensão resistente em jovem apontam para HAP. A dosagem de cortisol basal não é o exame de rastreio adequado para a suspeita principal.

Gabarito: letra B — hiperaldosteronismo primário com rastreio pela relação aldosterona/atividade plasmática de renina.

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