Paciente jovem, vítima de agressão por vidro, apresenta ferida corto contusa na zona II da região cervical esquerda. É levada por populares para o Pronto Socorro onde dá entrada com quadro de choque hipovolêmico, não responsiva à estímulos verbais e álgicos. Observa-se sangramento ativo pela ferida cervical e hematoma pulsátil em expansão.Diante desse quadro, assinale a opção que indica a melhor conduta.
ACompressão digital da ferida e entubação oro-traqueal.
BTamponamento da ferida com balão e encaminhamento para o centro cirúrgico.
CCompressão digital da ferida, acesso venoso calibroso e reposição com sangue total.
DAcesso venoso, tomografia computadorizada com contraste venoso e encaminhar para o centro cirúrgico.
EExploração da ferida na sala de emergência para hemostasia, após acesso venoso e reposição salina.
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GabaritoA — Compressão digital da ferida e entubação oro-traqueal.
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Trauma cervical penetrante: manejo inicial do choque hemorrágico
Gabarito: letra A. Em paciente com ferida cervical penetrante, choque hipovolêmico e hematoma pulsátil em expansão (sinais de lesão vascular ativa), a prioridade é o controle imediato do sangramento com compressão digital direta e a garantia da via aérea com entubação orotraqueal — conduta que combina as duas medidas que salvam a vida nesse cenário. A base está nos princípios do ATLS e no manejo do trauma cervical: pressão direta como primeira medida hemostática e via aérea definitiva diante de rebaixamento do nível de consciência.
O trauma cervical penetrante é uma das emergências mais letais do atendimento inicial, porque a região concentra estruturas vasculares de grande calibre (carótidas, jugulares, artéria vertebral), a via aérea e o plexo braquial. A zona II — entre a cartilagem cricoide e o ângulo da mandíbula — é a mais comumente atingida e a de mais fácil acesso cirúrgico. O quadro descrito no enunciado é clássico de lesão vascular com sangramento ativo: choque hipovolêmico, sangramento pela ferida e hematoma pulsátil em expansão. Nesse cenário, a conduta segue uma hierarquia rígida: primeiro, controlar a hemorragia; segundo, assegurar a via aérea; terceiro, reposição volêmica e transporte imediato para o centro cirúrgico.
A compressão digital direta é a primeira e mais eficaz medida de hemostasia em sangramentos externos — inclusive no pescoço, com o cuidado de não comprimir ambas as carótidas simultaneamente nem obstruir a via aérea. A entubação orotraqueal é indicada porque a paciente está em choque, não responsiva a estímulos verbais e álgicos (escala de coma de Glasgow baixa), o que compromete a proteção da via aérea e a ventilação. A sequência correta é: compressão digital + via aérea definitiva + acesso venoso + reposição volêmica + cirurgia de emergência. A alternativa A é a única que contempla as duas medidas imediatas e prioritárias.
A pegadinha desta questão está em confundir a ordem de prioridades: o candidato pode achar que, diante de um hematoma pulsátil, a conduta é ir direto para o centro cirúrgico ou fazer exames de imagem. Mas, em paciente instável com sangramento ativo, nenhum exame complementar deve atrasar o controle cirúrgico — a tomografia é contraindicada no choque refratário. E a exploração da ferida na sala de emergência é um erro grave, pois pode descomprimir um hematoma contido e transformar uma lesão controlada em exsanguinação maciça. O princípio que decide a questão é: instabilidade hemodinâmica + sangramento ativo = controle imediato + cirurgia, sem exames. É exatamente esse critério que separa as alternativas.
1Compressão digital direta
2Via aérea definitiva (IOT)
3Acesso venoso + reposição
4Cirurgia imediata no CC
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A compressão digital da ferida é a primeira medida de hemostasia no sangramento cervical ativo, e a entubação orotraqueal é obrigatória diante do rebaixamento do nível de consciência (não responsiva a estímulos verbais e álgicos) e do choque, para proteger a via aérea e permitir ventilação adequada. Essa combinação atende às duas prioridades máximas do atendimento inicial: controle da hemorragia e via aérea definitiva. O acesso venoso e a reposição volêmica vêm em seguida, e o paciente deve ser levado ao centro cirúrgico imediatamente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O tamponamento com balão (sonda de Foley com balonete insuflado) é uma medida refratária — indicada apenas quando a compressão digital não controla o sangramento. Além disso, a alternativa omite a via aérea, que é prioritária em paciente com rebaixamento da consciência. A conduta correta começa com compressão digital e entubação, não com tamponamento por balão como primeira escolha.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A compressão digital está correta, mas a alternativa erra ao priorizar a reposição com sangue total como medida imediata. A reposição volêmica inicial no trauma é feita com cristaloides isotônicos (ringer lactato ou soro fisiológico) ou, em choque grave, com hemocomponentes na proporção 1:1:1 — e nunca deve atrasar o controle cirúrgico do sangramento. Além disso, a alternativa omite a via aérea, que é a segunda prioridade máxima no paciente inconsciente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A tomografia computadorizada com contraste é contraindicada em paciente com choque hipovolêmico refratário e sangramento ativo. O exame de imagem só é indicado em pacientes hemodinamicamente estáveis. Neste caso, a prioridade é o controle imediato da hemorragia e a cirurgia de emergência — a tomografia atrasaria o tratamento e poderia ser fatal. A alternativa também omite a via aérea.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A exploração da ferida na sala de emergência é um erro grave. Ao explorar a ferida, o médico pode descomprimir um hematoma contido e provocar exsanguinação maciça — o hematoma pulsátil em expansão está tamponando a lesão vascular. A exploração cirúrgica deve ser feita no centro cirúrgico, com equipe e material adequados. A alternativa também prioriza a reposição salina, que não é a medida mais importante diante de sangramento ativo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre controle imediato da hemorragia e investigação diagnóstica. Em paciente instável com hematoma pulsátil, o candidato pode achar que a tomografia é necessária (alternativa D) ou que a exploração da ferida resolve (alternativa E). Mas a regra de ouro do trauma é: instabilidade + sangramento ativo = cirurgia imediata, sem exames. A exploração na sala de emergência é especialmente perigosa, pois pode descomprimir o hematoma e causar exsanguinação. Com treino, você identifica esse padrão de imediato 💪.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, memorize a sequência do trauma cervical com sangramento ativo: 1) compressão digital → 2) via aérea definitiva → 3) acesso venoso + reposição → 4) cirurgia imediata. Se a alternativa trouxer tomografia, exploração na sala ou tamponamento como primeira escolha, elimine-a. A via aérea é o item que mais falta nas alternativas erradas — desconfie de qualquer opção que não a inclua em paciente inconsciente.