Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023
- Código
- fg064308
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Cirurgia Vascular
- A0,0,3.
- B1,2,3.
- C1,1,1.
- D3,2,1.
- E1,3,3.
GabaritoA — 0,0,3.
Gabarito: letra A — a conta chega a WIfI = 0,0,3 — alternativa A.
A classificação WIfI é um sistema usado em cirurgia vascular para estimar o risco de amputação em pacientes com feridas nos membros inferiores. Ela avalia três coisas separadamente: a ferida (W), a falta de sangue (isquemia, I) e a infecção (I). Cada uma recebe uma nota de 0 a 3, e a combinação das três notas orienta o tratamento.
Cada componente tem seus próprios critérios. A ferida (W) é graduada pela profundidade e extensão: 0 é sem ferida, 1 é úlcera superficial, 2 é úlcera profunda com exposição de osso ou tendão, 3 é ferida extensa ou gangrena. A isquemia (I) é avaliada pelo ITB: 0 é ITB ≥ 0,80, 1 é 0,60–0,79, 2 é 0,40–0,59, 3 é < 0,40. A infecção (I) é graduada pela gravidade: 0 é sem infecção, 1 é leve, 2 é moderada, 3 é grave com resposta sistêmica (febre, leucocitose > 12.000, hiperglicemia em diabético, PCR elevada).
Esta questão pede para aplicar esses critérios aos dados clínicos do paciente. O ponto central é reconhecer que, apesar da infecção grave, não há isquemia, pois os pulsos estão amplos e o ITB é alto.
ferida infectada na região plantar direita
abscesso plantar sem drenagem espontânea
leucocitose: 20.000 leucócitos
glicemia: 250 mg/dL
proteína C reativa: 10 mg/dL
pulsos podálicos amplos bilateralmente
ITB > 0,8
O que queremos: a classificação WIfI (Wound, Ischemia, foot Infection) do paciente
O primeiro passo é classificar a ferida, pois ela é o motivo da consulta. A ferida é plantar, infectada, com abscesso, mas o enunciado não menciona exposição óssea, tendão ou gangrena. Na classificação WIfI, ferida sem essas características profundas é grau 0 (ou, no máximo, 1, mas a ausência de descrição de profundidade leva a considerar 0).
Por que esta fórmula: Não há fórmula; é a aplicação direta dos critérios da classificação WIfI para o componente W.
Assumir que toda ferida infectada é grau 1 ou 2, sem verificar se há exposição de estruturas profundas.
Agora avaliamos se há falta de sangue no pé, pois isso influencia a cicatrização e o risco de amputação. O ITB > 0,8 e os pulsos podálicos amplos indicam bom fluxo arterial, ou seja, sem isquemia significativa.
Por que esta fórmula: Os critérios do WIfI para isquemia usam o ITB: grau 0 é ITB ≥ 0,80. Como o ITB é > 0,8, encaixa-se em grau 0.
Confundir a infecção com isquemia e achar que o pé diabético sempre tem isquemia, ignorando os dados de pulsos e ITB.
Por fim, classificamos a gravidade da infecção, que é o que está mais evidente no caso. O paciente tem abscesso, leucocitose de 20.000, hiperglicemia e PCR elevada — todos critérios de infecção grave com resposta sistêmica.
Por que esta fórmula: Os critérios do WIfI para infecção: grau 3 é infecção grave com resposta sistêmica, definida por pelo menos dois dos seguintes: febre, leucocitose > 12.000, hiperglicemia em diabético, PCR elevada, hipotensão, confusão. Aqui temos leucocitose, hiperglicemia e PCR elevada, então é grau 3.
Subestimar a infecção como moderada (grau 2) por causa do abscesso, esquecendo que os critérios sistêmicos elevam para grau 3.
Resposta: WIfI = 0,0,3 — alternativa A
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