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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg064230
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cardiologia
A miocardite é uma doença que pode ser definida como processo inflamatório do miocárdio, diagnosticada por critérios histológicos, imunológicos e imuno-histoquímicos.Segundo a Diretriz de Miocardites da Sociedade Brasileira de Cardiologia de 2022, assinale a opção que apresenta a principal indicação de biópsia endomiocárdica para o diagnóstico de miocardite.
  1. APaciente com suspeita clínica de miocardite após métodos diagnósticos não invasivos.
  2. BPaciente com arritmias ventriculares frequentes, na presença ou não de sintomas, porém sem causa definida.
  3. CPaciente com insuficiência cardíaca decorrente de cardiomiopatia dilatada de qualquer duração, com suspeita de reação alérgica e/ou eosinofilia.
  4. DPaciente com insuficiência cardíaca de início recente, sem causa definida, não responsiva ao tratamento usual e com deterioração hemodinâmica.
  5. EPaciente com insuficiência cardíaca com início há mais de 3 meses e menos de 12 meses, sem causa definida, não responsiva à terapia padrão otimizada.
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GabaritoD — Paciente com insuficiência cardíaca de início recente, sem causa definida, não responsiva ao tratamento usual e com deterioração hemodinâmica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Miocardite: indicações de biópsia endomiocárdica

Gabarito: letra D. A principal indicação de biópsia endomiocárdica na miocardite, segundo a Diretriz de Miocardites da SBC de 2022, é o paciente com insuficiência cardíaca de início recente, sem causa definida, não responsiva ao tratamento usual e com deterioração hemodinâmica. A biópsia é reservada para os casos graves e refratários, em que o diagnóstico etiológico pode mudar a conduta, e não para a suspeita clínica isolada ou para quadros estáveis.

A miocardite é um processo inflamatório do miocárdio, na maioria das vezes de etiologia viral, que pode se apresentar de formas variadas — desde quadros assintomáticos até insuficiência cardíaca fulminante, arritmias e morte súbita. O diagnóstico é essencialmente clínico, apoiado por exames não invasivos como eletrocardiograma, ecocardiograma, ressonância magnética cardíaca e dosagem de troponinas. A biópsia endomiocárdica, por ser um procedimento invasivo, com riscos de complicações (perfuração, tamponamento, arritmias), não é realizada de rotina. Ela fica reservada para situações específicas em que o resultado pode alterar o tratamento ou confirmar um diagnóstico com implicações terapêuticas e prognósticas distintas.

A diretriz brasileira, alinhada às principais sociedades internacionais, define que a biópsia endomiocárdica está indicada principalmente nos seguintes cenários: (1) insuficiência cardíaca de início recente (menos de 3 meses), sem causa definida, que não responde ao tratamento convencional e evolui com deterioração hemodinâmica — exatamente o que descreve a alternativa D; (2) suspeita de miocardite de células gigantes ou miocardite eosinofílica (hipersensibilidade), que têm tratamento específico e prognóstico diferente; (3) arritmias ventriculares graves e refratárias, na vigência de disfunção ventricular, sem causa definida; e (4) suspeita de miocardite por doença sistêmica (como lúpus, sarcoidose) em que a confirmação histológica orienta a terapia imunossupressora.

A lógica por trás dessa indicação é simples: a biópsia só se justifica quando o resultado pode mudar a conduta. Em um paciente com IC recente e refratária, a biópsia pode revelar miocardite de células gigantes (que responde a imunossupressão e tem alta mortalidade sem tratamento) ou miocardite linfocítica viral (que é tratada com suporte). Já em um paciente com suspeita clínica de miocardite, mas estável, os métodos não invasivos são suficientes para o diagnóstico e o tratamento é de suporte — a biópsia não agregaria mudança de conduta. Da mesma forma, em um paciente com IC crônica (mais de 3 meses), a probabilidade de a biópsia alterar o manejo é baixa, pois o processo inflamatório agudo já cedeu lugar à fibrose.

A pegadinha da questão está em distinguir a indicação formal de biópsia (paciente grave, refratário, com deterioração hemodinâmica) das situações em que ela é apenas "considerada" ou não é indicada. A banca explora a confusão entre "suspeita clínica" (que não indica biópsia) e "refratariedade ao tratamento com deterioração" (que indica). Guarde o critério decisivo: a biópsia endomiocárdica é indicada na IC de início recente, sem causa definida, refratária ao tratamento usual e com deterioração hemodinâmica — é esse o perfil que separa a alternativa correta das demais.

Critério

Indicação de biópsia endomiocárdica (correta)

Situações em que NÃO é indicada (incorretas)

Tempo de início da IC

Recente (menos de 3 meses)

Qualquer duração (C) ou 3–12 meses (E)

Causa

Sem causa definida

Suspeita clínica isolada (A) ou arritmias sem disfunção ventricular (B)

Resposta ao tratamento

Não responsiva ao tratamento usual

Condição associada

Deterioração hemodinâmica

Quadro estável (A) ou arritmias frequentes sem gravidade/refratariedade (B)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A suspeita clínica de miocardite após métodos não invasivos, por si só, não é indicação de biópsia. Nesses casos, o diagnóstico é firmado pela combinação de apresentação clínica, ECG, ecocardiograma, ressonância magnética e marcadores de lesão miocárdica, e o tratamento é de suporte. A biópsia é um procedimento invasivo, reservado para situações em que o resultado pode mudar a conduta — e a suspeita clínica isolada não se enquadra nesse perfil.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Arritmias ventriculares frequentes, mesmo sem causa definida, não são, por si só, indicação de biópsia endomiocárdica. A diretriz menciona arritmias ventriculares graves e refratárias, associadas a disfunção ventricular, como uma possível indicação — mas a alternativa generaliza, omitindo a gravidade e a refratariedade, e não menciona a presença de disfunção ventricular, que é um componente essencial para a decisão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa menciona "cardiomiopatia dilatada de qualquer duração", o que está incorreto. A indicação de biópsia é para IC de início recente (menos de 3 meses), não para qualquer duração. Além disso, a suspeita de reação alérgica e/ou eosinofilia é uma das indicações, mas a alternativa erra ao generalizar para "qualquer duração" e ao não incluir o critério de refratariedade ao tratamento e deterioração hemodinâmica, que são essenciais.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa que reproduz fielmente a principal indicação de biópsia endomiocárdica na miocardite: insuficiência cardíaca de início recente, sem causa definida, não responsiva ao tratamento usual e com deterioração hemodinâmica. É exatamente o cenário em que a biópsia pode revelar uma etiologia tratável (como miocardite de células gigantes ou eosinofílica) e mudar o prognóstico do paciente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa menciona IC com início entre 3 e 12 meses, o que não corresponde à indicação de biópsia. A diretriz indica biópsia para IC de início recente (menos de 3 meses). Em quadros com mais de 3 meses, a probabilidade de a biópsia alterar a conduta é baixa, pois o processo inflamatório agudo já evoluiu para fibrose, e o tratamento é o da IC crônica.

Gabarito: letra D

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