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Questão de Medicina — Aspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica — FGV 2023

MedicinaAspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica
Código
fg064248
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Geral
O Testamento Vital (Diretivas Antecipadas de Vontade) tem sido objeto de amplas discussões no campo da Ética Médica e da Bioética, envolvendo a autonomia do paciente bem como a autonomia do médico e suas objeções de consciência.

De acordo com o CFM e com o conhecimento de bioética, assinale a afirmativa correta.
  1. AO princípio da beneficência consiste na busca pelo bem-estar sem causar danos à saúde física e mental do paciente, baseiase nos ensinamentos de Hipócrates, estabelecendo que todos os tratamentos devem ser usados para a cura da enfermidade, independente dos efeitos colaterais.
  2. BNão sendo conhecidas as diretivas antecipadas de vontade do paciente, nem havendo representante designado, familiares disponíveis ou falta de consenso entre estes, o médico deverá empregar todos os meios necessários para a manutenção da vida, quando entender ser esta medida necessária e conveniente.
  3. CHonrar a autodeterminação da pessoa enferma é dar-lhe a chance de exercer o direito à morte e de contemplar-se com dignidade, quando seu fim está próximo. Diante desse cenário, o ator principal é o paciente, que, no uso da sua liberdade de dispor de seu bem-estar, escolhe a suspensão dos tratamentos que somente prolongam seu sofrimento.
  4. DO princípio da justiça não prega que todos sejam tratados de modo idêntico, entretanto aqueles que detenham as mesmas necessidades devem receber as mesmas oportunidades, uma vez que a ciência evolui com o escopo de promover a ampliação da qualidade de vida da população e não é correto eleger um grupo para ser o destinatário único dos melhoramentos alcançados.
  5. ENa Ortotanásia é permitido qualquer conduta que procure antecipar ou prolongar o processo natural de morte, seja por meio de um comportamento omissivo comissivo, visando suspender suportes vitais, seja por conduta ativa, com a retirada ou desligamento de equipamentos substitutos de órgãos, ou que controlem suas funções normais, causando colapso do organismo, desencadeando a morte.
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GabaritoD — O princípio da justiça não prega que todos sejam tratados de modo idêntico, entretanto aqueles que detenham as mesmas necessidades devem receber as mesmas oportunidades, uma vez que a ciência evolui com o escopo de promover a ampliação da qualidade de vida da população e não é correto eleger um grupo para ser o destinatário único dos melhoramentos alcançados.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Testamento Vital e Diretivas Antecipadas de Vontade: princípios bioéticos

Gabarito: letra D. A alternativa correta define com precisão o princípio da justiça na bioética: não exige tratamento idêntico para todos, mas sim que pessoas com as mesmas necessidades recebam as mesmas oportunidades — uma leitura que se alinha à equidade e à alocação justa dos recursos em saúde. As demais alternativas distorcem conceitos fundamentais da ética médica, como beneficência, ortotanásia e o papel do médico diante das diretivas antecipadas.

O Testamento Vital, formalizado no Brasil pela Resolução CFM nº 1.995/2012, é o documento pelo qual uma pessoa capaz manifesta, antecipadamente, sua vontade sobre tratamentos a que deseja ou não se submeter quando estiver incapacitada de expressar-se. Ele concretiza o princípio da autonomia — um dos quatro pilares da bioética principialista de Beauchamp e Childress, ao lado de beneficência, não maleficência e justiça. A autonomia garante ao paciente o direito de decidir sobre seu próprio corpo e tratamento, desde que em pleno gozo de suas faculdades mentais e devidamente informado. O Supremo Tribunal Federal, no Tema 1069 de Repercussão Geral, reconheceu que é permitido ao paciente, no gozo pleno de sua capacidade civil, recusar-se a submeter-se a tratamento de saúde, inclusive por meio de diretivas antecipadas de vontade, condicionada a decisão inequívoca, livre, informada e esclarecida.

O princípio da beneficência, por sua vez, impõe ao médico a obrigação de agir em prol do bem-estar do paciente, maximizando benefícios e minimizando danos — mas nunca de forma absoluta, ignorando os efeitos colaterais ou a vontade do paciente. Já a não maleficência (primum non nocere) determina que o médico não cause dano intencional. A justiça, princípio central da alternativa correta, trata da distribuição equitativa dos recursos e do tratamento justo: não significa tratar todos de modo idêntico, mas sim dar a cada um o que lhe é devido, considerando necessidades iguais recebem oportunidades iguais. A ortotanásia, por fim, é a conduta médica que permite que a morte ocorra naturalmente, sem prolongar artificialmente a vida por meios fúteis — é distinta da eutanásia (antecipação da morte) e da distanásia (prolongamento obstinado do sofrimento).

A Resolução CFM nº 1.995/2012 estabelece que, na ausência de diretivas antecipadas, de representante designado, de familiares disponíveis ou em caso de falta de consenso entre eles, o médico deve seguir o princípio da beneficência, empregando os meios que julgar adequados para preservar a vida — mas sempre pautado pela melhor evidência científica e pelo melhor interesse do paciente, não por um critério meramente subjetivo de "necessidade e conveniência". A autonomia do médico também é protegida: ele pode recusar-se a executar procedimentos que contrariem sua consciência, desde que garanta a continuidade do cuidado por outro profissional.

