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Questão de Medicina — Pneumologia — FGV 2023

MedicinaPneumologia
Código
fg064297
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Torácica
Um paciente com diagnóstico de acalasia, com 8 anos de evolução, foi tratado ao longo deste período com múltiplas dilatações pneumáticas, sem sucesso. Há um ano submeteu-se a uma miotomia extensa, com fundoplicatura a Nissen.Atualmente, persiste com disfagia intensa e perda de peso progressiva. A endoscopia digestiva alta revela esôfago muito dilatado, com resíduo alimentar presente e sinais de estenose cicatricial em esôfago distal, provavelmente secundária à esofagite de refluxo.Nesse caso, assinale a opção que indica a conduta mais adequada.
  1. AAdequar a dieta e repetir a endoscopia em três semanas.
  2. BAdequar a dieta, repetir a endoscopia em três semanas e fazer nova dilatação pneumática durante a endoscopia.
  3. CProgramar miotomia endoscópica.
  4. DCirurgia convencional para desfazer a fundoplicatura.
  5. EPreparar para esofagectomia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Preparar para esofagectomia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Acalasia avançada: falha terapêutica e indicação de esofagectomia

Gabarito: letra E. O paciente apresenta acalasia de longa evolução (8 anos), já submetido a múltiplas dilatações pneumáticas e a miotomia de Heller com fundoplicatura, com persistência de disfagia intensa, perda de peso e esôfago muito dilatado com estenose cicatricial distal — quadro compatível com acalasia avançada (megasesôfago) e falha terapêutica definitiva, em que a conduta mais adequada é a esofagectomia (ressecção esofágica). As demais opções (dieta, nova dilatação, POEM ou desfazer a fundoplicatura) não resolvem a estenose orgânica e a dilatação extrema já estabelecidas.

A acalasia é um distúrbio motor primário do esôfago, caracterizado por aperistalse do corpo esofágico e falha de relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI), com consequente aumento do tônus do EEI e obstrução funcional da junção esofagogástrica. A fisiopatologia envolve a perda da inervação inibitória no plexo mioentérico, o que leva à hipertonia do EEI e à dilatação progressiva do esôfago. O diagnóstico é confirmado pela manometria esofágica de alta resolução, que classifica a doença em três tipos (Chicago): tipo I (clássica), tipo II (com pressurização pan-esofágica) e tipo III (espástica).

O tratamento visa reduzir a pressão do EEI e promover o esvaziamento esofágico. As opções iniciais são a dilatação pneumática e a miotomia cirúrgica (Heller), ambas com bons resultados em casos precoces. A POEM (miotomia endoscópica peroral) é uma alternativa mais recente, menos invasiva, mas também não é indicada quando já há dilatação extrema e estenose orgânica. Quando o paciente evolui com megasesôfago (dilatação acentuada, geralmente > 6 cm), perda de peso e falha das terapias anteriores, a esofagectomia é o tratamento de escolha, pois a miotomia ou a dilatação não conseguem mais restaurar o trânsito esofágico adequado.

No caso apresentado, além da dilatação extrema, há estenose cicatricial distal secundária à esofagite de refluxo — provavelmente decorrente da fundoplicatura malfeita ou da progressão da doença. Essa estenose é uma lesão orgânica fixa, que não responde a dilatações repetidas nem a novas miotomias. A conduta conservadora (dieta, repetir endoscopia) não trata a causa; a nova dilatação pneumática é ineficaz e arriscada; a POEM não é indicada em esôfago muito dilatado; e desfazer a fundoplicatura não resolve a estenose. Portanto, a esofagectomia é a única opção que remove o esôfago doente e restabelece o trânsito alimentar (geralmente com gastroplastia ou interposição intestinal).

A banca explora a progressão natural da acalasia não tratada ou refratária: o aluno pode ficar tentado a escolher uma opção menos invasiva (dilatação ou POEM), mas a presença de megasesôfago + estenose orgânica + falha de múltiplas terapias é o cenário clássico de indicação cirúrgica radical. Guarde o critério: acalasia avançada (megasesôfago) = esofagectomia; acalasia precoce/refratária sem dilatação extrema = dilatação, Heller ou POEM.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Apenas adequar a dieta e repetir a endoscopia em três semanas é uma conduta expectante, sem tratar a causa. O paciente já tem estenose orgânica e dilatação extrema; medidas dietéticas não resolvem a obstrução mecânica e a perda de peso progressiva indica necessidade de intervenção definitiva. Não há como a dieta reverter um esôfago com essa morfologia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Repetir a endoscopia e fazer nova dilatação pneumática é ineficaz e potencialmente perigosa. O paciente já foi submetido a múltiplas dilatações sem sucesso, e agora há estenose cicatricial (tecido fibrótico) que não responde a balões. Além disso, a dilatação em esôfago muito dilatado aumenta o risco de perfuração. A conduta não aborda a necessidade de ressecção.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A miotomia endoscópica (POEM) é uma opção para acalasia refratária, mas não é indicada em megasesôfago com dilatação extrema e estenose orgânica. A POEM atua na musculatura do EEI, mas não corrige a dilatação avançada nem a estenose fibrótica distal. Em esôfago muito dilatado, a taxa de sucesso é baixa e o risco de complicações aumenta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Desfazer a fundoplicatura (cirurgia de Nissen) não trata a estenose cicatricial nem a dilatação esofágica. A fundoplicatura foi realizada para prevenir refluxo após a miotomia; desfazê-la poderia até piorar o refluxo, mas não resolve a disfagia mecânica causada pela estenose. A indicação de esofagectomia permanece.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A esofagectomia é a conduta mais adequada para acalasia avançada com megasesôfago, estenose orgânica e falha de terapias prévias (dilatações e miotomia). A ressecção do esôfago doente é o único tratamento que remove a obstrução e permite reconstrução do trânsito alimentar, aliviando a disfagia e a perda de peso. É o procedimento de escolha nesse cenário, conforme a literatura de cirurgia esofágica.

Gabarito: letra E

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