Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2023
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
fg064273
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Pediátrica
Durante correção de hérnia inguinal em um menino de 1 ano notou-se ausência de ductos deferentes bilateralmente.Nesse caso, suspeita-se de
Afibrose cística.
Bsíndrome de Klinefelter.
Ctumor adrenal.
Ddisgenesia gonadal mista.
Etumor de Wilms.
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GabaritoA — fibrose cística.
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Ausência congênita bilateral dos ductos deferentes e fibrose cística
Gabarito: letra A. A ausência congênita bilateral dos ductos deferentes (CBAVD) é uma manifestação clássica da fibrose cística (FC) no sexo masculino, decorrente da mutação no gene CFTR que compromete o desenvolvimento dos ductos deferentes. O achado intraoperatório em um menino de 1 ano durante correção de hérnia inguinal bilateral é altamente sugestivo de FC, sendo essa a associação mais forte e bem estabelecida entre as alternativas.
A fibrose cística é uma doença autossômica recessiva causada por mutações no gene CFTR (regulador de condutância transmembrana da fibrose cística), que codifica um canal de cloro. A disfunção desse canal leva à produção de secreções espessas e viscosas em múltiplos órgãos, incluindo pulmões, pâncreas, intestino e trato genital masculino. No homem, a manifestação genital mais característica é exatamente a ausência congênita bilateral dos ductos deferentes, que resulta em azoospermia obstrutiva e infertilidade. Essa associação é tão forte que a CBAVD é considerada uma forma genital de apresentação da FC, e muitos homens com CBAVD são diagnosticados com FC ou com formas atípicas da doença.
O mecanismo fisiopatológico envolve a obstrução dos ductos deferentes durante o desenvolvimento embrionário, devido à secreção anormalmente espessa, levando à sua atresia ou agenesia. Além disso, a FC pode cursar com outras manifestações genitais masculinas, como epididimite, e com infertilidade feminina por espessamento do muco cervical. O diagnóstico de FC em um paciente com CBAVD deve ser confirmado por teste do suor e análise genética do CFTR, conforme protocolos estabelecidos.
Na prática clínica, a suspeita de FC deve ser levantada em qualquer menino com CBAVD, mesmo na ausência de sintomas respiratórios ou digestivos evidentes, pois a doença pode se manifestar de forma oligossintomática. A triagem neonatal (teste do pezinho) pode identificar a doença precocemente, mas a confirmação diagnóstica é feita pelo teste do suor e pela genética. O achado de CBAVD durante uma cirurgia de hérnia inguinal é um alerta importante para o pediatra e o cirurgião, que devem encaminhar o paciente para investigação de FC.
A pegadinha desta questão está em associar a ausência de ductos deferentes a outras condições genitais ou endócrinas, como a síndrome de Klinefelter (que cursa com testículos pequenos e azoospermia, mas não com agenesia de ductos deferentes) ou a disgenesia gonadal mista (que envolve genitália ambígua). O conhecimento da associação específica entre CBAVD e FC é o que permite acertar a questão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre azoospermia obstrutiva (por agenesia de ductos deferentes, típica da FC) e azoospermia não obstrutiva (por falência testicular, como na síndrome de Klinefelter). Na FC, os testículos são normais, mas os ductos deferentes estão ausentes; na Klinefelter, os testículos são pequenos e a produção de espermatozoides é deficiente. Lembre-se: CBAVD = FC até prova em contrário.
Ausência congênita bilateral dos ductos deferentes
1Fibrose cística (FC)
Mutação no gene CFTR
Canal de cloro disfuncional
Secreções espessas
Obstrução/atresia dos ductos deferentes
Azoospermia obstrutiva
Testículos normais
2Diagnóstico
Teste do suor
Análise genética do CFTR
3Confusões comuns
Síndrome de Klinefelter
azoospermia não obstrutiva, testículos pequenos
Disgenesia gonadal mista (genitália ambígua)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ausência congênita bilateral dos ductos deferentes é uma manifestação clássica da fibrose cística. O defeito no gene CFTR leva à obstrução e atresia dos ductos deferentes durante o desenvolvimento embrionário, resultando em azoospermia obstrutiva. Essa associação é tão forte que a CBAVD é considerada uma forma genital de apresentação da FC, e a investigação de FC é obrigatória em todo homem com esse achado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A síndrome de Klinefelter (47,XXY) causa hipogonadismo hipergonadotrófico, com testículos pequenos e azoospermia não obstrutiva, mas não há agenesia de ductos deferentes. Os ductos deferentes estão presentes, apenas a espermatogênese é deficiente. Portanto, não se relaciona ao achado cirúrgico descrito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Tumor adrenal (como feocromocitoma ou carcinoma adrenocortical) não causa ausência de ductos deferentes. Tumores adrenais podem causar virilização ou hipertensão, mas não afetam o desenvolvimento dos ductos deferentes. Não há associação fisiopatológica com o achado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A disgenesia gonadal mista (45,X/46,XY) cursa com genitália ambígua, gônadas disgenéticas e risco de gonadoblastoma, mas não há agenesia de ductos deferentes. A genitália interna pode ser anômala, mas a ausência bilateral dos ductos deferentes não é característica dessa condição.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tumor de Wilms (nefroblastoma) é um tumor renal que pode estar associado a síndromes como WAGR ou Beckwith-Wiedemann, mas não causa ausência de ductos deferentes. Não há relação entre tumor de Wilms e agenesia dos ductos deferentes.
Gabarito: letra A — a ausência congênita bilateral dos ductos deferentes é patognomônica de fibrose cística no sexo masculino.