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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2023

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg064268
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Pediátrica
Em crianças com atresia de vias biliares, submetidas à cirurgia de Kasai, a complicação pós-operatória precoce mais frequente é
  1. Adeiscência da anastomose bíleo-digestiva.
  2. Bhemobilia.
  3. Chemorragia digestiva por varizes esofágicas.
  4. Dcolangite.
  5. Etrombose de veia porta.
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GabaritoD — colangite.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Atresia de vias biliares e cirurgia de Kasai: complicações pós-operatórias

Gabarito: letra D. A complicação pós-operatória precoce mais frequente após a cirurgia de Kasai em crianças com atresia de vias biliares é a colangite — a infecção ascendente da árvore biliar, favorecida pela estase e pelo refluxo do conteúdo intestinal para os ductos biliares recém-anastomosados. As demais alternativas representam complicações possíveis, porém menos frequentes ou de ocorrência mais tardia.

A atresia de vias biliares é uma doença colestática neonatal progressiva, caracterizada pela obliteração fibrosa dos ductos biliares extra-hepáticos. Sem tratamento, evolui para cirrose e insuficiência hepática. A cirurgia de Kasai (portoenterostomia) visa restabelecer o fluxo biliar, anastomosando o hilo hepático a uma alça intestinal em Y de Roux. O sucesso do procedimento depende da drenagem biliar adequada, que é diretamente ameaçada pela principal complicação precoce: a colangite.

A colangite ascendente ocorre porque a anastomose bilio-digestiva permite o refluxo do conteúdo intestinal (bactérias) para os ductos biliares intra-hepáticos, especialmente quando há estase biliar. A estase pode ser consequência de drenagem inadequada, ductos residuais estreitos ou obstrução parcial. A infecção resultante causa inflamação e fibrose progressiva dos ductos, comprometendo ainda mais a drenagem e acelerando a cirrose. Por isso, a profilaxia antibiótica pós-operatória é rotina, e a suspeita clínica de colangite (febre, icterícia recrudescente, acolia) exige tratamento imediato.

As demais complicações listadas são menos comuns no pós-operatório precoce. A deiscência da anastomose bíleo-digestiva é uma complicação cirúrgica grave, mas sua incidência é menor que a da colangite. A hemobilia (sangramento para o trato biliar) é rara e geralmente relacionada a manipulação ou pseudoaneurisma. A hemorragia digestiva por varizes esofágicas é uma complicação da hipertensão portal, que se desenvolve tardiamente, com a progressão da cirrose. A trombose de veia porta também é uma complicação tardia, associada à hipertensão portal.

A distinção crucial é entre complicações precoces (colangite, deiscência, hemobilia) e tardias (varizes, trombose de veia porta). A colangite é a mais frequente entre as precoces, sendo uma das principais causas de falha do procedimento e de necessidade de retransplante. O reconhecimento precoce e o tratamento agressivo são fundamentais para preservar a função hepática.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre complicações precoces e tardias. O candidato pode ser atraído pela deiscência de anastomose (complicação cirúrgica precoce, mas menos frequente) ou pelas varizes esofágicas (complicação tardia, mas de grande impacto). A chave é lembrar que a colangite é a complicação precoce mais comum, justamente pela fisiopatologia da anastomose bilio-digestiva.

  1. 1Precoces
  2. 2Colangite (mais frequente)
  3. 3Deiscência da anastomose
  4. 4Hemobilia
  5. 5Tardias
  6. 6Varizes esofágicas
  7. 7Trombose de veia porta
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A deiscência da anastomose bíleo-digestiva é uma complicação cirúrgica precoce possível, porém menos frequente que a colangite. Ela ocorre por falha de cicatrização ou técnica, manifestando-se com vazamento biliar, peritonite e sepse. Embora grave, não é a complicação precoce mais comum.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A hemobilia (sangramento para o trato biliar) é uma complicação rara no pós-operatório de Kasai. Pode ocorrer por manipulação cirúrgica, pseudoaneurisma de artéria hepática ou erosão vascular, mas sua incidência é muito inferior à da colangite.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hemorragia digestiva por varizes esofágicas é uma complicação tardia, decorrente da hipertensão portal que se desenvolve com a progressão da cirrose. No pós-operatório precoce, a hipertensão portal ainda não está estabelecida, tornando essa complicação improvável nesse período.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A colangite é a complicação pós-operatória precoce mais frequente após a cirurgia de Kasai. A anastomose bilio-digestiva permite o refluxo do conteúdo intestinal para os ductos biliares, favorecendo a infecção ascendente, especialmente na presença de estase biliar. A profilaxia antibiótica e o tratamento precoce são essenciais para prevenir a progressão da fibrose hepática.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A trombose de veia porta é uma complicação tardia, associada à hipertensão portal e à cirrose avançada. No pós-operatório precoce, é uma ocorrência rara, não sendo a complicação mais frequente.

Gabarito: letra D

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