Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg064238
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Cardiovascular
A Tetralogia de Fallot é a forma mais comum de cardiopatia congênita cianótica após 1 ano de idade, com incidência de aproximadamente 10% entre todas as formas de cardiopatia congênita.
Sua apresentação clínica pode variar de acordo com o grau de obstrução da via de saída do ventrículo direito.
Os chamados Fallots acianóticos ouPink Fallots são aqueles que apresentam, como característica anatômica,
Auma importante hipertrofia ventricular direita.
Bum amplo defeito do septo inter-ventricular.
Cuma leve obstrução da via de saída do ventrículo direito.
Duma importante hipertrofia ventricular esquerda.
Ea presença de válvula aórtica bicúspide.
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GabaritoC — uma leve obstrução da via de saída do ventrículo direito.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Tetralogia de Fallot: Pink Fallot e a via de saída do ventrículo direito
Gabarito: letra C. Os chamados Pink Fallots (Fallots acianóticos) são aqueles que apresentam leve obstrução da via de saída do ventrículo direito — é o grau dessa obstrução que determina a presença ou não de cianose na Tetralogia de Fallot. Quanto menor a obstrução, menor o shunt direita-esquerda e, portanto, menor a cianose.
A Tetralogia de Fallot é a cardiopatia congênita cianótica mais comum após 1 ano de idade, caracterizada por quatro defeitos clássicos: estenose infundibular pulmonar (obstrução da via de saída do VD), comunicação interventricular (CIV), dextroposição da aorta (aorta cavalgando o septo) e hipertrofia do ventrículo direito. A apresentação clínica varia conforme o grau de obstrução da via de saída do ventrículo direito. Quando essa obstrução é leve, o fluxo sanguíneo pulmonar é relativamente preservado, o shunt direita-esquerda é pequeno ou ausente, e o paciente pode não apresentar cianose — daí o nome Pink Fallot ou Fallot acianótico. Por outro lado, quando a obstrução é importante, o shunt direita-esquerda é acentuado, levando à cianose clássica.
A fisiopatologia é central para entender a questão: na Tetralogia de Fallot, o desvio anterior do septo infundibular em relação ao septo interventricular na embriogênese resulta nos quatro defeitos. A obstrução da via de saída do VD é o componente que mais influencia a hemodinâmica. Com obstrução leve, a resistência ao fluxo pulmonar é baixa, o sangue consegue fluir preferencialmente para os pulmões, e o paciente permanece acianótico. Com obstrução grave, a resistência pulmonar é alta, o sangue desoxigenado é desviado da direita para a esquerda através da CIV, resultando em cianose.
Na prática clínica, o Pink Fallot pode ser um desafio diagnóstico, pois o paciente pode não apresentar cianose visível, mas ainda tem a anatomia característica da Tetralogia. O sopro sistólico de ejeção na borda esternal esquerda, devido à obstrução da via de saída do VD, está presente. A radiografia de tórax pode mostrar aumento das câmaras direitas, e o ECG frequentemente mostra bloqueio de ramo direito. A ecocardiografia é o exame confirmatório, avaliando a gravidade da obstrução e a anatomia dos defeitos.
A distinção crucial que a banca explora é entre o grau de obstrução da via de saída do VD e a presença de cianose. O candidato pode confundir o Pink Fallot com outras formas de apresentação ou com outras cardiopatias. É importante lembrar que a hipertrofia ventricular direita está presente em todos os casos de Tetralogia de Fallot, independentemente do grau de obstrução, pois é uma consequência da sobrecarga pressórica crônica do VD. A CIV também está sempre presente, sendo um dos quatro defeitos clássicos. Portanto, a característica que define o Pink Fallot não é a presença ou ausência desses defeitos, mas sim o grau de obstrução da via de saída do VD.
Guarde a relação: obstrução leve da via de saída do VD → fluxo pulmonar preservado → ausência de cianose → Pink Fallot. É exatamente esse critério que separa as alternativas corretas das incorretas.
Tetralogia de Fallot
14 defeitos clássicos
Estenose infundibular pulmonar
CIV
Dextroposição da aorta
Hipertrofia de VD
2Apresentação clínica
Conforme grau de obstrução da via de saída do VD
Obstrução leve → Pink Fallot (acianótico)
Obstrução importante → Fallot clássico (cianótico)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A hipertrofia ventricular direita é um dos quatro defeitos clássicos da Tetralogia de Fallot e está presente em todos os casos, incluindo os Pink Fallots. Ela é consequência da sobrecarga pressórica crônica do VD devido à obstrução da via de saída. Portanto, não é uma característica que distingue o Pink Fallot — é uma característica comum a todas as formas da doença.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A comunicação interventricular (CIV) também é um dos quatro defeitos clássicos e está presente em todos os casos de Tetralogia de Fallot. O tamanho da CIV pode variar, mas não é o fator determinante para a presença ou ausência de cianose. O que define o Pink Fallot é o grau de obstrução da via de saída do VD, não o tamanho da CIV.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A característica anatômica que define o Pink Fallot é a leve obstrução da via de saída do ventrículo direito. Com obstrução leve, o fluxo sanguíneo pulmonar é relativamente preservado, o shunt direita-esquerda é pequeno ou ausente, e o paciente não apresenta cianose. É exatamente o grau de obstrução que determina a apresentação clínica, variando do Pink Fallot (acianótico) ao Fallot clássico (cianótico).
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hipertrofia ventricular esquerda não é uma característica da Tetralogia de Fallot. Na verdade, o texto de apoio menciona erroneamente "hipertrofia do ventrículo esquerdo" em um trecho, mas a literatura clássica e a maioria das fontes descrevem hipertrofia do ventrículo direito como o quarto defeito. A hipertrofia ventricular esquerda não faz parte da tetralogia e não é uma característica do Pink Fallot.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A válvula aórtica bicúspide não é uma característica da Tetralogia de Fallot. Embora possa haver associação com outras cardiopatias congênitas, a válvula aórtica bicúspide não faz parte dos quatro defeitos clássicos da Tetralogia e não é uma característica que define o Pink Fallot. A aorta na Tetralogia é descrita como dextroposta e cavalgando o septo interventricular, mas não necessariamente bicúspide.
Gabarito: letra C — o Pink Fallot é definido pela leve obstrução da via de saída do ventrículo direito, que preserva o fluxo pulmonar e evita a cianose.