A pegadinha central desta questão está na distorção dos conceitos: a banca mistura beneficência com paternalismo médico absoluto, confunde ortotanásia com eutanásia e distanásia, e apresenta a autonomia como um direito absoluto de dispor da própria vida, quando na verdade ela se limita à recusa de tratamentos que apenas prolongam o sofrimento, sem antecipar a morte. A alternativa D se destaca justamente por apresentar o princípio da justiça em sua formulação correta, alinhada à equidade e à distribuição justa dos recursos de saúde.

Princípio Bioético

Definição Correta

Erro Comum nas Alternativas

Beneficência

Agir em prol do bem-estar do paciente, maximizando benefícios e minimizando danos, ponderando riscos e efeitos colaterais.

Tratar como obrigação de curar a todo custo, ignorando efeitos adversos e a autonomia do paciente (Alternativa A).

Autonomia

Direito do paciente de decidir sobre seu corpo e tratamento, incluindo recusar procedimentos fúteis, desde que capaz e informado.

Confundir com um suposto "direito à morte" ou com poder absoluto de dispor da própria vida (Alternativa C).

Justiça

Distribuição equitativa de recursos: pessoas com as mesmas necessidades recebem as mesmas oportunidades, sem tratar todos de modo idêntico.

Apresentar como tratamento idêntico para todos ou como critério subjetivo de conveniência (Alternativa D é a correta).

Não maleficência

Não causar dano intencional ao paciente (primum non nocere).

Frequentemente confundida com a beneficência ou omitida nas distinções.

Ortotanásia

Permitir que a morte ocorra naturalmente, suspendendo tratamentos fúteis, sem antecipar ou prolongar artificialmente o processo.

Descrever como conduta que antecipa a morte (eutanásia) ou que prolonga o sofrimento (distanásia) (Alternativa E).

Princípios bioéticos
  • 1Autonomia
    • Testamento Vital (CFM 1.995/2012)
    • Recusa de tratamento fútil
  • 2Beneficência
    • Agir em prol do bem-estar
    • Ponderar riscos e benefícios
  • 3Não maleficência
    • Primum non nocere
  • 4Justiça
    • Equidade na alocação
    • Mesmas necessidades → mesmas oportunidades
  • 5Condutas no fim da vida
    • Ortotanásia
      • Morte natural, sem prolongar
    • Eutanásia
      • Antecipação da morte
    • Distanásia
      • Prolongamento obstinado
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa distorce o princípio da beneficência ao afirmar que todos os tratamentos devem ser usados para a cura, independentemente dos efeitos colaterais. A beneficência exige que o médico aja em prol do bem-estar do paciente, mas sempre ponderando riscos e benefícios — nunca ignorando os efeitos adversos. Além disso, a beneficência não se sobrepõe à autonomia do paciente: o médico deve propor o melhor tratamento, mas o paciente tem o direito de recusá-lo. A alternativa também erra ao atribuir a Hipócrates a base exclusiva desse princípio, quando a bioética moderna o sistematizou a partir de Beauchamp e Childress.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa apresenta uma distorção sutil do que estabelece a Resolução CFM nº 1.995/2012. Na ausência de diretivas antecipadas, representante, familiares ou consenso entre eles, o médico deve empregar os meios que julgar adequados para preservar a vida — mas essa decisão deve ser pautada pela beneficência e pela melhor evidência científica, não por um critério subjetivo de "necessidade e conveniência". O erro está em dar ao médico um poder discricionário absoluto, quando na verdade ele deve agir sempre no melhor interesse do paciente, com base em critérios técnicos e éticos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa confunde autonomia com um suposto "direito à morte". A autonomia do paciente permite que ele recuse tratamentos que apenas prolongam o sofrimento, mas não autoriza condutas que antecipem a morte — isso seria eutanásia, que é proibida no Brasil. A ortotanásia, que permite a morte natural, é aceita, mas a autonomia não é um direito absoluto de dispor da própria vida. O paciente pode escolher não se submeter a tratamentos fúteis, mas não pode exigir que o médico pratique atos que causem sua morte.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa define corretamente o princípio da justiça na bioética: não exige tratamento idêntico para todos, mas sim que pessoas com as mesmas necessidades recebam as mesmas oportunidades. Essa é a formulação clássica da justiça distributiva em saúde, que busca a equidade na alocação de recursos e no acesso aos tratamentos. A alternativa também acerta ao afirmar que a ciência evolui para ampliar a qualidade de vida da população, e que não é correto eleger um grupo como destinatário único dos avanços — princípio fundamental da justiça social em saúde.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa confunde ortotanásia com eutanásia e distanásia. A ortotanásia é a conduta que permite que a morte ocorra naturalmente, sem prolongar artificialmente a vida por meios fúteis — mas também sem antecipá-la. A alternativa descreve, na verdade, a eutanásia (antecipação da morte por conduta ativa ou omissiva) e a distanásia (prolongamento obstinado do sofrimento), ambas vedadas pela ética médica brasileira. A ortotanásia não permite "qualquer conduta" que antecipe ou prolongue a morte; ela se limita a suspender tratamentos fúteis, deixando que a morte siga seu curso natural.

Gabarito: letra D — a única alternativa que apresenta corretamente um princípio bioético, no caso, o da justiça, em sua formulação de equidade.

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