Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg064227
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cardiologia
Baseado na 3ª Diretriz Brasileira de Transplante Cardíaco, publicada em 2018, assinale a opção que consiste em potencial contraindicação para transplante cardíaco.
AIdade > 60 anos.
BInfecção sistêmica ativa.
CHistória de embolia pulmonar há 5 anos.
DEx-tabagismo (período de abstenção: mais de 1 ano).
EIMC > 30 kg/m².
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Infecção sistêmica ativa.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Transplante cardíaco: contraindicações segundo a 3ª Diretriz Brasileira (2018)
Gabarito: letra B. A infecção sistêmica ativa é uma contraindicação absoluta ao transplante cardíaco, pois a imunossupressão pós-operatória agravaria o quadro infeccioso, tornando o procedimento inviável. As demais alternativas (idade > 60 anos, embolia pulmonar há 5 anos, ex-tabagismo com abstenção > 1 ano e IMC > 30 kg/m²) não constituem, por si só, contraindicações absolutas — são fatores que exigem avaliação individualizada, mas não impedem o transplante de forma categórica.
O transplante cardíaco é o tratamento de escolha para pacientes com insuficiência cardíaca refratária (estágio D), quando todas as terapias clínicas e cirúrgicas convencionais se esgotaram. A 3ª Diretriz Brasileira de Transplante Cardíaco (2018) estabelece critérios rigorosos de indicação e contraindicação, baseados em evidências científicas e na experiência acumulada dos centros transplantadores. O objetivo é selecionar pacientes com maior probabilidade de benefício e menor risco de complicações, especialmente aquelas relacionadas à imunossupressão.
A lógica por trás das contraindicações é simples: o transplante exige imunossupressão intensa e permanente para evitar a rejeição do órgão. Qualquer condição que possa ser agravada por essa imunossupressão — como infecções ativas, neoplasias malignas recentes ou doenças sistêmicas graves — representa risco inaceitável. Por outro lado, condições como idade avançada, obesidade ou tabagismo passado são avaliadas individualmente, pois podem ser manejadas ou não impactam diretamente a sobrevida pós-transplante.
A diretriz distingue contraindicações absolutas (que impedem o transplante) das relativas (que exigem avaliação criteriosa, mas não excluem o paciente). A infecção sistêmica ativa é um exemplo clássico de contraindicação absoluta: o uso de imunossupressores após o transplante deixaria o paciente vulnerável à progressão da infecção, com risco de sepse e óbito. Já a idade > 60 anos, o IMC > 30 kg/m² e o tabagismo passado são fatores que influenciam o prognóstico, mas não são, por si, impeditivos — muitos centros transplantam pacientes idosos ou obesos com bons resultados, desde que bem selecionados.
A embolia pulmonar há 5 anos, por sua vez, não é contraindicação, pois o evento agudo já foi resolvido e não há evidência de hipertensão pulmonar crônica tromboembólica ativa. O que contraindica é a hipertensão pulmonar grave e fixa (não responsiva a vasodilatadores), que pode levar à falência do ventrículo direito do enxerto. Portanto, a questão testa a capacidade de distinguir contraindicações absolutas de fatores de risco relativos — e a infecção sistêmica ativa é a única que se enquadra na primeira categoria.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar contraindicação absoluta por fator de risco relativo. Aqui, a pegadinha está em fazer o candidato achar que idade > 60 anos ou IMC > 30 são impeditivos — mas a diretriz os trata como critérios de avaliação individual, não como barreiras absolutas. A infecção ativa, sim, é barreira absoluta, pois a imunossupressão pós-transplante agravaria o quadro. Fique atento: se a alternativa trouxer uma condição que pode ser tratada ou controlada antes do transplante, ela provavelmente é relativa, não absoluta.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A idade > 60 anos não é contraindicação absoluta ao transplante cardíaco. A diretriz reconhece que pacientes idosos podem ser transplantados com sucesso, desde que apresentem boa condição funcional e ausência de comorbidades graves. A idade avançada é um fator de risco que influencia a seleção, mas não exclui o paciente automaticamente. O erro da alternativa está em tratar a idade como barreira absoluta, quando na prática ela é avaliada em conjunto com outros fatores.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A infecção sistêmica ativa é uma contraindicação absoluta ao transplante cardíaco. O motivo é claro: o transplante exige imunossupressão intensa e permanente para prevenir a rejeição do órgão, o que deixaria o paciente incapaz de combater a infecção, levando a sepse e óbito. A diretriz orienta tratar a infecção antes de considerar o transplante, pois a imunossupressão só pode ser iniciada após a resolução do quadro infeccioso. Essa é a alternativa correta, pois representa um risco inaceitável que impede o procedimento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A história de embolia pulmonar há 5 anos não contraindica o transplante cardíaco. O evento agudo já foi resolvido e, na ausência de hipertensão pulmonar crônica tromboembólica ativa, não há impedimento. O que contraindica é a hipertensão pulmonar grave e fixa (não responsiva a vasodilatadores), que pode levar à falência do ventrículo direito do enxerto. A alternativa erra ao considerar o antecedente remoto como contraindicação, quando o que importa é a avaliação hemodinâmica atual.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O ex-tabagismo com abstenção > 1 ano não é contraindicação ao transplante cardíaco. A diretriz valoriza a cessação do tabagismo, mas não exige um período mínimo de abstenção para considerar o paciente elegível. O que importa é a ausência de doença pulmonar obstrutiva crônica grave ou outras comorbidades relacionadas ao tabagismo. A alternativa erra ao tratar o tabagismo passado como impeditivo, quando na prática é um fator de risco que pode ser manejado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O IMC > 30 kg/m² não é contraindicação absoluta ao transplante cardíaco. A obesidade é um fator de risco que aumenta a morbidade pós-operatória, mas não impede o transplante por si só. A diretriz recomenda avaliação individualizada, considerando a distribuição de gordura, a presença de comorbidades e a capacidade de reabilitação. A alternativa erra ao tratar o IMC elevado como barreira absoluta, quando na prática é um critério relativo.
Gabarito: letra B — a infecção sistêmica ativa é a única contraindicação absoluta entre as opções.