Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FGV 2023
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
fg064261
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Pediátrica
Criança de 2 anos, vítima de acidente automobilístico e com traumatismo torácico.Nesse caso, a lesão mais comumente encontrada é
Afratura de arcos costais.
Brotura de aorta torácica.
Chemotórax.
Dpneumotórax.
Econtusão pulmonar.
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GabaritoE — contusão pulmonar.
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Trauma torácico na criança: contusão pulmonar
Gabarito: letra E. Em crianças vítimas de trauma torácico contuso, a lesão mais comumente encontrada é a contusão pulmonar, pois a parede torácica pediátrica é mais complacente e transmite a energia do trauma ao parênquima pulmonar sem necessariamente fraturar as costelas. Essa particularidade anatômica é o ponto central que distingue o trauma torácico pediátrico do adulto.
O trauma torácico é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, e o mecanismo contuso predomina em cerca de 92% dos casos. A complacência da caixa torácica infantil — costelas mais flexíveis, cartilagens mais elásticas e menor massa muscular — faz com que a energia cinética do impacto seja transmitida diretamente aos órgãos internos, em vez de ser absorvida pela parede óssea. Por isso, é comum a criança apresentar lesões parenquimatosas graves, como a contusão pulmonar, mesmo sem fraturas costais evidentes. Essa é a razão pela qual a contusão pulmonar é a lesão torácica mais frequente nessa faixa etária.
A contusão pulmonar consiste em dano ao parênquima pulmonar com acúmulo de sangue e fluidos no interior dos alvéolos, prejudicando a oxigenação e podendo levar à hipóxia. O diagnóstico é confirmado por tomografia de tórax, que é o padrão-ouro, e o tratamento é essencialmente de suporte, com analgesia, oxigenoterapia e fisioterapia respiratória. O manejo criterioso de fluidos é fundamental, pois a sobrecarga volêmica pode piorar o quadro.
As demais alternativas representam lesões que podem ocorrer, mas com menor frequência na criança. A fratura de arcos costais, por exemplo, é menos comum justamente pela flexibilidade das costelas infantis. O pneumotórax hipertensivo, embora seja a lesão de risco imediato de vida mais comum em crianças, não é a lesão mais frequentemente encontrada. A rotura de aorta torácica é uma lesão grave, mas rara, e o hemotórax, embora possível, também é menos frequente que a contusão pulmonar.
Guarde a fronteira entre a lesão mais comum e a lesão mais grave: é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem. A banca explora a particularidade pediátrica da complacência torácica para induzir o candidato a escolher uma lesão mais comum em adultos, como a fratura de costelas.
Trauma torácico na criança: Particularidade anatômica (Parede torácica complacente, Costelas flexíveis, Menor massa muscular); Consequência (Energia transmitida ao parênquima, Fraturas costais menos comuns); Lesão mais comum (Contusão pulmonar); Lesão mais grave (risco imediato) (Pneumotórax hipertensivo)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A fratura de arcos costais é menos comum em crianças do que em adultos, pois a parede torácica infantil é mais complacente e flexível. A energia do trauma tende a ser transmitida ao parênquima pulmonar, causando contusão, em vez de fraturar as costelas. Quando ocorrem, as fraturas costais em crianças indicam trauma de alta energia e devem levantar suspeita de lesões associadas, mas não são a lesão mais frequente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A rotura de aorta torácica é uma lesão grave e frequentemente fatal, com mortalidade de até 85%, mas é rara em comparação com a contusão pulmonar. O diagnóstico é suspeitado por alargamento mediastinal na radiografia e confirmado por angiotomografia. Embora seja uma complicação temida do trauma torácico contuso, não é a lesão mais comumente encontrada em crianças.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O hemotórax é o acúmulo de sangue na cavidade pleural e pode ocorrer no trauma torácico, mas é menos frequente que a contusão pulmonar em crianças. O hemopneumotórax tem alta incidência no trauma torácico em geral, mas a contusão pulmonar é a lesão mais prevalente especificamente na população pediátrica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O pneumotórax é uma complicação possível, e o pneumotórax hipertensivo é a lesão de risco imediato de vida mais comum em crianças, devido à maior mobilidade das estruturas mediastinais. No entanto, a lesão mais frequentemente encontrada no trauma torácico pediátrico é a contusão pulmonar, não o pneumotórax.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A contusão pulmonar é a lesão mais comumente encontrada no trauma torácico em crianças. A parede torácica pediátrica, mais complacente e com menor massa muscular, transmite a energia do trauma contuso diretamente ao parênquima pulmonar, causando a contusão mesmo na ausência de fraturas costais. O diagnóstico é feito por tomografia de tórax, e o tratamento é de suporte, com analgesia, oxigenoterapia e fisioterapia respiratória.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a diferença entre a lesão mais comum no adulto e na criança. No adulto, a fratura de arcos costais é frequente; na criança, a complacência torácica faz com que a contusão pulmonar seja a lesão mais prevalente, muitas vezes sem fraturas associadas. Lembre-se: costela flexível = energia transmitida ao pulmão.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de trauma torácico pediátrico, foque na complacência da parede torácica como o diferencial. Se a questão mencionar criança, a contusão pulmonar é a resposta mais provável; se mencionar idoso, a fratura de costelas ganha destaque pela osteopenia.