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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FGV 2023

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
fg064279
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Plástica
Sobre os fármacos agonistas do GLP-1 (glucagon-like peptide-1), que inclui a classe dos medicamentos dulaglutida, liraglutida e semaglutida, assinale a afirmativa correta.
  1. AEstudos tem demonstrado resultados excelentes, quando utilizados como preenchedores em regiões da face.
  2. BTem sido relatados aumento dos casos de trombose venosa profunda pelo seu uso como preenchedores na região glútea.
  3. CSeu uso está recomendado no pré e per operatório, em pacientes com 5 pontos pela classificação de Caprini.
  4. DApresentam risco potencial de bronco aspiração, durante os procedimentos que envolvam sedação e anestesia geral.
  5. ENão estão disponíveis como preparações subcutâneas.
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GabaritoD — Apresentam risco potencial de bronco aspiração, durante os procedimentos que envolvam sedação e anestesia geral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Agonistas do receptor de GLP-1: farmacologia e riscos anestésicos

Gabarito: letra D. Os agonistas do GLP-1 (dulaglutida, liraglutida, semaglutida) são fármacos injetáveis (subcutâneos) usados no tratamento do diabetes tipo 2 e obesidade, e seu principal risco perioperatório é o retardo do esvaziamento gástrico, que aumenta o risco de broncoaspiração durante sedação ou anestesia geral — exatamente o que afirma a alternativa D. As demais alternativas confundem o uso desses fármacos com preenchedores estéticos (A, B), citam uma contraindicação inexistente (C) ou negam a via subcutânea (E).

Os agonistas do receptor de GLP-1 (glucagon-like peptide-1) são miméticos da incretina: mimetizam a ação do hormônio endógeno GLP-1, que é secretado pelas células L do intestino em resposta à ingestão de alimentos. Suas principais ações incluem: estimular a secreção de insulina de forma glicose-dependente (por isso baixo risco de hipoglicemia), suprimir a secreção de glucagon, retardar o esvaziamento gástrico e promover saciedade. Esses efeitos os tornam eficazes no controle glicêmico do diabetes tipo 2 e na perda de peso, sendo a semaglutida e a liraglutida também aprovadas para obesidade.

A via de administração é predominantemente subcutânea (dulaglutida, liraglutida, semaglutida, exenatida, lixisenatida), com exceção da semaglutida, que também possui formulação oral. Essa característica é central para a alternativa E, que afirma o contrário.

O ponto crítico para a questão é o retardo do esvaziamento gástrico. Esse efeito farmacológico, desejável no tratamento da obesidade (aumenta a saciedade), torna-se um problema no perioperatório: o estômago permanece com conteúdo sólido por mais tempo, mesmo após o jejum recomendado, elevando o risco de broncoaspiração durante a indução anestésica ou em procedimentos com sedação. Por isso, as principais sociedades de anestesiologia recomendam suspender esses fármacos antes de procedimentos eletivos (por exemplo, 1 a 3 dias antes, dependendo do esquema posológico) e considerar o estômago como "cheio" em situações de emergência.

A alternativa C menciona a classificação de Caprini, que é um escore de risco para tromboembolismo venoso (TEV), não relacionado ao uso de GLP-1. Não há recomendação de uso de agonistas do GLP-1 no pré ou peroperatório com base nesse escore; pelo contrário, a recomendação é de suspensão antes de cirurgias. A alternativa B também mistura conceitos: não há relato de aumento de trombose venosa profunda pelo uso de GLP-1 como preenchedor glúteo — aliás, esses fármacos não são preenchedores.

As alternativas A e B tratam os agonistas do GLP-1 como se fossem preenchedores dérmicos (como ácido hialurônico ou toxina botulínica), o que é um equívoco grave. Eles são medicamentos sistêmicos, não substâncias de preenchimento estético. A alternativa A, embora mencione "resultados excelentes", não corresponde à realidade: não há uso aprovado ou estudo relevante de GLP-1 como preenchedor facial. A alternativa B, além do erro conceitual, inventa um risco de trombose venosa profunda que não existe para essa classe.

A pegadinha central da questão é confundir a classe farmacológica com outra finalidade (preenchimento estético) e desconhecer o risco anestésico específico (broncoaspiração). O candidato que sabe que GLP-1 são antidiabéticos/antiobesidade e que retardam o esvaziamento gástrico acerta a D; quem associa "injeção" a "preenchedor" cai nas alternativas A ou B.

Fármaco

Via de administração

Principal risco perioperatório

Uso como preenchedor estético

Dulaglutida

Subcutânea

Retardo do esvaziamento gástrico → broncoaspiração

Não

Liraglutida

Subcutânea

Retardo do esvaziamento gástrico → broncoaspiração

Não

Semaglutida

Subcutânea (e oral)

Retardo do esvaziamento gástrico → broncoaspiração

Não

1Ações
Insulina glicose-dependente
Saciedade
Retardo do esvaziamento gástrico
2Risco anestésico
Broncoaspiração
Suspensão pré-operatória
3Vias
Subcutânea (maioria)
Oral (semaglutida)
Agonistas GLP-1
LEVELsoulevel.com.br
Agonistas GLP-1: Ações (Insulina glicose-dependente, Saciedade, Retardo do esvaziamento gástrico); Risco anestésico (Broncoaspiração, Suspensão pré-operatória); Vias (Subcutânea (maioria), Oral (semaglutida))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que os agonistas do GLP-1 são usados como preenchedores faciais. Erro conceitual: são fármacos sistêmicos para diabetes/obesidade, não substâncias de preenchimento estético. Não há uso aprovado nem evidência relevante para essa finalidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Menciona aumento de trombose venosa profunda pelo uso como preenchedor glúteo. Duplo erro: (1) não são preenchedores; (2) não há relato de aumento de TEV associado a essa classe. O risco de TEV não faz parte do perfil de segurança dos GLP-1.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Recomenda o uso no pré e peroperatório em pacientes com 5 pontos na classificação de Caprini. Erro: a classificação de Caprini avalia risco de tromboembolismo venoso, não tem relação com GLP-1. Na verdade, a recomendação é suspender os GLP-1 antes de procedimentos cirúrgicos, devido ao risco de broncoaspiração.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. Os agonistas do GLP-1 retardam o esvaziamento gástrico, aumentando o risco de broncoaspiração durante sedação ou anestesia geral. Esse é um risco reconhecido e motivo de orientações específicas de suspensão pré-operatória.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que não estão disponíveis como preparações subcutâneas. Erro: a maioria dos agonistas do GLP-1 (dulaglutida, liraglutida, semaglutida, exenatida, lixisenatida) é administrada por via subcutânea; apenas a semaglutida também possui versão oral.

Gabarito: letra D — a única que descreve corretamente um risco real e relevante dos agonistas do GLP-1 no contexto anestésico.

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