Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg064219
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cardiologia
As antraciclinas constituem componentes essenciais em muitos esquemas quimioterápicos, tendo demonstrado eficácia em linfomas e muitos tumores sólidos. Porém, essa é uma classe conhecidamente cardiotóxica.Sobre as antraciclinas e a cardiotoxicidade, assinale a afirmativa correta.
  1. AA cardiotoxicidade não é dependente da dose.
  2. BA cardiomiopatia por antraciclina ocorre geralmente após o primeiro ano de tratamento em adultos.
  3. CIdade (avançada ou jovem) constitui fator de risco para desenvolvimento de cardiotoxicidade por antracíclicos.
  4. DA elevação dos níveis de troponina frequentemente é a primeira anormalidade a ser notada.
  5. EA principal alteração cardiovascular do uso de antraciclinas é a ocorrência de trombose venosa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Idade (avançada ou jovem) constitui fator de risco para desenvolvimento de cardiotoxicidade por antracíclicos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cardiotoxicidade por antraciclinas

Gabarito: letra C. A idade — tanto avançada quanto jovem — é um fator de risco reconhecido para o desenvolvimento de cardiotoxicidade por antraciclinas, conforme diretrizes de cardio-oncologia. A cardiotoxicidade é dose-dependente, a cardiomiopatia em adultos geralmente ocorre dentro do primeiro ano, a elevação da troponina é um marcador precoce, mas não é a primeira anormalidade, e a principal alteração cardiovascular não é trombose venosa.

A cardiotoxicidade por antraciclinas é um efeito adverso bem documentado, diretamente relacionado à dose cumulativa do fármaco. O mecanismo envolve a geração de espécies reativas de oxigênio, lesão mitocondrial e apoptose dos cardiomiócitos, levando a uma cardiomiopatia dilatada que pode evoluir para insuficiência cardíaca. A dose cumulativa de doxorrubicina, por exemplo, é um dos principais determinantes do risco, sendo que doses acima de 450 mg/m² aumentam exponencialmente a incidência de disfunção ventricular.

Os fatores de risco para cardiotoxicidade incluem: dose cumulativa elevada, idade (tanto crianças quanto idosos), sexo feminino, doença cardiovascular prévia, irradiação mediastinal prévia e uso concomitante de outros cardiotóxicos, como trastuzumabe. A idade é um fator de risco independente, pois pacientes jovens têm maior susceptibilidade ao dano miocárdico, enquanto idosos apresentam menor reserva cardíaca e maior prevalência de comorbidades.

A apresentação clínica da cardiomiopatia por antraciclina pode ser aguda (durante ou logo após a infusão), subaguda (dias a semanas) ou crônica (meses a anos). A forma crônica é a mais comum e pode se manifestar até 10 anos após o tratamento. Em adultos, a disfunção ventricular geralmente ocorre dentro do primeiro ano após a conclusão da quimioterapia, sendo que a maioria dos casos se manifesta nos primeiros 6 a 12 meses.

O monitoramento da cardiotoxicidade inclui avaliação clínica, ecocardiograma seriado e biomarcadores como troponina e peptídeo natriurético cerebral (BNP). A elevação da troponina é um marcador precoce de lesão miocárdica, mas não é a primeira anormalidade a ser notada — a disfunção diastólica ou a redução da fração de ejeção podem preceder a elevação da troponina. A principal alteração cardiovascular do uso de antraciclinas é a cardiomiopatia dilatada com insuficiência cardíaca, e não trombose venosa.

A pegadinha desta questão está em inverter conceitos: a cardiotoxicidade é dose-dependente (não independente), a cardiomiopatia ocorre geralmente dentro do primeiro ano (não após), e a principal alteração é a cardiomiopatia (não trombose). A idade, por outro lado, é um fator de risco bem estabelecido, tanto em extremos de idade.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A cardiotoxicidade é dose-dependente. O risco aumenta progressivamente com a dose cumulativa de antraciclina, sendo que doses mais altas estão associadas a maior incidência de disfunção ventricular. A alternativa inverte o conceito, afirmando que não é dependente da dose.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A cardiomiopatia por antraciclina em adultos ocorre geralmente dentro do primeiro ano após o tratamento, não após o primeiro ano. A maioria dos casos de disfunção ventricular se manifesta nos primeiros 6 a 12 meses após a conclusão da quimioterapia.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A idade, tanto avançada quanto jovem, é um fator de risco reconhecido para cardiotoxicidade por antraciclinas. Crianças e idosos apresentam maior susceptibilidade ao dano miocárdico, sendo a idade um fator de risco independente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A elevação da troponina é um marcador precoce de lesão miocárdica, mas não é a primeira anormalidade a ser notada. Alterações na função diastólica ou na fração de ejeção podem preceder a elevação da troponina, e a avaliação clínica e ecocardiográfica são fundamentais no monitoramento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A principal alteração cardiovascular do uso de antraciclinas é a cardiomiopatia dilatada com insuficiência cardíaca, não trombose venosa. A trombose venosa não é uma complicação característica das antraciclinas, embora possa ocorrer em pacientes oncológicos por outros mecanismos.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/fg064219