Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg064243
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Cardiovascular
A plastia valvar mitral é considerada uma boa opção no tratamento da insuficiência mitral, desde que realizada por grupos cirúrgicos experientes, onde haja monitorização por ecocardiografia trans-esofágica per-operatória, entre outros requisitos.
Devemos considerar a possibilidade de plastia valvar mitral quando
Ahouver dilatação do anel mitral e falha de coaptação em P2.
Bo folheto anterior perde totalmente sua sustentação pelas cordoalhas.
Co aparato sub-valvar do folheto posterior está totalmente fundido.
Dhouver ruptura das cordoalhas em A1 e A2.
Eo folheto posterior é calcificado e retraído.
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GabaritoA — houver dilatação do anel mitral e falha de coaptação em P2.
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Plastia valvar mitral: indicações e contraindicações
Gabarito: letra A. A plastia mitral é a opção preferencial quando a anatomia valvar é favorável à reconstrução, como na dilatação do anel mitral com falha de coaptação em P2 (segmento médio do folheto posterior), situação clássica de degeneração mixomatosa (doença de Barlow) em que a reparação tem altas taxas de sucesso. As demais alternativas descrevem lesões que comprometem a viabilidade da plastia, indicando, na maioria dos casos, a troca valvar.
A plastia valvar mitral (reparo cirúrgico da valva mitral) é o tratamento de escolha para a insuficiência mitral (IM) sempre que a anatomia permitir uma reconstrução durável. O objetivo é restaurar a função valvar preservando o aparato subvalvar (cordoalhas e músculos papilares), o que mantém a geometria ventricular e a função sistólica do ventrículo esquerdo, conferindo vantagens sobre a prótese: menor mortalidade operatória, menor risco de endocardite e de eventos tromboembólicos, e dispensa da anticoagulação crônica.
A decisão entre plastia e troca valvar depende fundamentalmente da anatomia da lesão, avaliada pela ecocardiografia (idealmente transesofágica peroperatória). A classificação de Carpentier organiza os mecanismos da IM em três tipos:
A plastia é ideal nos tipos I e II, especialmente no prolapso do folheto posterior (P2), em que a técnica de ressecção quadrangular ou triangular com anuloplastia tem resultados excelentes e reprodutíveis. Já nos tipos III, com fusão e calcificação extensa do aparato subvalvar, a plastia é tecnicamente difícil e com resultados ruins, sendo a troca valvar a conduta mais adequada.
A alternativa A descreve exatamente a combinação favorável: dilatação do anel mitral (tipo I) associada a falha de coaptação em P2 (tipo II, prolapso do folheto posterior). Essa é a indicação clássica de plastia, com alta taxa de sucesso e durabilidade. As demais alternativas descrevem lesões que tornam a plastia inviável ou de alto risco, sendo contraindicações relativas ou absolutas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre lesões que favorecem a plastia (prolapso de P2, anel dilatado) e lesões que contraindicam (calcificação extensa, fusão do aparato subvalvar, perda total de sustentação). O candidato que decora apenas "plastia é boa" sem entender a anatomia favorável erra ao marcar alternativas que descrevem lesões avançadas. Lembre-se: a plastia é para reconstruir, não para substituir — se o tecido está destruído (calcificado, fundido, retraído), não há o que reconstruir.
Plastia mitral (Carpentier): Tipo I (movimento normal) (Dilatação do anel, Perfuração); Tipo II (movimento excessivo) (Prolapso de P2, Ruptura de cordoalhas); Tipo III (movimento restritivo) (IIIa: reumática (fusão/calcificação), IIIb: isquêmica)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dilatação do anel mitral (tipo I de Carpentier) e a falha de coaptação em P2 (tipo II, prolapso do folheto posterior) são as indicações clássicas e mais favoráveis à plastia mitral. A dilatação anular é corrigida pela anuloplastia (com anel protético ou pericárdio), e o prolapso de P2 é tratado pela ressecção quadrangular ou triangular do segmento prolapsado, com resultados excelentes e duradouros. Essa é a anatomia ideal para a reconstrução.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A perda total da sustentação do folheto anterior pelas cordoalhas (ruptura ou alongamento extenso) é uma lesão complexa e de difícil reparo. Embora existam técnicas de reconstrução (como o neocordal), a perda total da sustentação do folheto anterior, especialmente se associada a outras lesões, frequentemente leva à troca valvar, pois a plastia teria baixa durabilidade e alto risco de recidiva. A alternativa descreve uma situação de plastia difícil ou contraindicada, não uma boa indicação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A fusão total do aparato subvalvar do folheto posterior (tipo IIIa, reumática) é uma contraindicação relativa à plastia. A fusão das cordoalhas e dos músculos papilares impede a mobilidade do folheto, tornando a reconstrução tecnicamente muito difícil e com resultados ruins. Nesses casos, a troca valvar é a conduta mais adequada. A alternativa descreve uma lesão avançada, não uma indicação de plastia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ruptura das cordoalhas em A1 e A2 (segmentos do folheto anterior) é uma lesão que pode ser tratada por plastia, mas não é a indicação clássica e mais favorável. A ruptura de cordoalhas do folheto anterior é tecnicamente mais desafiadora que a do folheto posterior, e o resultado é menos previsível. A alternativa A é superior porque descreve a combinação mais favorável (anel dilatado + prolapso de P2). A ruptura de cordoalhas em A1 e A2, isoladamente, não é a melhor indicação de plastia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O folheto posterior calcificado e retraído (tipo IIIa, reumática) é uma contraindicação à plastia. A calcificação extensa torna o tecido rígido e friável, impossibilitando a reconstrução adequada. A retração do folheto impede a coaptação, e a plastia teria alta probabilidade de falha. Nesses casos, a troca valvar é a conduta indicada. A alternativa descreve uma lesão avançada, não uma indicação de plastia.
Gabarito: letra A — a plastia mitral é indicada quando há dilatação do anel mitral e falha de coaptação em P2, a anatomia mais favorável à reconstrução.