Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2023
- Código
- fg064298
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Cirurgia Torácica
- AV – V – V – V.
- BV – V – V – F.
- CF – V – V – V.
- DV – V – F – V.
- EF – F – F – F.
GabaritoB — V – V – V – F.
Gabarito: letra B (V – V – V – F). O divertículo de Zenker é um divertículo falso, do tipo de pulsão, formado por herniação da mucosa e submucosa através do triângulo de Killian, secundário à disfunção (falta de relaxamento/aumento do tônus) do músculo cricofaríngeo. O tratamento dos casos sintomáticos pode ser cirúrgico convencional ou endoscópico, mas a diverticulectomia isolada, sem miotomia cricofaríngea, não confere elevado índice de sucesso — é justamente a miotomia que trata a causa base (a disfunção do esfíncter esofágico superior).
O divertículo de Zenker (DZ) é uma evaginação saculiforme da parede posterior da faringe, na transição faringoesofágica. Para entender a questão, é preciso dominar três eixos: a classificação dos divertículos (verdadeiro × falso; pulsão × tração), a fisiopatologia (por que ele se forma) e o tratamento (quando e como operar). Vamos a cada um.
1. Classificação: divertículo falso e de pulsão. Os divertículos do esôfago podem ser verdadeiros (envolvem todas as camadas da parede — mucosa, submucosa, muscular) ou falsos (apenas mucosa e submucosa herniam através da camada muscular). O DZ é um divertículo falso, pois apenas a mucosa e a submucosa protruem pelo triângulo de Killian. Quanto ao mecanismo, os divertículos podem ser de pulsão (causados por aumento da pressão intraluminal, empurrando a parede) ou de tração (causados por processo inflamatório/fibrose que puxa a parede para fora). O DZ é de pulsão: a disfunção do cricofaríngeo aumenta a pressão na hipofaringe durante a deglutição, empurrando a mucosa através do ponto fraco.
2. Fisiopatologia: o papel do cricofaríngeo. O DZ forma-se no triângulo de Killian, área de musculatura esparsa delimitada pelos músculos cricofaríngeo e tireofaríngeo. A diminuição da complacência do cricofaríngeo e do esfíncter esofágico superior (EES) expõe a hipofaringe a pressões elevadas durante a deglutição, causando a herniação. Ou seja, a disfunção do cricofaríngeo é o gatilho da formação do divertículo.
3. Tratamento: cirúrgico convencional ou endoscópico. DZs sintomáticos devem ser tratados. DZs menores podem ser tratados com miotomia cricofaríngea isolada; DZs maiores podem necessitar de intervenções adicionais, como suspensão do divertículo ou diverticulectomia. A miotomia cricofaríngea endoscópica é alternativa às abordagens cirúrgicas. O ponto-chave: a miotomia é o componente essencial do tratamento, pois corrige a disfunção do esfíncter. A diverticulectomia isolada (ressecção rente à base da herniação) sem miotomia não trata a causa e, por isso, não confere elevado índice de sucesso — há risco de recorrência e de fístula.
A banca explora a confusão entre diverticulectomia isolada e diverticulectomia + miotomia. O candidato pode achar que ressecar o divertículo é suficiente, mas o tratamento eficaz exige a miotomia do cricofaríngeo para corrigir a disfunção de base. A afirmativa IV é falsa justamente por omitir a miotomia.
Para questões de divertículo de Zenker, lembre-se do tripé: falso + pulsão + disfunção do cricofaríngeo. E no tratamento, a miotomia é sempre o coração da abordagem — sem ela, a diverticulectomia isolada não resolve.
O DZ é classificado como divertículo de pulsão. O mecanismo é o aumento da pressão intraluminal na hipofaringe (devido à disfunção do cricofaríngeo), que empurra a mucosa através do triângulo de Killian. Isso o distingue dos divertículos de tração, que são causados por fibrose mediastinal puxando a parede.
A formação do DZ é secundária à disfunção do músculo cricofaríngeo. A diminuição da complacência do cricofaríngeo e do EES aumenta a pressão na hipofaringe durante a deglutição, causando a herniação da mucosa. Essa é a fisiopatologia clássica.
Em pacientes sintomáticos, o tratamento pode ser cirúrgico convencional (miotomia cricofaríngea, com ou sem diverticulectomia/suspensão) ou endoscópico (miotomia endoscópica). Ambas as abordagens são válidas e indicadas conforme o tamanho do divertículo e a condição do paciente.
A ressecção cirúrgica rente à base da herniação mucosa (diverticulectomia) isolada, sem miotomia cricofaríngea, não confere elevado índice de sucesso. A miotomia é essencial para tratar a disfunção do esfíncter, que é a causa da formação do divertículo. Sem ela, há risco de recorrência e complicações.
Conclusão: Corretas: 1, 2 e 3 → portanto a alternativa é a letra B (V – V – V – F).
Gabarito: letra B
Link permanente: /questoes/fg064298