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Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — FGV 2023

MedicinaEnvenenamentos e Acidentes
Código
fg064299
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Torácica
A embolia aérea é um diagnóstico difícil que deve ser pensado, em pacientes com trauma penetrante de tórax, nas situações a seguir.


I. Em pacientes previamente lúcidos, que desenvolvem quadro neurológico súbito.
II. Nas lesões penetrantes com comprometimento hilar.
III. Em pacientes com colapso circulatório grave, de instalação súbita, sem perda volêmica significativa.


Está correto o que se afirma em
  1. AI, II e III.
  2. BII e III, apenas.
  3. CI e III, apenas.
  4. DI e II, apenas.
  5. EII, apenas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — I, II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Embolia aérea no trauma torácico penetrante

Gabarito: letra A. A embolia aérea (gasosa) é uma complicação grave e de difícil diagnóstico no trauma penetrante de tórax, e as três situações listadas — quadro neurológico súbito em paciente previamente lúcido, lesão com comprometimento hilar e colapso circulatório súbito sem perda volêmica significativa — são exatamente os cenários clássicos em que se deve suspeitar do diagnóstico. A questão cobra o reconhecimento dessas apresentações típicas, todas corretas.

A embolia aérea ocorre quando o ar entra na circulação sanguínea através de uma lesão que comunica uma via aérea ou o pulmão com um vaso sanguíneo. No trauma penetrante de tórax, isso acontece quando o trajeto do projétil ou da faca lesa simultaneamente o parênquima pulmonar (ou um brônquio) e uma veia pulmonar ou uma artéria sistêmica. A pressão positiva das vias aéreas durante a ventilação, ou a pressão negativa da inspiração, força o ar para dentro do vaso lesado. Uma vez na circulação, as bolhas de ar seguem o fluxo sanguíneo e podem ocluir vasos em órgãos-alvo, sendo o cérebro e o coração os mais críticos.

O diagnóstico é essencialmente clínico e de suspeição, pois os exames de imagem muitas vezes não são rápidos o suficiente ou não são sensíveis. A tríade de apresentações clássicas é justamente a que a questão lista. O quadro neurológico súbito em paciente que estava lúcido é a manifestação mais comum e ocorre pela oclusão de vasos cerebrais por bolhas de ar — o paciente pode apresentar confusão, convulsão, déficit focal ou rebaixamento do nível de consciência de início abrupto. As lesões hilares são particularmente perigosas porque o hilo pulmonar concentra os grandes vasos (artéria e veias pulmonares) e os brônquios principais, em um espaço pequeno — uma lesão nessa região tem altíssima probabilidade de criar uma fístula broncovascular. O colapso circulatório súbito sem perda volêmica significativa é a apresentação da embolia aérea que atinge as artérias coronárias, causando isquemia miocárdica e choque cardiogênico, ou que obstrui o fluxo de saída do ventrículo direito, simulando um tamponamento cardíaco ou uma embolia pulmonar maciça.

A distinção que importa aqui é entre a embolia aérea e outras complicações do trauma torácico que também causam choque ou rebaixamento neurológico, como o pneumotórax hipertensivo, o tamponamento cardíaco e a hemorragia maciça. O pneumotórax hipertensivo cursa com desvio de traqueia, ausência de murmúrio vesicular e distensão de veias do pescoço; o tamponamento cardíaco tem a tríade de Beck (hipofonese, turgência jugular e hipotensão) e geralmente está associado a ferimento na área cardíaca; a hemorragia maciça cursa com hipovolemia evidente, taquicardia e má perfusão periférica. A embolia aérea, por sua vez, apresenta-se com um quadro neurológico ou cardiovascular súbito e desproporcional ao que seria esperado pela lesão anatômica ou pela perda sanguínea — é o "paciente que melhora e piora de repente", ou que não responde à reposição volêmica adequada.

A pegadinha que a banca explora é justamente a tentação de considerar o item III incorreto, pensando que o colapso circulatório no trauma sempre se deve à hemorragia. Mas a embolia aérea é uma causa de choque obstrutivo que deve ser lembrada exatamente quando o colapso é súbito e não há perda volêmica significativa para justificá-lo. Guarde a tríade: neurológico súbito + lesão hilar + colapso sem hipovolemia — é nela que as alternativas se dividem.

1Mecanismo
Fístula broncovascular
Ar entra na circulação
2Apresentações clássicas
Neurológico súbito em lúcido
Lesão hilar
Colapso circulatório sem hipovolemia
3Diagnóstico diferencial
Pneumotórax hipertensivo
Tamponamento cardíaco
Hemorragia maciça
Embolia aérea no trauma torácico penetrante
LEVELsoulevel.com.br
Embolia aérea no trauma torácico penetrante: Mecanismo (Fístula broncovascular, Ar entra na circulação); Apresentações clássicas (Neurológico súbito em lúcido, Lesão hilar, Colapso circulatório sem hipovolemia); Diagnóstico diferencial (Pneumotórax hipertensivo, Tamponamento cardíaco, Hemorragia maciça)

Item I — ✅ Correto

O quadro neurológico súbito em paciente previamente lúcido é a manifestação clássica da embolia aérea cerebral. As bolhas de ar ocluem vasos cerebrais, causando isquemia e sintomas como confusão, convulsão, hemiplegia ou coma de início abrupto. Esse é um dos cenários em que o diagnóstico deve ser fortemente suspeitado no trauma penetrante de tórax.

Item II — ✅ Correto

As lesões penetrantes com comprometimento hilar são de altíssimo risco para embolia aérea, pois o hilo pulmonar concentra os grandes vasos e os brônquios principais em um espaço anatômico pequeno. Uma lesão nessa região cria uma comunicação direta entre a via aérea e a circulação, facilitando a entrada de ar no sangue.

Item III — ✅ Correto

O colapso circulatório grave de instalação súbita, sem perda volêmica significativa, é a apresentação cardiovascular da embolia aérea. As bolhas podem obstruir as artérias coronárias (causando isquemia miocárdica) ou o fluxo de saída do ventrículo direito (causando choque obstrutivo). A ausência de hipovolemia significativa é o dado que diferencia esse quadro do choque hemorrágico.

Conclusão: os três itens estão corretos, portanto o gabarito é a letra A.

Gabarito: letra A

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