Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2023

MedicinaGastroenterologia
Código
fg064266
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Pediátrica
Em relação à cirurgia de substituição esofágica por atresia de esôfago, é correto afirmar que
  1. Ana transposição, se utilizando o cólon esquerdo, a artéria nutridora do enxerto é a cólica média.
  2. Bna transposição com estômago total, a preservação do coto esofágico distal facilita a anastomose cervical.
  3. Co cólon direito pode ser utilizado para transposição esofágica.
  4. Dna transposição com cólon, para a subida do enxerto, o acesso pré-esternal é o mais indicado.
  5. Ena transposição com estômago, para a subida do enxerto, é obrigatória a utilização da via mediastinal posterior.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — o cólon direito pode ser utilizado para transposição esofágica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição esofágica na atresia de esôfago

Gabarito: letra C. O cólon direito é, de fato, uma das opções clássicas de substituto esofágico, sendo utilizado em transposições quando o estômago não pode ser empregado ou quando se deseja preservá-lo. As demais alternativas contêm erros anatômicos ou técnicos: a artéria nutridora do cólon esquerdo é a cólica esquerda (e não a média), a preservação do coto distal não facilita anastomose cervical (pelo contrário, o coto distal é geralmente ressecado ou usado na anastomose distal), o acesso pré-esternal é historicamente abandonado (prefere-se o retroesternal ou mediastinal posterior), e a via mediastinal posterior não é obrigatória na transposição gástrica (o retroesternal é alternativa aceita).

A atresia de esôfago é a malformação congênita mais comum do esôfago, caracterizada pela interrupção da continuidade do órgão, frequentemente associada a fístula traqueoesofágica. O tratamento é cirúrgico e, quando a anastomose primária não é possível (gap longo, por exemplo), lança-se mão da substituição esofágica. As opções clássicas de substituto são: estômago (transposição gástrica total ou tubo gástrico), cólon (direito, transverso ou esquerdo) e, menos comumente, jejuno. Cada uma tem indicações, vantagens e desvantagens próprias, e o conhecimento da anatomia vascular é essencial para a confecção do enxerto.

Na transposição com cólon, o princípio é mobilizar um segmento cólico com seu pedículo vascular íntegro. O cólon direito é irrigado pela artéria ileocólica e cólica direita, o transverso pela cólica média, e o esquerdo pela cólica esquerda (ramos da mesentérica superior e inferior, respectivamente). A escolha do segmento depende da extensão do gap e da viabilidade vascular. O cólon direito é frequentemente utilizado, especialmente quando se necessita de um enxerto mais longo, e sua mobilização é bem descrita na literatura. A via de ascensão do enxerto pode ser retroesternal, mediastinal posterior ou pré-esternal, sendo esta última historicamente abandonada por maior morbidade (fístulas, estenoses e aspecto estético).

Na transposição gástrica, o estômago é mobilizado preservando a arcada vascular gástrica (artérias gástricas direita e esquerda, gastroepiploicas), e o órgão é ascendido até o pescoço. A via mais utilizada é a mediastinal posterior, mas a retroesternal também é aceita, não sendo obrigatória a via posterior. A preservação do coto esofágico distal não tem relação com a facilidade da anastomose cervical; na verdade, o coto distal é geralmente ressecado ou utilizado na anastomose distal (gastroplastia), e a anastomose cervical é feita entre o esôfago proximal e o substituto.

A banca explora a confusão entre as artérias que irrigam os diferentes segmentos cólicos e entre as vias de ascensão do enxerto. O candidato que não domina a anatomia vascular e as técnicas cirúrgicas tende a marcar alternativas que parecem plausíveis, mas que contêm erros específicos. A alternativa C é a única que apresenta uma afirmação verdadeira e genérica, sem detalhes incorretos.

Guarde a fronteira entre as artérias nutridoras de cada segmento cólico e entre as vias de ascensão: é exatamente nesses detalhes que as alternativas se dividem.

Característica

Cólon Direito

Cólon Esquerdo

Cólon Transverso

Artéria nutridora

Ileocólica e cólica direita

Cólica esquerda

Cólica média

Uso na transposição esofágica

Sim, opção clássica

Sim, opção clássica

Sim, opção clássica

Indicação típica

Enxerto mais longo

Enxerto mais curto

Enxerto intermediário

1Estômago
Transposição total
Tubo gástrico
2Cólon
Direito (ileocólica e cólica direita)
Transverso (cólica média)
Esquerdo (cólica esquerda)
3Jejuno
Menos comum
4Vias de ascensão
Retroesternal
Mediastinal posterior
Pré-esternal (abandonada)
Substitutos esofágicos
LEVELsoulevel.com.br
Substitutos esofágicos: Estômago (Transposição total, Tubo gástrico); Cólon (Direito (ileocólica e cólica direita), Transverso (cólica média), Esquerdo (cólica esquerda)); Jejuno (Menos comum); Vias de ascensão (Retroesternal, Mediastinal posterior, Pré-esternal (abandonada))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A artéria nutridora do cólon esquerdo é a cólica esquerda, ramo da artéria mesentérica inferior, e não a cólica média, que irriga o cólon transverso. A banca troca o pedículo vascular de um segmento pelo de outro. Na transposição com cólon esquerdo, o enxerto é baseado na artéria cólica esquerda, e a cólica média é utilizada quando se usa o transverso. Essa confusão é clássica e exige o conhecimento da anatomia vascular do cólon.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A preservação do coto esofágico distal não facilita a anastomose cervical. Na transposição com estômago total, o coto distal é geralmente ressecado ou utilizado na anastomose distal (esôfago-gástrica), e a anastomose cervical é feita entre o esôfago proximal e o estômago. A afirmação inverte a lógica: o que facilita a anastomose cervical é a mobilização adequada do estômago e a via de ascensão, não a preservação do coto distal.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O cólon direito pode ser utilizado para transposição esofágica. É uma das opções clássicas, especialmente quando se necessita de um enxerto longo e o estômago não está disponível (por exemplo, em casos de estenose gástrica ou cirurgia prévia). A irrigação do cólon direito é feita pelas artérias ileocólica e cólica direita, e sua mobilização é bem descrita. A afirmação é verdadeira e genérica, sem detalhes incorretos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O acesso pré-esternal não é o mais indicado na transposição com cólon. Historicamente, foi utilizado, mas foi abandonado por maior morbidade (fístulas, estenoses, aspecto estético). As vias preferenciais são a retroesternal e a mediastinal posterior, sendo a retroesternal a mais comum. A banca troca a via preferencial pela historicamente abandonada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Na transposição com estômago, a via mediastinal posterior não é obrigatória. Embora seja a mais utilizada, a via retroesternal é alternativa aceita, e a escolha depende da preferência do cirurgião e das condições do paciente. A afirmação usa o termo "obrigatória", que é incorreto, pois há mais de uma via possível.

Gabarito: letra C — o cólon direito pode ser utilizado para transposição esofágica, sendo uma opção válida e clássica.

Link permanente: /questoes/fg064266