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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2023

MedicinaClínica Médica Humana
Código
fg064298
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Torácica
Com relação ao divertículo de Zenker, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.


( ) É classificado como divertículo de pulsão.
( ) Sua formação é secundária à disfunção do músculo cricofaríngeo.
( ) Em pacientes sintomáticos, o tratamento pode ser cirúrgico convencional ou endoscópico.
( ) A ressecção cirúrgica rente à base da herniação mucosa, confere, de forma isolada, elevado índice de sucesso no tratamento cirúrgico convencional.


As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente,
  1. AV – V – V – V.
  2. BV – V – V – F.
  3. CF – V – V – V.
  4. DV – V – F – V.
  5. EF – F – F – F.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — V – V – V – F.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Divertículo de Zenker: classificação, fisiopatologia e tratamento

Gabarito: letra B (V – V – V – F). O divertículo de Zenker é um divertículo falso, do tipo de pulsão, formado por herniação da mucosa e submucosa através do triângulo de Killian, secundário à disfunção (falta de relaxamento/aumento do tônus) do músculo cricofaríngeo. O tratamento dos casos sintomáticos pode ser cirúrgico convencional ou endoscópico, mas a diverticulectomia isolada, sem miotomia cricofaríngea, não confere elevado índice de sucesso — é justamente a miotomia que trata a causa base (a disfunção do esfíncter esofágico superior).

O divertículo de Zenker (DZ) é uma evaginação saculiforme da parede posterior da faringe, na transição faringoesofágica. Para entender a questão, é preciso dominar três eixos: a classificação dos divertículos (verdadeiro × falso; pulsão × tração), a fisiopatologia (por que ele se forma) e o tratamento (quando e como operar). Vamos a cada um.

1. Classificação: divertículo falso e de pulsão. Os divertículos do esôfago podem ser verdadeiros (envolvem todas as camadas da parede — mucosa, submucosa, muscular) ou falsos (apenas mucosa e submucosa herniam através da camada muscular). O DZ é um divertículo falso, pois apenas a mucosa e a submucosa protruem pelo triângulo de Killian. Quanto ao mecanismo, os divertículos podem ser de pulsão (causados por aumento da pressão intraluminal, empurrando a parede) ou de tração (causados por processo inflamatório/fibrose que puxa a parede para fora). O DZ é de pulsão: a disfunção do cricofaríngeo aumenta a pressão na hipofaringe durante a deglutição, empurrando a mucosa através do ponto fraco.

2. Fisiopatologia: o papel do cricofaríngeo. O DZ forma-se no triângulo de Killian, área de musculatura esparsa delimitada pelos músculos cricofaríngeo e tireofaríngeo. A diminuição da complacência do cricofaríngeo e do esfíncter esofágico superior (EES) expõe a hipofaringe a pressões elevadas durante a deglutição, causando a herniação. Ou seja, a disfunção do cricofaríngeo é o gatilho da formação do divertículo.

3. Tratamento: cirúrgico convencional ou endoscópico. DZs sintomáticos devem ser tratados. DZs menores podem ser tratados com miotomia cricofaríngea isolada; DZs maiores podem necessitar de intervenções adicionais, como suspensão do divertículo ou diverticulectomia. A miotomia cricofaríngea endoscópica é alternativa às abordagens cirúrgicas. O ponto-chave: a miotomia é o componente essencial do tratamento, pois corrige a disfunção do esfíncter. A diverticulectomia isolada (ressecção rente à base da herniação) sem miotomia não trata a causa e, por isso, não confere elevado índice de sucesso — há risco de recorrência e de fístula.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre diverticulectomia isolada e diverticulectomia + miotomia. O candidato pode achar que ressecar o divertículo é suficiente, mas o tratamento eficaz exige a miotomia do cricofaríngeo para corrigir a disfunção de base. A afirmativa IV é falsa justamente por omitir a miotomia.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de divertículo de Zenker, lembre-se do tripé: falso + pulsão + disfunção do cricofaríngeo. E no tratamento, a miotomia é sempre o coração da abordagem — sem ela, a diverticulectomia isolada não resolve.

1Classificação
Falso (mucosa + submucosa)
De pulsão (pressão intraluminal)
2Fisiopatologia
Disfunção do cricofaríngeo
Herniação no triângulo de Killian
3Tratamento
Miotomia cricofaríngea (essencial)
Cirúrgico convencional
Endoscópico
Diverticulectomia isolada (sem miotomia)
Divertículo de Zenker
LEVELsoulevel.com.br
Divertículo de Zenker: Classificação (Falso (mucosa + submucosa), De pulsão (pressão intraluminal)); Fisiopatologia (Disfunção do cricofaríngeo, Herniação no triângulo de Killian); Tratamento (Miotomia cricofaríngea (essencial), Cirúrgico convencional, Endoscópico, Diverticulectomia isolada (sem miotomia))

Afirmativa 1 — ✅ Verdadeira

O DZ é classificado como divertículo de pulsão. O mecanismo é o aumento da pressão intraluminal na hipofaringe (devido à disfunção do cricofaríngeo), que empurra a mucosa através do triângulo de Killian. Isso o distingue dos divertículos de tração, que são causados por fibrose mediastinal puxando a parede.

Afirmativa 2 — ✅ Verdadeira

A formação do DZ é secundária à disfunção do músculo cricofaríngeo. A diminuição da complacência do cricofaríngeo e do EES aumenta a pressão na hipofaringe durante a deglutição, causando a herniação da mucosa. Essa é a fisiopatologia clássica.

Afirmativa 3 — ✅ Verdadeira

Em pacientes sintomáticos, o tratamento pode ser cirúrgico convencional (miotomia cricofaríngea, com ou sem diverticulectomia/suspensão) ou endoscópico (miotomia endoscópica). Ambas as abordagens são válidas e indicadas conforme o tamanho do divertículo e a condição do paciente.

Afirmativa 4 — ❌ Falsa

A ressecção cirúrgica rente à base da herniação mucosa (diverticulectomia) isolada, sem miotomia cricofaríngea, não confere elevado índice de sucesso. A miotomia é essencial para tratar a disfunção do esfíncter, que é a causa da formação do divertículo. Sem ela, há risco de recorrência e complicações.

Conclusão: Corretas: 1, 2 e 3 → portanto a alternativa é a letra B (V – V – V – F).

Gabarito: letra B

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